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Expresso

A canção do bandido (ou trova do SMS)*

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Sempre em cima do acontecimento, sem que este se queixe, a coluna mais alternativa dedica-se à música e com a sua ajuda revela a canção que repõe a verdade dos factos a propósito de SMS e outras coisas que tal. O sujeito da canção, de acordo com o poema, parece ser Paulo Portas. Mas aqui fica, para que fruam:

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
E com letra bonita dizia ele tinha
Um sorriso luminoso, tão fresco e gaiato
Uma voz de barítono calma como um regato
E um modo de agir sempre educado.

Escrevi que o Gaspar, com teorias da tanga
Veio impostos cobrar e pensões encolher
E eu barafustei e tentei demovê-lo
Num grito de raiva, num rotundo não

Não tive resposta, para mal dos meus fígados
Apenas desprezo, que é como quem diz:
Não queres o Gaspar, eu tiro o Gaspar,
Mas levas por certo com a Maria Luís!

E eu num ato que foi pensado e profundo.
Mandei-lhe outra carta bastante amável
E nela dizia, contando o meu caso
Que me demitia e era irrevogável.

Andei barbado, sujo, descalço
Procuraram nas ruas, nos campos, nas hortas…
Não viu, ai não viu, ai
não viu o Paulo Portas
E perdido me deram ‘inda não eram duas…

Para me distrair, prometeram-me cargo
Número dois do Governo, mas ela ficava
Sempre nas Finanças, a contar o meu caso
Aos colegas da Europa, aos diretores-gerais.

Olhei para a carreira, que havia de fazer?
E num passo maluco que não cabe em mim
Voltei com a palavra, tive de me desdizer…
Virei-me para ele (e para ela) e disse que sim.

Sendo esta a verdade, mais pura que a água
Já não há dúvida, assim me parece
Que o caso relatado foi tratado por carta
E não como ele diz por SMS

*Baseado no poema ‘Namoro’ do poeta angolano Viriato da Cruz (1928-1973), musicado por Fausto Bordalo Dias