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Expresso

Como vender a TAP e ter uma companhia de bandeira

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A Coluna de Alterne, sempre a pensar fora da caixa (e do Montepio, do BCP, do Santander, do Novo Banco e do Banif) chegou à conclusão que não há razão para tanta disputa à volta da TAP ser ou não uma companhia de bandeira. Poderemos vende-la ao Azul e ao Barraqueiro e ficar à mesma com uma companhia de bandeira. Para isso, meus caros políticos e ativistas, basta, como diz Poirot por “as celulazinhas cinzentas” a trabalhar

Vejamos o caso: a TAP é de bandeira porque se chama Air Portugal e porque tem as cores da bandeira portuguesa no seu logótipo. Certo? Penso que sim, que todos concordam. Que podemos fazer se um David Neeleman, da igreja Mórmon, juntamente com um Pedrosa que começou com umas carripanas ali para o Olival Basto compram aquilo? E se eles mudam o nome para Azul?

Devemos recordar que o Neeleman tem uma companhia chamada Azul e antes disso (num passe de imaginação) tinha uma chamada Blue. Mesmo o Pedrosa tinha umas camionetas de luxo (daquelas que não servem para transportar gado suburbano) que eram da chamada Frota Azul. Aliás, no sítio da Internet da Frota está escrito com todas a letras: “As instalações da Frota Azul, empresa de autocarros pertencente à Barraqueiro Transportes, S. A., estão, agora, na Rua Angola, no Olival Basto, em Odivelas. A empresa foi criada em 1981 e surgiu da necessidade de o Grupo Barraqueiro diversificar (…)”.

Não é preciso ser muito inteligente para ver o risco que corremos. É eles chamarem à TAP qualquer coisa como Azul, Frota Aérea Azul, Barraca Voadora Azul, Air Beleneneses, ou, pior ainda, Air Dragão, Carago!

Se assim o fizerem, também não são necessários muitos estudos para perceber de que modo vão pintar o atual verde e rubro dos aviões. De azul, claro! Deixando um certo feeling blue nos adeptos da companhia de bandeira, que vão do deputado Rui Paulo Figueiredo ao candidato Paulo Morais, passando pelo cineasta António-Pedro Vasconcelos e pelo publicista Miguel Sousa Tavares.

Só que estes, em vez de tentarem arranjar uma solução, fazem como diz o prático senhor Coelho de Massamá: lamentam-se. Ora eu, que tal como os meus amigos ali referidos (não o Coelho, mas os outros) sou a favor de uma companhia de bandeira, defendo também que a ordem dos fatores é arbitrária, razão pela qual podemos defender um país de bandeira da companhia. Como?

Se a companhia mudar tudo para Azul, a gente muda o nome do país para Azul e a bandeira para Azul com sete estrelas brancas (simbolizando os grandes nomes de Portugal: Ronaldo, Figo, Eusébio, Amália, Gisela João, Elvira Fortunato e Vasco da Gama). Se eles mudaram para Air Belenenses, todo o país muda para Belém e a bandeira para Azul com a cruz de Cristo. Se for para o nome menos provável de Barraca Voadora Azul chamamos a Portugal o apropriado nome Barracalândia e a bandeira é uma barracada azul (com listas brancas como eram as barracas da praia e os colchões antigos).

Enfim, há toda uma plêiade de soluções antes de nos pormos a lamentar a falta de bandeira na companhia. Claro que o Costa também pode ganhar as eleições, o euromilhões seis vezes, comprar a companhia, reverter o negócio e oferecer tudo a Portugal. Mas acredito tanto nessas hipóteses como nestas que aqui deixo de graça e que são mais engraçadas.