25 de maio de 2013 às 2:33
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Banco Central Europeu prepara medidas de intervenção

O conselho de governadores do Banco Central Europeu decidiu "desenhar modalidades de medidas não convencionais nas próximas semanas" para inverter o disparo no prémio de risco de algumas dívidas soberenas. Mas tirou o tapete, no imediato, a Mariano Rajoy e Mário Monti.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A "fragmentação" do mercado da dívida soberana e o disparo de "altos prémios de risco em várias dívidas soberanas" têm de ser invertidas pois é uma situação inaceitável, disse, com ênfase, Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE) na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do conselho de governadores do banco.

Para inverter esta situação, o conselho de governadores decidiu "desenhar nas próximas semanas as modalidades apropriadas" para as medidas [não convencionais] de política monetária que poderão vir a ser tomadas (sublinhou o termo "poderão"), já que decidiu não mexer, por ora, em instrumentos convencionais como as taxas de referência e a taxa de depósitos. O presidente do BCE não pretendeu ser específico sobre o que se vai "desenhar" como "modalidades apropriadas" para tais medidas.

Draghi repetiu, na conferência de imprensa, que os sintomas de fragmentação dos mercados financeiros na zona euro são evidentes e que essa é a principal preocupação do BCE, o problema que "temos de reparar, que temos de mudar". 

E colocou ênfase dizendo que "o euro é irreversível". Chegou mesmo a dizer, em resposta a uma pergunta, irónica, sobre o que ele entendia exatamente por essa frase, que os que estão a apostar no desaparecimento do euro não o conseguirão. "É inútil apostar contra o euro. O euro está para ficar", frisou.

Condições para reativar o SMP


Mário Draghi introduziu, desta vez, uma novidade. Definiu uma "condicionalidade" própria que não existia anteriormente no programa de compra de títulos soberanos no mercado secundário (conhecido por SMP, no acrónimo em inglês).

O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira em vigor e o futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade deverão ser usados prioritariamente a pedido dos países que o necessitem.

Draghi deu a entender que os países em situação de stresse nos mercados da dívida - e que não estão "intervencionados" pela troika - deverão primeiro recorrer àqueles veículos financeiros, e sujeitar-se às condições que forem definidas. Só, depois, o BCE poderá atuar no mercado secundário através do programa SMP de compras de títulos, e se o fizer será nos prazos curtos da dívida.

Ou seja, o programa SMP tem estado em "hibernação" desde março e só regressa à acção se os países que necessitem de tal intervenção tiverem, primeiro, recorrido aos veículos financeiros de resgate da União Europeia. As exigências para a ajuda que forem definidas por aqueles veículos financeiros de resgate "são condição necessária para que o BCE possa intervir". Esta mudança nas regras do jogo do SMP pode ter sido o compromisso entre Mário Draghi e Jens Weidemann, governador do Bundesbank (banco central alemão), que, como o próprio Draghi referiu na conferência de imprensa, "é claro e é sabido que o senhor Weidemann e o Bundesbank têm reservas sobre o programa de compra de títulos".

O recado ficou dado a Espanha e Itália, cujos primeiro-ministros reuniam, em Madrid, à mesma hora da conferência de imprensa de Draghi. Hora e meia depois surgiram a público na Moncloa, sede do governo espanhol. Mário Monti, presidente do conselho de ministros italiano, não descartou o recurso aos fundos de resgate se os níveis de financiamento da dívida persistirem em níveis altos. Por seu lado, Mariano Rajoy, presidente do governo espanhol, recusou-se a responder nas três vezes que foi questionado para se pronunciar sobre as condições colocadas por Draghi.

Contudo, o BCE, dentro da sua independência, poderá, também, atuar nos mercados de capitais "com uma dimensão adequada". Mário Draghi garantiu que o BCE irá discutir um outro assunto - que é crítico para os investidores privados - relacionado com o estatuto de credores preferenciais de que gozam os credores "oficiais"  (como são o BCE e os bancos centrais do sistema do euro) em caso de incumprimento soberano. Ou seja, piscou o olho aos investidores privados, admitindo que, no futuro, poderá renunciar a esse estatuto preferencial, colocando-se em pé de igualdade com os credores privados em caso de default de uma dívida soberana.

Reação negativa dos mercados de capitais


A primeira reação dos mercados financeiros foi negativa. A bolsa em Madrid afundou-se, com o índice Ibex 35 a cair 4,82% e em Milão o índice MIB caía 2,33%.

