O Presidente da República, Cavaco Silva afirmou hoje que a constituição como arguido do ex-homem forte do BCP, Jardim Gonçalves, fez mais uma vez vir "ao de cima" os "dois princípios fundamentais" da transparência e de valores éticos.
"Mais uma vez vêm ao de cima os dois princípios fundamentais que foram violados nesta crise e que agora devem ser repostos: a transparência e os princípios, os valores éticos", afirmou Cavaco Silva quando questionado sobre se temia que este caso afecte a credibilidade do sistema financeiro.
Falando à margem de uma visita ao AvePark, nas Caldas das Taipas (Guimarães), o Presidente da República considerou que "a banca é muito importante" e que "não há crescimento económico sem estabilidade do sistema financeiro".
Recordando as decisões tomadas pelo G20 e pela União Europeia para combate à crise, o Chefe de Estado afirmou que "nada deve ser feito que possa impedir este conjunto de medidas que têm vindo a ser anunciadas internacionalmente para estabilizar o sistema financeiro".
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou hoje que o Ministério Público acusou cinco ex-administradores do Millemium-BCP por manipulação de mercado, falsificação de documento e burla qualificada, em co-autoria.
Segundo o site do Expresso, os acusados são Jorge Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal (ex-presidentes executivos), António Castro Henriques, Christopher de Beck e António Rodrigues.
Numa nota enviada à comunicação social, a PGR explica que os factos em causa foram praticados no período compreendido entre 1999 e 2007 e que dizem respeito à utilização de veículos 'off shore', detidos pelo banco de modo a influenciar os valores de mercado e o rating dos títulos BCP no mercado de valores.