O BIC poderá integrar até 1200 trabalhadores do BPN, considerou hoje o presidente do Sindicato dos Bancários Sul e Ilhas, que está a negociar o acordo de empresa do banco nacionalizado com o Governo, essencial para ser concluída a compra da instituição.
"Com a dimensão nacional e a abrangência que o BIC pretende ter, deverá precisar de 1.000 a 1.200 trabalhadores", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, Rui Riso.
Segundo o dirigente sindical, tendo em conta que ficou acordado que o BIC vai manter 160 agências, além de que este poderá diversificar a sua atividade (para o negócios dos cartões, por exemplo, que tem elevada rendibilidade), há a expectativa que "os números de trabalhadores sejam superados de forma significativa".
De acordo com o protocolo acordado entre o BIC e o Governo, o banco luso-angolano tem de ficar, no mínimo, com 750 trabalhadores do BPN.
O presidente do Banco BIC, Mira Amaral, disse na quarta-feira à Lusa que o banco deverá ficar com mais do que 750 trabalhadores do BPN, mas avisou que a decisão só será tomada no final do ano.
Mira Amaral não avança números
"Já fizemos uma análise dos serviços centrais. Quando tomarmos conta do banco havemos de fazer uma análise das agências e centros de empresa e só depois disso, no fim do ano, podemos dizer com quantos trabalhadores iremos ficar", acrescentou Mira Amaral, garantindo que não lhe seria "arrancado" qualquer número.
Dos trabalhadores com que o BIC ficar, vai depender também aqueles que serão integrados nas sociedades veículo que receberam os ativos problemáticos do BPN.
O Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas está também neste momento a negociar com o Ministério das Finanças alterações ao Acordo de Empresa do BPN, um ponto que ficou definido no acordo com o Governo como essencial para a concretização do negócio, que deverá ficar fechado até 15 de fevereiro.
"Está no acordo com o Governo que só tomamos conta do BPN se tiver o mesmo Acordo de Empresa do Banco BIC, não quero ter dois instrumentos de contratação coletiva, daria uma grande confusão", disse também na quarta-feira à Lusa o presidente do BIC, Mira Amaral.
Depois da reunião esta semana com a Secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, Rui Riso disse que está tudo encaminhado para fazer alterações, sobretudo em questões que dizem respeito à Segurança Social, que são "áreas mais sensíveis", mas alertou que em próximos acordos o Governo deve chamar os sindicatos com mais tempo.
Processo é "urgente"
"Este processo é urgente e vamos negociá-lo nos próximos dias. Pretendemos fazer ajustes ao Acordo de Empresa do BIC e fazer com que empresas veículos adiram ao Acordo Coletivo de Trabalho do setor bancário para garantir os direitos dos trabalhadores", afirmou Rui Riso à Lusa.
O acordo para a compra do BPN pelo Banco BIC foi assinado a 9 de dezembro pelo Ministério das Finanças, tendo o banco de capitais luso-angolanos pagado 10 milhões de euros pela operação, o equivalente a 25 por cento do valor total do negócio.
O Banco BIC pagará mais do que o preço acordado pelo BPN (40 milhões de euros) se ao fim de cinco anos os lucros acumulados excederem 60 milhões de euros.
Quanto ao aumento de capital que o Governo vai fazer no BPN, este deve ascender os 600 milhões de euros, acima dos 500 milhões de euros previstos, de acordo com um documento do Governo a que a agência Lusa teve acesso.
Este aumento de capital deverá ser feito até 15 de fevereiro.
Mira Amaral já anunciou que depois de o negócio estar concluído "a marca BPN vai desaparecer".