Em 1990, o piloto Rafael Benjamín Pabón, então com 27 anos, morreu num acidente. O seu avião, um cargueiro, embateu com a Huayana Potosí
, uma montanha com mais de seis quilómetros de altitude na região de la Paz, Bolívia. O seu corpo, porém, nunca foi encontrado até que..., no passado mês de novembro, foi descoberto, congelado, por um alpinista.
Pabón foi encontrado sentado no banco do avião, ainda com o cinto de segurança e o aspecto de quem estava a passar pelas brasas..., o cabelo preto a pender sobre os ombros. O alpinista Eulalio González, que esbarrou com ele e decidiu carregar o corpo mumificado de Pabón montanha abaixo, ainda não se recuperou do susto. A mãe do piloto vai, finalmente, fazer o luto.
Uma reportagem do jornal "The New York Times" diz que o caso de Pabón não é assim tão raro quanto isso, e são, aliás, cada vez mais frequentes. Histórias semelhantes têm surgido à medida que o aquecimento global contribui para derreter a neve. Os cientistas estão deslumbrados com o estado de preservação dos corpos congelados.
Menina inca congelada há 500 anos
No Verão quente de 1997, o calor já havia descoberto o corpo do copiloto de Pabón, vítima do mesmo acidente. Mas o do terceiro membro da tripulação, o mecânico Walter Flores, ainda não foi encontrado.
O corpo de uma menina inca com os seus cabelos pretos encorridos, sentada e como se estivesse a dormir, pode ser visto num museu argentino. É das descobertas mais surpreendentes dos últimos anos. Além dela, morta há 500 anos e encontrada perfeita no monte do vulcão Llullaillaco
, foram encontradas duas outras crianças incas mumificadas nas montanhas da Argentina, perto da fronteira com o Chile.
Outra das descobertas mais interessantes foi a do homem com 550 anos, que tinha morrido soterrado pela neve na British Columbia
, Canadá, cujo corpo foi encontrado por caçadores.
Há cinco anos, o derretimento da neve permitiu serem descobertos os corpos bem preservados de três soldados austríacos que morreram a lutar nos Alpes italianos
, durante a I Guerra Mundial.
Outro corpo encontrado em perfeitas condições foi o do piloto Leo Mustone, da Força Aérea norte-americana, então com 22 anos, que morreu em 1942 enquanto treinava para participar da II Guerra Mundial. O seu avião embateu com uma montanha da Sierra Nevada
, Califórnia. O militar ficou 63 anos congelado, tendo sido sepultado em 2006, em Minnesota, EUA, onde nasceu.
"Geleiras estão a derreter como nunca"
Além do corpo do piloto Pabón, foram também desenterrados pedaços do seu avião.
Continua, porém o mistério que envolveu o acidente com o Boeing 727, operado pela empresa Eastern Air Lines, que caiu na Bolívia em janeiro de 1985 pouco depois de decolar. Em 2006, uma equipa de alpinistas redescobriu destroços do avião no monte Illimani
, segundo ponto mais alto do país, onde se deu o acidente. Até aqui, nenhum dos corpos dos 29 passageiros foi encontrado, assim como a caixa preta.
Segundo o alpinista que encontrou parte da fuselagem do Boeing, fotografias e roupas de crianças, "os corpos e a caixa preta ainda estão noutro lugar". Para Roberto Gómez, "é uma questão de tempo (encontrar os corpos mumificados). As geleiras estão a derreter como nunca".