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Expresso

Uma solução que agrada a todos

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Sempre disposto a dar o dito por não dito, ao contrário da uma boa parte dos políticos, a Coluna de Alterne faz uma autocrítica, coloca um par de cilícios e pede desculpa. No fim, apresenta uma alternativa

Na passada semana entrevistámos o prof. John Pal Erma que, inadvertida ou maliciosamente nos deu uma informação totalmente errada. Recorda-se o que ele disse, para que melhor possamos aquilatar o seu erro: “Uma coisa curiosa é que vai ganhar as eleições quem tiver mais votos, mas isso não quer dizer nada, porque costuma ser assim, acho eu…”.

Achava (ou acha) mal. Porque numa eleição para o Parlamento não ganha quem tiver mais votos. A coisa é completamente diferente, aprendemos nós com o desenrolar desta semana. O que acontece é que nas eleições parlamentares ganha aquele que se entender.

Ou o que tiver mais votos;

Ou o que mais subir a votação;

Ou o que mais pretendentes tiver para um casamento político;

Ou que conseguir o feito mais inesperado.

Visto isto desta perspetiva inteiramente democrática não nos resta senão andar uma semana com um cilício na perna, pedir desculpa ao professor Alexandre Quintanilha em nome do escritor José Rodrigues dos Santos e a pedido do jornalista com o mesmo nome, saudar a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa e perdoar-lhe tudo o que ele fez, esperando aplaudir tudo o que vai fazer, despedir o prof. Pal Erma por incompetência e propor uma solução.

Essa solução pode, à primeira vista parecer estranha, mas eu acredito que não parecerá mais excêntrica do que aquelas que têm sido ensaiadas. A solução é esta:

O Senhor Presidente da República, Professor Cavaco Silva deve convidar para primeiro-ministro o líder do PAN (Pessoas-Animais-Natureza), André Silva. Deve fazê-lo pelas seguintes ordens de razão:

  1. Porque se chama Silva e podem ainda ser primos;
  2. Porque é o único que pode congregar a boa vontade de todos os deputados do Parlamento. Porque na realidade, sendo uns de esquerda, outros de direita, outros assim-assim, são todos animais e é visível que o partido que mais e mais assanhadamente defende os animais é o PAN;
  3. Porque, ainda que alguns deputados, eventualmente, não sejam animais, o PAN também defende Pessoas, como indica o nome.
  4. Porque mesmo aqueles deputados que por São Bento vegetam legislatura atrás de legislatura estão defendidos pela vertente Natureza do PAN, que é a favor da couve lombarda, da couve roxa e da couve portuguesa, além da batata, da cenoura e do rabanete;

Tendo em conta todos estes argumentos – e aquele que deixei para o fim, por ser o mais importante: o PAN reúne-se amanhã com António Costa, pelo que não é menos do que os outros - não vejo outra formação capaz de gerar tanto consenso como esta agradável formação dirigida pelo senhor Silva, apelido que, por sinal, estamos por demais habituados.

Com o renovado pedido de desculpas, aqui fica a sugestão.