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Expresso

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Como muitos esperavam, o caminho de Guterres para a liderança da ONU estava destinado a embater no pior da “realpolitik”. Definiram-se regras, foram agendados debates, fizeram-se votações. Chegado o fim do processo, entra uma nova candidata, que não teve de passar por nada disto. É verdade que isto já aconteceu antes, como bem sabe Boutros Ghali, que teve de ceder o seu lugar a Koffi Annan quando o processo já estava no Conselho de Segurança. Nem a ONU é uma democracia, nem os seus procedimentos são totalmente previsíveis. Estamos no terreno da diplomacia. Mas, desta vez, houve uma promessa de transparência e as provas públicas, debates e avaliações pretendiam melhorar a desgastada imagem das Nações Unidas. O escrutínio, neste tempo de informação global, é outro. E a golpada alemã, que só será bem sucedida se contar com o apoio de americanos e russos, terá efeitos um pouco mais nefastos. Pior do que não ter regras e fingir que se tem e não as cumprir. Mas nada está perdido para Guterres: se estivesse, Georgieva não seria, em mais uma absurda originalidade política da Europa, uma comissária com licença sem vencimento

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Os transportes públicos andavam constantemente a ser degradados, não porque faltasse dinheiro ao Estado, dono das empresas de transportes, mas para serem privatizados a preço de saldo. Esta era a verdade sindical de há uns tempos. As greves sucediam-se, sempre às horas de ponta, os telejornais abriam com as pessoas a queixar-se das greves – algumas dando a razão a um lado, outras a outro

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Porque se dá aos táxis e não aos carros da Uber acesso aos corredores “bus”? Porque se exigem menos horas de formação a um condutor da Uber do que a um condutor do táxi? Porque se garantem mais benefícios fiscais aos táxis do que os carros da Uber? Porque dependem os táxis de um alvará, só podendo operar em determinada zona, e os carros da Uber não estão sujeitos a este tipo de regulação? Das duas uma: ou o Estado desregula um pouco o sector do transporte público ligeiro de passageiros ou o mantém tão regulado como estava. Não pode é liberalizar para uns e manter regulado para outros. Tem de tratar de forma igual o que é, apesar de todos os subterfúgios jurídicos, na prática, igual: as mesmas horas de formação, os mesmos impostos, os mesmos benefícios, o mesmo tratamento na cidade, os mesmos limites regulatórios. O problema é que o governo está a fazer uma lei à medida. Quer comer o bolo (legalizar a Uber como ela é) e ficar com o bolo (não mudar o essencial da regulação do táxi). De resto, assistimos ao mesmo que aconteceu ao comércio tradicional com a chegada das grandes superfícies. Por parte do Estado, o mesmo deslumbramento pacóvio que o impede de regular, sem medo, o que tem de ser regulado. De quem é ameaçado a mesma dificuldade em responder à concorrência de forma organizada e positiva