24 de abril de 2014 às 8:49
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Blair ataca Cameron em defesa da moral britânica

Num artigo publicado no jornal 'Observer', o antigo primeiro-ministro britânico critica David Cameron sublinhando que os motins no Reino Unido não foram provocados pelo "declínio moral" mas por uma "juventude alienada". Clique para visitar o dossiê Motins em Inglaterra
"A chave é perceber que eles não representam a maioria da sociedade", escreve Blair Julian Smith/EPA "A chave é perceber que eles não representam a maioria da sociedade", escreve Blair

O antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair rejeitou hoje que os desacatos em Londres tenham sido o resultado de um declínio moral, sublinhando que falar num "país fraturado" mancharia injustamente a reputação da Grã-Bretanha.

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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu que foi o "colapso moral" que provocou os motins que se prolongaram durante quatro noites em Londres e noutras cidades britânicas.

Num artigo publicado no jornal 'Observer,' Tony Blair rejeita esta ideia, sublinhando que a violência não foi provocada pela falência social, mas por uma "juventude alienada".

"A chave é perceber que eles não representam a maioria da sociedade", escreve Blair, acrescentando que "a Grã-Bretanha enquanto um todo não está a atravessar um 'declínio moral'".

Famílias "profundamente disfuncionais"


"A verdade é que muitas destas pessoas são de famílias profundamente disfuncionais, que funcionam de forma completamente diferente do resto da sociedade, quer sejam de classe média ou pobres", defende ainda o antigo primeiro-ministro britânico.

Tony Blair alerta ainda que dizer que os britânicos estão a atravessar um declínio moral irá deprimi-los e arrasar a sua reputação internacional.

Além disso, refere ainda, e "pior que tudo, é que irá fazer com que se perca a oportunidade de lidar com o problema da única forma possível".

Tony Blair abandonou o Governo britânico em 2007 e raramente comenta a política interna.

3300 crimes investigados e 1050 acusados


A polícia de Londres anunciou hoje que estão a ser investigados 3.300 crimes na sequência dos desacatos ocorridos na capital britânica no início de agosto.

A Scotland Yard confirmou que 1800 pessoas foram detidas e 1050 foram formalmente acusadas por alegado envolvimento nos distúrbios e roubos verificados no bairro de Tottenham e que, mais tarde, se alastraram por toda a capital e outras cidades inglesas.

A maioria dos crimes que estão a ser investigados são roubos, num total de 1102, seguido de estragos em veículos (399), assim como 301 furtos e 162 incêndios.

Além disso, a polícia londrina, que reviu um total de 20 mil horas de imagens gravadas em câmaras de vigilância, concluiu em 1100 o número de cenas criminais em 22 dos 32 bairros da capital britânica que foram afetados pelos distúrbios.

Um porta-voz da Scotland Yard assegurou que trabalho de investigação prossegue de forma "muitoestreita" com as comunidades locais que têm colaborado de forma "incalculável" com a investigação.

 

Comentários 12 Comentar
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Capacidade de resposta
Parecendo pouco eficaz na repressão, há que reconhecer que a polícia britânica tem uma boa capacidade de resposta na investigação e apresentação dos arruaceiros aos juízes.

Isso é fundamental no controle de futuras tentações.

