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Expresso

Eu sou como o Costa, não prometo nada

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Retemperada com um daqueles molhos instantâneos para as saladas e também com férias na praia, a alternante coluna volta com uma conversa assaz confusa com o líder do PS. Ao fim e ao cabo, decidimos que éramos ambos os dois homens mais sérios do mundo

Quando encontrei António Costa com uma cabeleira ainda mais branca do que aquela que ele naturalmente tem – tipo a que está nos cartazes com a cara dele (será a cara dele? Hoje em dia desconfiamos de todos os cartazes) – perguntei-lhe em tom afável:

- Ó rapaz, então agora prometes 207 mil empregos? E por que não 210 mil?

Ele ficou um pouco desiludido, para não dizer irritado comigo e contrapôs que não propunha nada!

- Ah não?

- Não senhor! O que eu faço é comprometer-me a colocar em prática medidas que têm como prioridade a criação de emprego.

- E essas medidas depois criam 207 mil empregos?

- É uma estimativa possível.

- Outra estimativa seria não criar emprego nenhum, certo?

- Nada disso. O que eu digo – e digo-lhe pela última vez - é que não prometo 207 mil postos de trabalho, eu comprometo-me com um conjunto de medidas de política que tendo por prioridade a criação de emprego têm um estudo técnico a suportá-lo que estima um conjunto de resultados, na dívida, no crescimento, na redução do défice e também no emprego.

- Ah – disse eu para disfarçar que estava a perceber tudo muito bem.

- Exato, está a ver – retorquiu-me ele.

- Portanto, é uma proposta séria, fundamentada e absolutamente credível.

- Ora aí está. O Comendador tem compreensão lenta, mas chega lá.

- Ou seja, estamos perante um compromisso de que os estudos feitos levam a um conjunto de medidas as quais, se tudo correr bem, criarão 207 mil postos de trabalho?

- É mais ou menos isso – respondeu ele já um pouco enfastiado.

- Prometes que é isso?

- Não! Eu não faço promessas.

- Olha, rapaz, isso de não fazer promessas é sério. Eu também não prometo nada a ninguém. Nem sequer me comprometo, que como sabes, é uma promessa que envolve mais de uma variável. Deves ser o primeiro político sério que encontro.

Ele agradeceu e despediu-se.

Fiquei a pensar se o que tinha dito dele era um compromisso da minha parte ou apenas o resultado de uma conversa que levou a um conjunto de palavras, as quais tinham por prioridade não me irritar, depois de um estudo clínico sério provar que eu fico melhor se não me irritar. Acho que foi isto…