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Expresso

A conspiração feminoterrorista?

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A Coluna de Alterne, que é obviamente machista e chauvinista e outras coisas lamentávies, reparou no que ninguém notou. Aquela cena de pancadaria num miúdo da Figueira, que escandalizou meio mundo, ainda é mais reprovável por se tratar de uma mulher a protagonizar o ensaio de porrada num macho. Mas isto é um aviso – aviso-vos eu!

A questão é bicuda, porque nem se enquadra num episódio de violência doméstica, uma vez que se passa na via pública. Também não é um caso de ódio homofóbico ou contra os transgénero, de que hoje se comemora o dia, ou melhor o dia contra esse ódio.

Temos, pois, um óbvio crime público motivado por uma cena doméstica (diz o pai ou o professor ou lá quem era, que se tratava de uma questão de namoro). Ora, sendo uma questão de namoro, não sendo violência doméstica, não sendo ódio homofóbico, poderia ser bullying. Mas bullying, como se sabe, costuma ser da parte mais forte (macho) contra a mais fraca (meninas e assim). Deste modo, este crime precisa urgentemente de um nome, porque um crime normal – do tipo um homem mata a sogra e ou a mãe desta – não mobiliza a sociologia e os especialistas, menos ainda os media. Mas um crime que possa ser tipificado como qualquer coisa, dá logo bastante que falar.

Proponho por isso que este seja considerado o primeiro crime feminoterrorista. Ou seja, de terrorismo feminino exercido sobre homens.Namoro ou não, faz dó o miúdo ali quietinho e a matrafona a arrear-lhe estaladas e pontapés. É óbvio que o feminoterrorismo tem de ser radicalmente combatido.

Poderíamos dizer que o miúdo queria ir para o céu mais depressa, oferecendo a outra face. Mas quem acredita numa coisa dessas?

O certo é que este novo crime, feminoterrorismo, tende a alastrar-se rapidamente. Por um lado, porque as mulheres tendem a ser muito mais do que os homens e um dia vão vingar-se deles nunca lavarem a louça ou porem a roupa na máquina e dar-lhes-ão estaladonas e pontapés nos sítios que bem sabeis. Por outro, porque os homens perceberam que podiam libertar-se da chatice que é ter uma mulher, casando-se uns com os outros, levando a que elas reajam de forma violenta.

O mote está dado e posso dizer que, depois de aturadas investigações que me consumiram cerca de dois segundos, estou em condições de dizer que a publicação da cena no Facebook foi um primeiro passo de uma conspiração feminoterrorista que, mais cedo ou mais tarde, se abaterá sobre todos os homens de boa vontade e até sobre os homens de má vontade.

Não sei se atingem onde pode ir o mundo parar com exemplos como este! Só conheço um mal de dimensão semelhante, que é o Acordo Ortográfico. Este, como sabem, é responsável por todos os males e já provocou suicídios em massa. No entanto, ao pé da conspiração feminoterrorista da estalada, vai parecer uma brincadeira de crianças escrevermos ótimo com p ou sem p.

Eu sei que deve haver uma série de pessoas a achar que estou a brincar com coisas sérias. Mas eu nem sequer estou a brincar. É mesmo verdade. E podem ter a certeza que esta verdade dói.

Dói , até, só de ver.