Os ministros das Finanças da União Europeia confirmaram hoje, em Bruxelas, a designação de
Vítor Constâncio
para a vice-presidência do BCE, vista como essencial para o sucesso de uma futura presidência alemã da instituição.
O nome "recomendado" terá ainda de receber um "parecer" não vinculativo do Parlamento Europeu, antes de ser formalmente aprovado pelos chefes de Estado e de Governo reunidos em Bruxelas a 25 e 26 de março próximo.
A decisão é vista em Bruxelas como a abertura da porta para que o atual presidente do banco central alemão, Axel Weber, substitua o presidente francês do BCE, Jean-Claude Trichet, em 2011.
O presidente do Eurogrupo e primeiro ministro do Luxemburgo sugeriu segunda feira que Vítor Constâncio acabou por ser o escolhido para a vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE) por razões de equilíbrio geográfico que convêm à Alemanha.
"Penso que certos Estados-membros tinham em ideia outra designação para além daquela em que votaram esta noite", disse Jean-Claude Juncker, no final da reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, numa alusão à possibilidade de a Alemanha ter apoiado Constâncio por motivos estratégicos.
Alemanha apadrinhou nomeação de Constâncio
A indicação de Vítor Constâncio para o cargo foi considerada praticamente como certa a partir do momento em que, na semana passada, recebeu o apoio da Alemanha.
Para aumentar as probabilidades de que o seu candidato seja o escolhido, Berlim sabia que seria melhor apoiar um pretendente do Sul da Europa, por razões de equilíbrio geográfico, preferindo então um português para a vice-presidência em vez de um dos outros dois candidatos ao lugar, um luxemburguês e um belga.
Jogo político sob a mesa
A especulação sobre este jogo político também foi alimentada pelo ministro das Finanças da Bélgica, o outro país com um candidato perdedor que concorreu contra Constâncio.
Didier Renders disse à agência de notícias belga ter "constatado um acordo entre vários grandes países" para apoiar o candidato português.
"Lamento que muitas vezes seja este tipo de coisas que domina as discussões" e "deveria ter havido um debate sobre a qualidade das pessoas", declarou Renders.
"Não penso que se trate de um mau candidato", disse Didier Renders em relação a Vítor Constâncio, acrescentando em seguida que o candidato belga "era melhor".
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
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