O filme "Adeus à Rainha" do cineasta francês Benoît Jacquod abre hoje o Festival de Cinema de Berlim, onde retorna o cinema português depois de doze anos de ausência, concorrendo com outras 16 fitas pela conquista do Urso de Ouro ou de Prata. O filme nacional é "Tabu", de Miguel Gomes, produzido pela Som e Fúria com apoio dos brasileiros da Gullane.
A decisão dos prémios ficará a cargo do júri presidido pelo respeitado diretor inglês Mike Leigh e do qual fazem parte, entre os oito jurados, a atriz francesa Charlotte Gainsbourg, o cineasta francês François Ozon e o iraniano Asghar Farbadi, Urso de Ouro no ano passado com o filme "A Separação", favorito para o Óscar de melhor filme estrangeiro.
A abertura do festival com a vida faustosa da rainha Maria Antonieta na corte francesa, interrompida pelo rebentar da Revolução Francesa, é uma referência às revoluções e perturbações iniciadas com a Primavera Árabe e que prossegue na Síria depois de ter abrasado parte do Magreb. Numerosos filmes de ficção e documentários mostram a rebelião no mundo árabe, seguidos de debates sobre seu significado e futuro.
Frio no exterior, calor nas salas
Essa preocupação política do Festival será contrabalançada com a passagem dos astros e estrelas pela passarela vermelha em direção à Berlinale, diante dos corajosos admiradores que, este ano, enfrentarão uma rigorosa temperatura por volta de dez graus abaixo de zero. Será a oportunidade de se ver Angelina Jolie, não como atriz mas como diretora do filme "Na Terra do Sangue e Mel" e a consagrada atriz Meryl Streep transformada em Margareth Thatcher, no filme "A Dama de Ferro".
Outros mais friorentos preferirão entrar logo no calor das salas de projeção para ver o último filme de Stephen Daldry (Billy Elliot), "Extremely Loud and Incredibly Close", com atores como Tom Hanks, Max von Sydow e Sandra Bullock. Ou para saber do que trata "Haywire", novo filme de Steven Soderbergh ("Sexo, Mentiras e Video") com Gina Carano e Antonio Banderas. Ou ainda os italianos irmãos Taviani com "Cesare Deve Morire" e o chinês ZhangYimou com "As Flores da Guerra".
O Senegal, vivendo nestes dias um clima de revolta, está no filme "Hoje", do francês Alan Gomis. Outro país africano nas telas é Moçambique da época da colonização, no filme português de Miguel Gomes, "Tabu".
A lusofonia está presente na mostra Panorama com dois filmes brasileiros - "Xingu", de Cao Hamburguer, e "Olhe Para Mim de Novo", de Kiko Goifman e Cláudia Priscila. Há igualmente duas curtas-metragens lusófonas - "Rafa", do cineasta português João Salavize, e "Licuri Surf", do brasileiro Guile Martins.