As recentes inspeções feitas pela troika às contas dos bancos portugueses confirmam que os números apresentados estão em conformidade com a realidade, com um pequeno desvio de três para mil, revelou hoje o governador do Banco de Portugal (BdP).
Segundo Carlos Costa, as avaliações da troika mostram que as contas registadas pelos bancos portugueses são fiáveis, já que há apenas uma diferença de "três para mil" nos números apresentados pelas instituições e os apurados pelos avaliadores.
Na prática, isto significa que em cada mil euros, só há um desvio de três euros.
"Os testes feitos aos bancos no quadro da assistência financeira a Portugal demonstram que estes tinham a sua contabilidade correspondente ao quadro patrimonial", disse aos jornalistas, à margem de um evento em Lisboa.
Bancos estão melhor preparados
E, de acordo com o governador, "está agora em curso a segunda fase do processo de inspeção aos bancos para avaliar a sua resiliência face a uma degradação da conjuntura", mas, adiantou, "os bancos estão melhor preparados atualmente para um ambiente desfavorável".
Daí, Carlos Costa ter realçado que os prejuízos da banca portuguesa relativos a 2011 resultam de fatores não recorrentes, e que as medidas que têm vindo a ser tomadas no sector tornam os bancos nacionais mais sólidos do que eram antes da crise.
"A banca está agora mais capitalizada, mais transparente e menos alavancada do que há um ano", o que demonstra o compromisso com o programa de assistência financeira internacional, defendeu o governador.
Linha de €12 mil milhões
No âmbito do pacote de ajuda financeira a Portugal, foi criada uma linha de 12 mil milhões de euros, destinada à recapitalização dos bancos portugueses que necessitem de recorrer a este mecanismo de forma a reforçarem os seus rácios de capital para os níveis exigidos pelas autoridades.
Os bancos têm evitado recorrer a esta linha de apoio estatal, que Carlos Costa apelida de "última linha de defesa" para a banca portuguesa.