As vítimas dos padres belgas acusados de pedofilia, meio milhar de acordo com o relatório conhecido sexta-feira, pediram indemnizações à Igreja Católica.
O advogado de 30 das vítimas, Walter Van Steenbrugge, declarou que os seus clientes procuram justiça pela via civil dado que a maioria dos delitos prescreveram uma vez que os factos aconteceram nos anos 60, 70 e 80.
"As vítimas têm direito ao reconhecimento (dos crimes) e a serem compensadas", disse o advogado ao canal belga RTBF.
Conclusões da investigação
Na passada sexta-feira foram apresentadas as conclusões da comissão que investigou os abusos sexuais no seio da Igreja belga, dirigida pelo pedopsiquiatra Peter Andriassen, revelando que 475 crianças sofreram abusos e 13 dessas se suicidaram.
Ao longo de 200 páginas sucedem-se testemunhos de antigos alunos internados em colégios religiosos que foram vítimas de abusos e que denunciaram uma lei de silêncio na cúpula da hierarquia eclesiástica, que conheceria os casos.
Dois dias depois da apresentação das conclusões, o cardeal belga Godfried Danneels disse sentir-se "chocado" com o acontecido, numa das poucas reações da Igreja belga.
"O caso Dutroux da Igreja"
A dimensão dos abusos levou mesmo Andriassen a afirmar que este é "o caso Dutroux da Igreja", em referência ao assassino e pedófilo belga Marc Dutroux.
No sábado foi conhecido que o antigo bispo da cidade belga de Bruges, Roger Vangheluwe, pediu a reforma da sua antiga diocese.
Vangheluwe foi o primeiro religioso a ser demitido do cargo na sequência do escândalo de pedofilia, depois de ter sido conhecido que abusou de crianças na sequência do escândalo que desde novembro de 2009 abalou a Igreja Católica belga.
Num comunicado, o antigo bispo, de 73 anos, afirmou que está a deixar a comunidade de Westvleteren, onde encontrou refúgio nos últimos meses, para se retirar para "outro lugar, fora da diocese de Bruges".
O antigo bispo de Bruges exprimiu novamente o seu arrependimento e pediu desculpas à sua vítima e à família. "A minha tristeza tem aumentado desde que vi o mal causado pelos seus atos", afirmou.