O Bloco de Esquerda (BE) criticou hoje a "distribuição de cadeiras de poder" entre PS e PSD nas instituições públicas a propósito da escolha de Faria de Oliveira para a Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Em declarações à Agência Lusa, o deputado bloquista João Semedo considerou que "há uma apropriação indevida e ilegítima" do "centrão" - PS e PSD - das instituições, "trocando entre si as nomeações para cargos de elevadíssima responsabilidade".
"Não é o melhor método e critério para o desenvolvimento e a protecção do interesse público", afirmou o parlamentar do BE, considerando que Faria de Oliveira tem currículo, "experiência e percurso profissional" para exercer o cargo de presidente da CGD.
João Semedo alertou que a CGD foi "apanhada" pela crise no BCP, para onde transitará o anterior presidente da Caixa, Carlos Santos Ferreira, e que é reveladora do "estado de degenerescência e podridão a que chegou o sistema bancário" português.
A transferência de Santos Ferreira merece fortes críticas da parte dos bloquistas, que questionaram uma mudança de um presidente e parte da administração do banco do Estado para o maior banco privado e concorrente.
"Sei que [essa transferência] não está prevista na lei das incompatibilidades, mas nem tudo o que é legal pode ou deve ser feito", defendeu João Semedo.