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Expresso

Regras para futuros frente-a-frente políticos

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O debate esta semana entre Passos Coelho e António Costa teve já diversas novidades. Porém, a Coluna de Alterne, sempre atenta ao desenvolvimento das tecnologias e das audiências, deixa uma série de sugestões para futuros debates. A proposta terá, pelo menos, um apoiante: Rui Santos, que defende mais ou menos o mesmo para o futebol

As novas regras serão nove e terão de ser escrupulosamente cumpridas, sob pena de serem expulsos da FIAP (Federação Internacional de Animadores da Política) e da UEAP (União Europeia de Animadores de Política). Ei-las:

1- No dia anterior ao embate deve ser obrigatória uma conferência de Imprensa de um dos preparadores do debate de cada candidato. Nessa conferência as expressões “debate difícil” e “entraremos sem medo do adversário” deverão ser obrigatórias;

2 - Meia hora antes do debate deve ser divulgada a constituição das equipas. Do tipo: Por Passos Coelho - Fulano e Beltrano ajudaram-no na Economia e na Segurança Social; Sicrano na área da Saúde e um tipo qualquer na Emigração. O mesmo se fará para o contendor (Costa terá os seus);

3 - Além dos três entrevistadores, que vão fazendo perguntas – deve haver um quarto árbitro para o tempo que cada contendor gasta e para assinalar pontos, além de juízes por detrás de cada um dos debatentes a fim de ver se eles estão a recorrer a cábulas ou qualquer meio eletrónico que lhes permita responder a coisas que não sabem ou não têm a certeza;

4 - Devem ser permitidas substituições. Por exemplo, se Passos não conseguir responder convenientemente pode ser substituído por Portas; assim como Costa, quando os temas económicos se tornam demasiado complexos, pode deixar entrar Mário Centeno, por exemplo. O nome dos substitutos deve ser divulgado antes do debate, no ponto da constituição das equipas;

5 - O quarto árbitro, sempre que um dos contendores marca um ponto (por exemplo a descrição do programa ‘Vem’, sem que haja resposta convincente do adversário) deve assinalá-lo de imediato, de modo a que, em casa, se saiba o resultado sem ter de esperar pelos comentadores e pelo prof. Marcelo;

6 - Os candidatos, no entanto, só terão no final do debate a indicação de quem está à frente, de modo a não serem influenciados por esse aspeto;

7- O quarto árbitro, ou um dos árbitros por detrás dos contendores, ao verificar uma mentira clara (tipo foi o PSD que chamou a troika) deve assinalar uma falta – meio minuto de insultos contidos por parte do adversário;

8 - No fim do encontro, além das entrevistas aos protagonistas na zona mista (o que já aconteceu), perguntando-lhe coisas inteligentes, do tipo “como se sente?” ou “acha que venceu?”, deve haver uma conferência de Imprensa formal do principal treinador de cada candidato;

9 - No dia seguinte, deve haver programas onde pessoas ligadas a cada um dos candidatos passam repetidamente, em câmara lenta, os principais temas do confronto. Nestes programas, ao contrário dos debates, em que os gritos são penalizados, pode berrar-se à vontade. João Galamba e Bruno Maçães, por exemplo, seriam pessoas indicadas para estas funções.

E pronto, penso que é tudo. As audiências subiriam e as televisões teriam mais tempo de antena de qualidade política dedicado a questões fundamentais do país.