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Portugal dá novos textos aos contextos

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Sempre zelosa dos nossos interesses enquanto País, Nacão e Pátria, que afinal é a língua portuguesa ou a comunidade de luso-falantes; constante na defesa de vizinhos da mesma vizinhança, fregueses da mesma freguesia e concelhios da mesma concelhia do PSD e do PS, a Coluna de Alterne não podia deixar de notar que a importância de Portugal no presente é, pelo menos, senão mais, igual à do passado

Digam qual foi a coisa mais importante esta semana? Escusam de responder todos ao mesmo tempo, eu sei que sabem: foi o acordo entre a Grécia e a Europa. Só aqui no Expresso online houve cerca de 673 opiniões sobre o assunto, das quais 672 omitiram o facto mais importante para nós, portugueses, do que lá se passou. Poderíamos, pois, pensar que esta Coluna iria no mesmo sentido, mas não! Vamos em sentido diverso, que não quer dizer contrário. Nós vamos relatar dois momentos fulcrais da coisa.

Eis o 1º:

Na reunião dos socialistas europeus, para a elaboração do comunicado final que resultou na recusa de Hollande em deixar sair a Grécia, pôs-se a questão de usar o termo sociais-democratas. Costa levantou-se e disse: “Não! Sociais-democratas não, socialistas!”. Um nórdico qualquer disse que socialista era ele, porque ainda não tinha aprovado o programa de Bad Godesberg nem tinha aceitado os postulados de Edouard Bernstein, segundo os quais o mercado devia ser utilizado sempre que possível e o Estado apenas quando necessário. Sim – referiu outro, esse dos Bálticos - ainda me lembro de vocês gritarem “Partido Socialista, Partido Marxista”. Sim, conciliou o alemão, mas depois disso foram mais anticomunistas do que os outros todos. É verdade, referiu um espanhol. Além de que nós nos chamamos, por tradição claro, Socialistas Operários. A confusão instalou-se, o marido de uma ministra disse que ia aos cornos a não sei quem e quando estava tudo no auge da peixeirada, Manuel Valls, com grande calma disse:

“E se nós puséssemos no comunicado ‘Socialistas sociais-democratas e democratas”. Ficou tudo calado. Ninguém parecia gostar da formulação. Até que Costa disse: Socialistas vírgula sociais-democratas e democratas europeus”.

Suspirou-se de alívio. Assim está bem, disseram todos, cumprimentando muito António Costa.

Estava salvo o comunicado.

Eis o 2º:

Já na reunião de líderes do Eurogrupo faltavam 15 escassos minutos para abrir os mercados e não havia consenso sobre a Grécia. Foi quando Passos Coelho disse qualquer coisa sobre a utilização de parte do dinheiro para a recapitalização da banca. O tipo da Eslováquia disse: mas essa ideia já tinha sido dada pelo dinamarquês.

Não senhor, retorquiu Passos. Ele disse o Eurogrupo o BCE e o FMI e eu coloquei a vírgula no sítio certo. Reparem: O Eurogrupo, o BCE e o FMI.

Fez-se luz. Merkel aprovou logo tudo dando uma reprimenda ao dinamarquês: “Vês? É por isso que ninguém liga ao que tu dizes”.

Estava salvo o acordo.

E, como muito bem lembrou o presidente da Comissão Donald Tusk (ou terá sido Donald Duck) Portugal, que no passado deu novos mundos ao mundo, dá no presente novas vírgulas aos acordos.

Todos beberam a isso. E o caso, como vedes, não é para menos!

Viva Portugal os portugueses e as suas gentes!

Ou como diriam os nossos líderes, Portugal vírgula…