A Grécia, a Itália e as divergências internas no Banco Central Europeu acabaram por ficar em segundo plano. Os Estados Unidos subiram à ribalta durante a tarde e noite de quarta-feira.
O final da reunião da Reserva Federal (banco central norte-americano), presidida por Ben Bernanke, e a decisão da agência de notação Moody's (dominada pelo grupo de Warren Buffett) de cortar o rating da dívida de longo prazo do Bank of America e do Wells Fargo e de baixar a notação da dívida de curto prazo do Citigroup provocaram um choque em Wall Street nas últimas horas de negociação.
Os índices bolsistas tiveram um míni-crash. O Dow Jones desceu 2,49% e o S&P 500 baixou 2,94%. Na Times Square, o Nasdaq quebrou 2%.
A descida em Wall Street acabou por influenciar o balanço global nas bolsas mundiais, face a situações "mistas" (com índices no vermelho e outros no verde) na Ásia e na Europa. No entanto, alguns índices europeus e asiáticos já apontavam para o vermelho como cor dominante na quarta-feira. O MSCI Asia Apex 50 caiu 0,33% e, na Europa, o sentimento negativo foi mais forte - o Euro Stoxx 50 baixou 1,96% e o Bloomberg Europe 500 desceu 1,69%.
O índice global de bolsas, o MSCI AC World Index caiu 2%. O sector financeiro à escala mundial sofreu mais - o MSCI AC World Index Financials baixou 2,448%.
Verdades duras cada vez mais claras
Os investidores envolvidos nos mercados financeiros norte-americanos constataram hoje três factos:
- A Moody's procedeu aos cortes das notações de três grandes de Wall Street, porque considera que não vai haver mais margem de manobra nos EUA para resgates de grandes bancos - os tais "demasiado grandes para falir" (TBTF, no acrónimo em inglês), que foram salvos aquando do início da crise financeira em 2008, têm hoje menos probabilidade de que isso aconteça. A era dos grandes resgates não se repetirá, sentenciou a agência de notação;
- A Reserva Federal (Fed) desapontou muita gente que esperava algo mais do que uma "operação twist" de venda de títulos do Tesouro de curto prazo, a 3 anos ou menos, para a compra de títulos do Tesouro de longo prazo, com maturidades entre 6 a 30 anos, uma operação que deverá desenrolar-se até final de junho de 2012, num montante de 400 mil milhões de dólares; um balde de agua fria nos investidores que esperaram, até ao último minuto, um terceiro programa de "alívio quantitativo" (quantitative easing, em inglês, QE no acrónimo), ainda que o banco central vá tentar replicar alguns dos efeitos do QE no plano de reciclagem de dívidas hipotecárias que, também, anunciou; esta operação em duas frentes já foi baptizada pelo Financial Times como double-twist;
- A Fed confirmou as verdades duras sobre a conjuntura económica e financeira norte-americana que já o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) desta semana sublinhava. O economista-chefe do FMI falou de 38% de probabilidade da economia norte-americana entrar em recessão e o relatório sublinhava que aumentaram bruscamente as tensões nos mercados globais financeiros. A Fed, com outra linguagem, disse o mesmo no seu comunicado.