Bento: "Queremos jogar com velocidade mas nunca à pressa"
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"Graças a Deus", Bento é um afortunado. "Tenho muitos talentos ao meu dispor. Uma vez uma pessoa disse-me que o talento cansava. Portanto, tento não cansá-los com muita informação, porque não precisam. Tento que as palestras sejam curtas e as informações sucintas."
A seleção está moralizada, com os níveis "emocionais altíssimos" por ter passado o grupo da morte e por "ter jogado como jogou contra a Alemanha, Dinamarca e Holanda." Mas ainda assim, esta seleção não é favorita, diz Bento. "Temos 50% de hipóteses mas queremos ser mais fortes nesses 50% do que os outros."
Estrategicamente, Portugal não se desviará um milímetro da sua rota. Fará, aqui e ali, alguns ajustes em função da presença (ou ausência) de Rosicky. "Tentaremos jogar com velocidade mas nunca à pressa."
Ronaldo, os árbitros, as duas orelhas, a boca e a comunicação social
O tema Ronaldo já é um clássico nas conferências de imprensa. Os jornalistas estrangeiros querem saber o que ele faz, como faz, se é o melhor (e porque acham que é o melhor) e que instruções lhe dão. E se ele não está, perguntam a quem está. Por exemplo, a Bento, questionaram se Ronaldo estaria incomodado com as declarações de Sandro Rossell, presidente do Barcelona, que disse o seguinte: "Ronaldo é o 12.º melhor do mundo, a seguir a todos os jogadores do Barcelona." A resposta de Bento foi também clássica: "Todos temos um momento para dizer coisas que não devemos dizer. Hoje, tocou ao presidente do Barcelona."
A Portugal tocou o árbitro Howard Webb para o jogo de amanhã. À luz das declarações de Platini, que disse querer ver Alemanha e Espanha na final, e do desaire de arbitragem no Ucrânia-Inglaterra de ontem, perguntaram a Bento se receava que isso pudesse influenciar Webb. "Não. Temos um árbitro fantástico, que teve uma arbitragem extraordinária quando jogámos na Bósnia. Também me recordo de um Fiorentina-Sporting em que ele esteve muito bem." Portanto, sem medos.
Depois, recordaram a Bento o que ele tinha dito na conferência de imprensa após a vitória frente à Holanda - a história das facas afiadas e dos portugueses com cachecóis checos. O seleccionador reagiu: "Eu disse mais do que isso mas só pegaram naquilo que interessou." Ponhamos tudo desta vez? Ok. "Eu também disse que a grande maioria estava com Portugal. Nós também temos direitos. Há direitos e deveres daí (jornalistas) e daqui (seleção). Todos temos duas orelhas e uma boca para ouvir e falar. E, sinceramente, não vamos dar a outra face - não faz parte de mim. Não dou sempre a outra face e quando tenho razão, não vou dar a face. Eu defendo os meus jogadores até ao fim e quando não os puder defender mais, pego no trolley e vou-me embora."


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