Notar também a grande ajuda das câmaras de vigilância, que provaram a sua utilidade.
Deixemo-nos de protecção de intimidades, quando a segurança pública está em jogo.
Re: Capacidade de resposta Ver comentário
Blair foi uma das causas
Foi Blair, e não Cameron... que errou politicamente, ao conceder todo o tipo de apoios do estado às tais famílias disfuncionais... mas que funcionam muito bem pois não precisam de trabalhar para ter um ganha-pão... Sócrates promoveu o mesmo, com enorme êxito no nosso país.
Bem visto! Ver comentário
Dois do mesmo saco,
dignos representantes de uma Inglaterra subalterna, que funciona como zeladora dos interesses ianques numa Europa de calça curta, sem poderio e vivendo de pequenas bravatas, sob o olhar de soslaio do verdadeiro patrão, montado nas suas bases e com o relho oculto nas costas, pronto para chibatar ao primeiro olhar altivo. As guerras travadas em nome da democracia, subtraíram por completo o interesse nacional e, por isso, grande parte do povo de poucos recursos está perdido e não vê futuro para si e, deste modo, se rebela sob qualquer bandeira, para demonstrar o asco que sente pelo abandono. Não é tão simples como se possa imaginar, é a verdade e os dois tolos encenam um diálogo de esperteza, com proveito político para os grupos que representam. Rio Grande
'Blair ataca Cameron em defesa da moral britânica
Temos que reconhecer que Blair sabe escolher as palavras. O termo "juventude alienada" descreve muito melhor o que se passou do que "declínio moral". O primeiro termo não desresponsabiliza a juventude que participou nos motins, mas tem implícito também uma acusação às autoridades como Cameron que assistiram a essa alienação sem nada fazer. De facto, Cameron vai tentar usar essa cartada, a de que tendo tido a obrigação de cortar nos gastos, esperava que os seus cidadãos compreendessem e estivessem à altura. Senão estiveram é porque a Gra-Bretanha está afectada por um declínio moral. O problema é, que moral é suposto ter um menino de 10 anos quando participa nos distúrbios?

Blair foi hábil na escolha das suas palavras.
Quando David Cameron partia vitrinas
Numa cidade inglesa um bando de jovens parte uma vitrina, foge na noite e dirige-se a correr para o jardim botânico. A polícia segue-os, apanha alguns com seus telemóveis e põe-nos no calabouço.

O problema é que não se trata de um episódio ocorrido nestes dias. E que os jovens detidos não são desordeiros sub-proletários. Não, o episódio verificou-se há 24 anos em Oxford e os 10 jovens eram todos membros do Bullington Club, uma associação estudantil oxfordiana com 150 anos de idade, famosa pelas suas travessuras estudantis, suas bebedeiras e por considerar a vandalização de lojas e restaurantes como a melhor das distracções. Os problemas com donos de restaurantes, comerciantes e de denúncias à polícia são resolvidos com algumas indemnizações generosas vindas das gordas carteiras paternais. Algumas horas antes, os dez bravos jovens fizeram-se retratar nos degraus de uma grande escada, todos em uniforme do clube, roupa de recepção a 1000 libras esterlinas (1150 euros) cada uma. Dentre eles destaca-se um jovem David Cameron e um, também imberbe, Boris Johnson.

http://resistir.info/gb/d...

É ESTA A FAMÍLIA POLITICA DE PASSOS COELHO!

PIOR QUE OS ALI BABA, PASSOS COELHO E CAMERON ROUBAM AO POVO!
Re: Quando David Cameron partia vitrinas Ver comentário
A receita normal
Tony Blair, utiliza a tradicional roupa de politico reformado, ou seja, sabem exactamente onde actuar para ultrapassar os problemas existentes.
O ridiculo da situação, é que quando ocuparam o poder, não efectuaram medidas que prevenissem a situação.
É como por este sítio, todos (Miguel Beleza, Catroga, Pina Moura, Bagão Félix entre outros) sabiam o que fazer para inverter a crise portuguesa, mas quando lá estiveram o que foi que fizeram para previnir a situação?
Juventude alienada ...?
Pois, também será ! O pior é a falta de vergonha destes cavalheiros que sabem tudo e podem tudo... e quando lá estão NADA FAZEM ! A Juventude está alienada, não está, senhor Blair ? e o que o senhor fez foi ajudar à alienação da juventude e de muita idade adulta !!!
Diz o roto ao nu...
Foi este moralista que ajudou o ocidente a ir para o Iraque.
Estes motins é o inicio de um novo tempo
Blair é a imagem frustrada e falida das politicas de integração social das tais famílias disfuncionais. Pagamos para não tropeçarmos neles. O resultado não poderia ser outro.
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