O BE anunciou hoje que vai votar contra a segunda alteração orçamental proposta pelo Governo, considerando que esta medida demonstra falta de "competência" do executivo e revela que "havia contas escondidas durante a campanha eleitoral".
Falando aos jornalistas no Parlamento, o líder parlamentar bloquista, José Manuel Pureza, considerou que esta alteração ao Orçamento para 2009 é a confirmação "de um endividamento líquido a aumentar muitíssimo, em valores que são astronómicos" e que não irá servir para o Governo socialista "honrar os seus compromissos ".
"Nada deste endividamento acrescido serve para pagar salários, pensões ou para honrar esse tipo de compromissos com os cidadãos, logo, da nossa parte não pode haver senão um voto crítico e esse voto é um voto negativo", declarou Pureza. "É um voto contra", vincou.
Bloco fala em contas escondidas
Para o deputado do BE, esta alteração "é a demonstração de que durante a campanha eleitoral havia contas escondidas".
Questionado sobre se este voto contra põe em causa a estabilidade governativa, José Manuel Pureza defendeu que "se há ingovernabilidade, ela é exactamente o que está espelhado neste orçamento rectificativo".
"As contas que aqui estão a ser postas em público são a mostra de que não houve, até agora, da parte do Governo uma realização que seja competente e a isso chama-se ingovernabilidade, portanto não se faça a inversão do ónus da prova, que agora existe muito na linguagem da Assembleia da República", referiu.
"Passar para a oposição a responsabilidade pela ingovernabilidade do país é errado, porque é mistificar o essencial e o essencial é que, como mostra este orçamento rectificativo, houve uma efectiva irresponsabilidade por parte do Governo", concluiu.