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Expresso

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    A guerra aos burquínis e as leis contra o véu exibem a incapacidade dos franceses integrarem na sua identidade nacional culturas que lhe são estranhas. Uma permanente tentativa, sempre condenada ao fracasso, de preservar uma identidade pura que exclui cada vez mais cidadãos franceses de origem estrangeira. A identidade unidimensional que a França procura para si mesma não comporta a diferença. Este é o momento em que esclareço que não estou a defender o multiculturalismo. O multiculturalismo é o falhanço da integração. E a integração é o oposto da assimilação. No meio disto está o cosmopolitismo, que partilha identidades que se contaminam. Este é o salto mais difícil de conseguir: recusar o modelo multiculturalista que transforma cada país num supermercado de culturas que coexistem mas não se tocam e o modelo da absorção, que insiste em tentar apagar a cultura de origem por decreto, julgando que por tornar invisível a realidade ela desaparece. Apesar de todos os seus fracassos, os EUA dão algumas respostas. Mas têm a seu favor a juventude. Quando se é novo a adaptação é mais fácil

  • Coluna de alterne

    Comendador Marques de Correia

    Esta coluna, sempre velando pelos interesses nacionais e até pelo que se passa noutros recônditos lugares onde o longo braço da lei custa a chegar, ficou muito impressionada com a confissão de Catarina acerca do seu arrependimento em participar na ‘geringonça’. Um arrependimento que ela compreende e combate. Foi dentro deste espírito que achei a entrevista de Catarina Martins (que não li) muito semelhante à genial obra de Eça de Queirós (que li) “O Crime do Padre Amaro”. Só isso, por razões mentais e de consciência chamo crime da irmã Catarina ao que ela faz

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    A subordinação das mulheres não resulta apenas da repressão direta dos homens. Todas as formas de machismo são transmitidas por homens e mulheres, ensinadas aos filhos e às filhas pelos pais e pelas mães, impostas pelo meio por amigos e amigas. É por isso que a ideia de que quando a polícia obriga uma mulher a tirar o burkini está apenas a garantir à mulher a sua liberdade, levando-a a fazer o que faria se o homem não a obrigasse a usar aquilo, é idiota. É provável que a maioria daquelas mulheres não queira mesmo despir-se na praia. E se sinta brutalmente humilhada por alguém a querer obrigar a tal gesto. A decisão de usar o burkini é livre? Nuns casos será mais, noutros menos. Mas em muitos será tão livre como a liberdade que pode existir quando há relações de subalternidade na sociedade. Como a ordem de um polícia ou a lei do Estado não muda nada nessas relações, a imposição de despir o burkini é apenas mais uma limitação à liberdade da mulher que se sobrepõe a outra. A ordem do polícia não é mais libertadora do que a ordem do marido. É apenas outra ordem. O papel do Estado não é forçar ninguém a ser livre, porque isso é uma contradição nos termos. É criar as condições para o exercício da liberdade. E cada norma como a aprovada contra os burkinis e entretanto suspensa em algumas localidades pelo Conselho de Estado apenas fecha as pessoas nas suas conchas, cria culturas de resistência identitária e atrasa tudo mais um bocado

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Teremos sempre um argumento a favor dos nossos amigos franceses. Afinal, eles dominaram-nos intelectualmente durante anos e, sob o ponto de vista da organização do Estado (centralista e napoleónico) têm uma influência que não fica atrás daquela que os alemães têm na jurisprudência. Pois é, somos um país influenciável (não esquecer o comércio inglês ou a banca espanhola), que no campo das ideias sociais e políticas se habituou a olhar para Paris como basbaques