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Expresso

Se há coisa de que não gosto é de macroeconomistas!

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A coluna de alterne tem preferências claras. Por exemplo, adora psiquiatras e floricultores. Mas também tem ódios de estimação, como os resineiros (sobretudo os engraçados) e os macroeconomistas. As próximas linhas são dedicadas a esta última espécie, que aliás nunca está contente

Podia pensar-se que um macroeconomista seria, não um grande economista, mas um economista muito grande (cerca um metro e noventa, ou assim). Nesse sentido, opõe-se ao microeconomista, que não é um Marques Mendes licenciado em economia, mas um pequeno economista. No entanto, não é nada disto. Um economista vulgar, ou microeconomista, no geral só quer dar cabo as contas de uma empresa ou de um grupo de empresas. Um macroeconomista dedica-se a dar cabo das contas de um país ou de um conjunto de países.

Só por aqui se vê que o macro é muito mais ameaçador do que o micro. Ao contrário dos óbios, onde os micróbios são piores do que os macróbios, como se pode verificar pela vida de um filósofo chamado Ambrósio Teodósio Macróbio que escreveu ‘As Saturnais’. O Ambrósio, ao longo da vida, deu cabo de vários micróbios, mas os micróbios acabaram por ter a última palavra e dar cabo dele.

Voltando aos macroeconomistas direi que a sua principal deficiência é nunca estarem satisfeitos. Por exemplo: se temos inflação eles querem combatê-la. Mas se não temos, também querem combater a ausência de inflação. É caso para se dizer que se é preso por ter inflação e por não ter.

Além disso dividem-se em duas tribos: os keynesianos e os outros. Os keynesianos querem crescimento da economia; os outros também. Mas, apesar de quererem o mesmo, passam a vida a insultar-se mutuamente e a chamar palavrões uns aos outros, tipo neo-liberal ou neo-marxista, porque outra característica dos macroeconomistas é nunca serem arqueo qualquer coisa, mas sempre neo qualquer coisa.

Nesse sentido, os neo-marxistas acham que o Estado deve ter um papel preponderante para o desenvolvimento da sociedade e felicidade dos cidadãos. Já os neo-liberais utilizam o Estado para que este deixe de ter um papel preponderante, de modo a que haja desenvolvimento e os cidadãos sejam felizes. Resumindo, é mais ou menos isto: os neo-liberais defendem a exploração do homem pelo homem e os neo-marxistas defendem precisamente o contrário.

Enfim, nunca estão contentes e recusam-se a admitir aquela máxima célebre segundo a qual Deus criou a macroeconomia para fazer da meteorologia uma ciência exata.

E, neste vaivém de ataques e críticas (uma boa parte deles estiveram estes dias reunidos em Sintra), substituíram-se com ar doutoral aos políticos, pessoas de quem podíamos dizer mal sem levar com um calhamaço qualquer, ou uma tese de doutoramento na cabeça. Hoje, quem quiser perceber o que se passa num país, quem quiser participar na vida cívica de uma nação tem de alinhar com os macroeconomistas. Ser por um dos lados ou pelo outro.

Eis algo que não podia deixar de denunciar.