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Expresso

Senhor irresponsável oferece-se para CEO de marca de automóveis

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Sempre apta a julgar pessoas que não conhece e processos de que não faz a menor ideia, a Coluna de Alterne, mais independente que o mais independente dos juízes portugueses, oferece o seu autor, que já é Comendador e tudo, para presidente executivo da Volkswagen

Caros Senhores,

Quero deixar junto da vossa Comissão de Supervisores a minha candidatura para suceder a Martin Winterkorn como CEO da Volkswagen. Faço-o com a consciência tranquila de não estar a tirar o lugar a ninguém, uma vez que Martin tem mesmo de sair, depois do escândalo das emissões de CO2 nos Estados Unidos e sabe-se lá mais onde. Acho muito bem que ele receba os 26,8 milhões de Euros a que tem direito, pois, de facto, ele nada tem a ver com o facto de haver motores que poluem mais do que o anunciado.

Penso que a culpa é dos motores, dos publicitários ou, quando muito, dos mecânicos.

Já quanto a mim quero deixar claro que não percebo nada de automóveis, nem de motores, nem de emissões de CO2, pelo que me parece ter o perfil adequado para gerir a vossa empresa. Se a ideia é baixar o CO2 eu posso perfeitamente escrever um paper a dizer isso mesmo; mas se a ideia for a contrária, também escreverei. Nesse aspeto sou marxista da escola de Groucho: “Os meus princípios são estes, mas se não gostarem posso alterá-los”.

Quanto a possíveis inconvenientes que possam acontecer á Volkswagen (disseram-me que a Audi, a Skoda e a Seat também têm os mesmos motores) ou a quaisquer outras marcas ou modelos, estou sempre disponível para me demitir, arcar com as culpas e levar apenas 10 milhões de euros de indemnização.

Eu, quando vou para um grupo, visto a camisola e não é o dinheiro que me motiva!

Espero, caros senhores, que a minha candidatura seja devidamente considerada e que coloquem, também, a hipótese de eu poder ter o meu escritório na fábrica da VW em Palmela, em Portugal. A proximidade da família é para mim um valor importante, como penso sê-lo para todos vós.

Aguardando uma resposta célere, sou todo ânsias.

PS: Também não falo alemão, o que é uma vantagem na argumentação de não ter entendido bem a política da empresa