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Biosurfit faz análises rápidas

Ao fim de quase 7 anos de investigação e desenvolvimento, a startup de João Fonseca apresenta ao mercado o seu primeiro teste de análises clínicas, que dá resultados em 15 minutos.
Maria Martins
Biosurfit faz análises rápidas José Ventura

A proposta da Biosurfit é simples - desenvolver testes rápidos ao sangue, que podem ser feitos durante a consulta médica e mostrar resultados em apenas 15 minutos -, mas executá-la não tem sido fácil. A empresa foi criada em 2006 por João Fonseca, engenheiro químico, com um doutoramento em Ciências dos Materiais, e só agora os seus produtos chegam ao mercado. Pelo meio, há muito trabalho de Investigação & Desenvolvimento, 15 patentes e mais de 5,5 milhões de euros de investimento.

A ideia surgiu na sequência de um projeto de I&D liderado por João Fonseca, que decidiu depois aproveitar esse conhecimento no diagnóstico médico junto do paciente. "No início pensava que 80% da tecnologia estava sólida para se converter em produtos, mas hoje vejo que só 20% estava assegurada", confessa. Entretanto, foi necessário completar muitos outros aspectos tecnológicos até chegar ao spinit®, o produto que a Biosurfit apresenta hoje. O que não mudou nestes quase 7 anos foi a visão que levou João Fonseca a criar a empresa, e que passa por assegurar no futuro até 80% da procura de diferentes análises, com os testes descartáveis e rápidos desenvolvidos pela Biosurfit.

Uma equipa motivada e um projeto global


João Fonseca leva quase 12 anos como empreendedor e quando criou a Biosurfit já tinha aprendido algumas lições com as experiências anteriores. Uma delas era não se lançar num projeto desta envergadura sozinho. Por isso, foi buscar à universidade Nuno Reis - que é hoje o director de operações - e, mais tarde, Daniel Neves, que veio complementar a equipa com os seus conhecimentos de gestão, vendas e marketing. Para o CEO da Biosurfit é fundamental "juntar uma equipa de pessoas que vejam o projeto como delas e se empenhem totalmente" e é isso que tem procurado fazer. A Biosurfit começou com 6 pessoas, chegou a ter 22, mas hoje "somos 15 pessoas, altamente motivadas e com capacidade para fazer I&D de top mundial em diagnóstico médico, e com conhecimento da indústria e do mercado e capacidade para iniciar a comercialização do spinit® em diferentes mercados".

Neste momento, a Biosurfit está a lançar o seu primeiro produto, um teste descartável que permite identificar a origem de infecções (viral e bacteriana), e tem em fase de conclusão o segundo teste descartável, o hemograma - o teste de sangue mais utilizado -, que deverá entrar no mercado em 2013. Até chegar aqui foram necessários 7 anos de investigação e mais de 5,5 milhões de euros, conseguidos através do programa QREN e dos seus accionistas, entre os quais se incluem vários investidores de capital de risco nacionais, públicos e privados - InovCapital, PME Investimentos, Caixa Capital e Beta Capital.

"A principal dificuldade do nosso projeto prende-se com a complexidade em trazer uma tecnologia completamente nova, com processos produtivos novos, num sector altamente regulamentado como a saúde", explica João Fonseca, adiantando que na área em que a Biosurfit atua, os investimentos típicos até ao início das vendas rondam os 25 milhões de euros e a investigação demora, geralmente, entre 7 e 14 anos.

Os clientes da startup tecnológica são os médicos, "em todo o mundo". As vendas dos produtos spinit® serão asseguradas por distribuidores, mas sempre com o envolvimento dos responsáveis da empresa. "É essencial escutarmos os utilizadores e clientes para podermos melhorar a nossa oferta e compreender o que o mercado realmente quer", esclarece o CEO da Biosurfit, que já recebeu vários prémios  - o de Jovem Empreendedor da ANJE e, mais recentemente, o de "Best Innovation Award", no Biz Barcelona, uma das maiores feiras de empreendedorismo do mundo.

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Uma boa notícia
Parabéns à equipa...
Precisamos de muitas destas para sair da crise em que estamos.