No mercado da dívida, as yields das obrigações espanholas (OE) e dos títulos italianos (BTP) inverteram a tendência de baixa e dispararam. As yields das OE no prazo a 10 anos subiram de 6,65%, aquando da publicação do comunicado da reunião do BCE, para 6,8%, durante a conferência de imprensa. No caso dos BTP no mesmo prazo, subiram de 5,88% para 6,15%, no mesmo período.

Comentários 19 Comentar
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Draghi e Monti ao ataque!
É assim mesmo,para mostrar quem os tem no sítio!
Enqusnto o sòcrates estiver aí... Ver comentário
Lentos, frouxos e idecisos
Já no dia em que Draghi disse estar «disposto a tudo» para salvar o Euro o site da Bloomberg era muito claro: VER PARA CRER. Não é a primeira vez que «a europa» anuncia supostas «medidas milagre». Mas a «o que» a europa propões é sempre pouco, e tem vindo sempre tarde. Os eurocratas têm-se mostrado lentos, frouxos e indecisos. Tudo coisas que os mercados adoram.

Portanto o Sr. Draghi que faça o que tem a fazer primeiro e não deite figuetes antes da festa. Ele pode estar convencido que está a ter grandes ideias.. mas todos os burros pensam que são inteligentes.. é mesmo assim: quanto mais burras são as pessoas mais geniais pensam que são porque têm menos noção da inteligência dos outros e de menos capacidade para compreender que o é complexo e dynâmico.

Portanto, Jorge Nascimento Rodrigues, se queres dar uma «notícia» espera pela coisa acontecer. Por enquanto Draghi falou.. mas também Trichet se fartoude falar e a própria Merkel é uma fala-barato. Falar falam todos.. a verdeira notícia não está no que eles DIZEM mas sim no que eles FAZEM.
Vou comentar só porque acho que há ignorancia
A começar por mim própria.

Mas vou tentar explicar:

A zona Euro é o mercado comum em que se fazem trocas comerciais entre paises com a mesma moeda. Essa mesma moeda é usada para estabelecer preços de exportação. Mesmo para fora da UE.

O que se passa é que a estratégia de globalização foi muito mal aproveitada pela Europa, excepto, a Alemanha ( e nordicos).

A Alemanha e os Nórdicos estiveram em austeridades até agora, desde 2001, os burros que sustentaram aquilo foram os paises do Sul que foram lá comprar tudo e mais alguma coisa, financiados por ELES.

AUE é possivel, mas temos que ter austeridade, ganhar reputação e subir os ordenados em função da produtividade, esse é o caminho.

Cumprimentos.
Re: Vou comentar só porque acho que há ignorancia Ver comentário
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Donos da massa não se deixam fintar
De tudo o que Mario Draghi disse só há uma coisa clara e concreta: o BCE não comprará dívida de países não resgatados, ou seja, não "governados" pela troika.
Acho muito bem pois Espanha e Itália estão a tentar fintar o sistema. Querem ser "resgatados" sem troika mas os alemães, evidentemente, não aceitam isso e têm um argumento imbatível: são os principais donos da massa.
SAIR DO EURO -> ESCUDO CPLP
O BCE ha muito que deve estar falido... O que vale é que os bancos centrais são "independentes"
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"Muita parra...pouca uva..."
A UE a cada dia que passa vai "declarando" a insolvência dos países do sul. É certo que muitas medidas vão sendo anunciadas e algumas são colocadas em prática, supostamente no sentido de evitar tal situação. Porém, à medida que o tempo corre, constatamos que, afinal, tais medidas visam apenas uma espécie de manutenção em estado vegetativo dos países em maiores dificuldades, levando-os a outros patamares de endividamento e superior desconforto das suas populações assim como ao arrastamento de outros países para situação igualmente difícil. Perante a gravidade dos factos, é mais que legítimo questionarmos a atuação dos responsáveis da UE e da sua real vontade em responderem positivamente aos problemas que se antevêem de dissolução da própria UE, que já parecem terem-se iniciado com a desconstrução de uma Europa fundada nos pilares do social e de parte de uma população desta Europa, agora cada vez mais castigada pelo absurdo das políticas seguidas nas duas últimas décadas tendo por timoneira a Alemanha que afinal acabou por enriquecer desmesuradamente, também, à custa de uma economia florescente onde os países hoje em crise, terão sido quem mais contribuiu para tal crescimento. Como paga, a deslocalização das suas melhores empresas, a abertura a uma emigração que fez disparar para baixo os custos do trabalho e o refluxo dos dinheiros comunitários através da sua poderosa banca em conluio com as bancas dos países agora em crise. Em resposta, venha a UE dos pobres. depois se ...
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