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Expresso

Vota nos sete pecados ou nas 10 pragas?

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Esta coluna sempre disposta à contabilidade das propostas políticas, resume, de forma notável, parece-me, o que cada eleitor português terá pela frente no dia em que forem as eleições legislativas. Esta decisão, de alcance bíblico, pode ter os efeitos de um dilúvio ou de um Armagedão

O dr. António Costa, que é um homem precavido e pouco amigo de visitar cadeias, lançou o repto: os seus adversários são responsáveis por sete pecados mortais. Adivinha-se, pois, que além de gula, há preguiça e avareza e ganância e inveja. Ainda bem (do meu ponto de vista) que a infidelidade conjugal não é pecado mortal, pois nesse caso o dr. Costa tinha que falar de oito pecados, pois a infidelidade coligacional do dr. Paulo Portas é o mais visível de todos os pecados que possam ser mencionados.

O dr. Passos Coelho, homem que manifestamente não gosta de falar de aeródromos, replicou que os seus adversários são responsáveis por 10 pragas. Isso significa que há água transformada em sangue, piolhos e rãs, moscas, sarna, treva e morte dos primogénitos, entre outras coisas. Claro que a morte dos primogénitos é figurada, mas alguns já foram assassinados na constituição das listas de deputados. De piolhos nada sei, embora o ex-líder Sócrates se queixasse de pulgas na sua exígua cela de Évora, além de recordar que o dr. José Lello poderia criar rãs em qualquer lugar, sobretudo se isso o mantivesse calado.

Assim sendo, o pobre eleitor português está perante duas alternativas políticas claras: ou vota nas pragas ou nos pecados. Há quem pense que pode haver pecados bons, mas volto a recordar que isso é uma confusão com os 10 mandamentos e com o conjuge do próximo. Já das pragas nunca se ouviu dizer bem, talvez porque os piolhos, as rãs, as moscas e os gafanhotos (que também há) não tenham direito a uma defesa justa.

Em face disto, o sr. Jerónimo de Sousa propôs um inseticida. Seria uma boa hipótese, caso o exterminador implacável não fosse ele – e muito menos a voz da deputada Heloísa Apolónia.

Reteve-se, ainda, a recusa do Bloco de Esquerda em falar de temas bíblicos, pelo que se aguarda que Catarina Martins peça um resumo da “Saga de Gilgamesh” ao prof. Louçã, de modo a que possa falar do dilúvio sem ter que citar um livro que é também utilizado por padres, além dos já citados Passos Coelho e António Costa, que mais coisa menos coisa, dariam dois belos bispos.

Seja como for, todas as sondagens apontam para uma vitória das pragas, embora sem maioria absoluta, embora os pecados estejam bem posicionados para obter idêntico resultado.

Assim sendo, e descontando que a ameaça inseticida do deputado Jerónimo de Sousa não é literal, o mais certo é nos próximos quatro anos aguentarmos com 10 pragas e ainda mais sete pecados, de forma podermos refletir muito bem sobre as nossas vidas.  

A outra hipótese é o dilúvio da deputada Catarina Martins ou o Armagedão de Shelltox do Partido Comunista.

Seja como for, por muito que pese ao Bloco, tudo isto está escrito na Bíblia. Vem aí o fim do mundo!

E ainda há quem lamente os que emigram!