25 de maio de 2013 às 0:21
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Bancarrota portuguesa: da "morte lenta" à dívida "lixo"

No espaço de dois anos e meio, a probabilidade de default da dívida portuguesa multiplicou 5 vezes, saltou de 11,7% para 59%. Da "morte lenta" decretada pela Moody's à classificação de dívida "especulativa" pela... Moody's.
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A 7 de julho o custo dos credit default swaps (cds, derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco de incumprimento) ligados à dívida soberana portuguesa ultrapassou o limiar dos 1000 pontos base, fixando um máximo de valor de fecho em 1023,63 pontos base. No dia seguinte, fechando a semana, atingiu 1087,53 pontos base.

Convém recordar o filme da evolução do custo dos cds e da probabilidade de default a ele associado.

Segundo dados da CMA DataVision, podemos reconstruir o filme referindo os dados relativos ao primeiro e último trimestres desde 2009.

Curiosamente, o filme começa com a Moody's a decretar a "morte lenta" de Portugal e  chega ao atual intervalo com a mesma Moody's a classificar a dívida portuguesa de "especulativa" (vulgo nos mercados, junk status, "lixo").

1º trimestre de 2009: o risco de default finalizou em 11,7%, o custo dos cds fecharam em 139,6 pontos base, e Portugal ocupava o 25º lugar no ranking dos países com maior probabilidade de entrar em incumprimento.

4º trimestre de 2009: o risco baixou para 6,2%, o custo dos cds contraiu-se significativamente para 74 pontos base, e Portugal desceu substancialmente para 47º lugar no ranking. Nada faria, aparentemente, prever a tormenta que se desencadearia no ano seguinte.

1º trimestre de 2010: o risco subiu de novo para 11,7%, o custo dos cds estava em 139,6 pontos base e Portugal subiu para 26º lugar, uma situação quase similar à do início de 2009. Neste trimestre, a Moody's a 13 de janeiro veio falar da "morte lenta" da Grécia e de Portugal, amalgamando as duas situações, apesar da Grécia ter 25% de risco e estar em 9º lugar no ranking.

4º trimestre de 2010: o risco continuou a subir e fixou-se em 35,9%, o custo dos cds aumentou para 497,3 pontos base, e Portugal galgou 22 lugares no ranking, posicionando-se em 4º lugar (depois da Grécia, Venezuela e Irlanda).

1º trimestre de 2011: o risco prosseguiu a subida até 40,1%, o custo dos cds passou para 578,6 pontos base, e Portugal conservou o 4º lugar no ranking.

A 8 de julho, já depois da assinatura do memorando de entendimento com a troika em maio, o risco de default fechou em 59,07%, o custo dos cds em 1087,53 pontos base, e Portugal conserva o 2º lugar do ranking, a que chegou esta semana. Nesta primeira semana de julho, a Moody's classificou a dívida portuguesa como "especulativa" (junk status, na gíria, ou seja "lixo").

No espaço de dois anos e meio, o custo dos cds multiplicou por 7 vezes e a probabilidade de default aumentou mais de 47 pontos percentuais, ou seja multiplicou por mais de 5.

 

Comentários 59 Comentar
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Jorge N Rodrigues
Meu caro,

Na minha modesta opinião fez um bom trabalho.

Cumps
Pelo menos foi imparcial, Ver comentário
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Re: Pelo menos foi imparcial, Ver comentário
LOL, Ver comentário
Re: Pelo menos foi imparcial, Ver comentário
Quando é que vocês vão perceber, Ver comentário
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Mas era sensato que....

Após um PR de direita eleito à 1ª volta, após eleições ganhas por uma coligação de direita e com maioria absoluta, os Mercados e Agências reagissem favoravelmente.

Pelo menos nas palavras de tanto guru. Desde politólogos opinadores até aos políticos intervenientes no "negócio" !!

Nem vale a pena relembrar citações e discursos. Hoje constituem verdadeiras pérolas !!
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Traidores fora do poder...
"as pessoas precisam de entender que o país não gera riqueza para suportar os compromissos que o Estado assumiu. Mas precisam que isso lhes seja trocado por miúdos" (lido no Jornal de Negócios). Esta conclusão é falaciosa. O país não gera é riqueza suficiente para que possa ser desviada, sugada, roubada pelas elites governantes, comprimidas numa massa informe de politica e economia ultra-liberal

Seria importante que empresas de interesse estratégico, como a PT, EDP, Galp, TAP e muitas outras mantivessem o centro de decisão em Portugal... se estas empresas-chave forem transformadas em meras sucursais de interesses estrangeiros, será mais um desastre a acrescentar à desecononia desnacionalizada. Só o recente ataque combinado de uma das agências de rating a Portugal, fez perder 100 milhões a duas das empresas a alienar em breve, a EDP e a REN, o que significa que os investidores que concertaram o ataque vão comprá-las mais barato... e o estratagema irá repetir-se, até que o país seja expoliado de todos os seus activos operacionais sobre a economia
Re: Traidores fora do poder... Ver comentário
Re: Traidores fora do poder... Ver comentário
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Bancarrota portuguesa
O exemplo deve começar em cima e todos devem contribuir para os sacrifícios e não para a bancarrota.

As contas do Palácio de Belém

O DN descobriu que a Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano

(163 vezes mais do que custava Ramalho Eanes), ou seja, 1,5 euros a cada português.

Dinheiro que, para além de pagar o salário de Cavaco, sustenta ainda os seus

12 assessores e 24 consultores,

bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República.

A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes que todos os anos serve para pagar pensões e benefícios aos antigos presidentes.

Os 16 milhões de euros que são gastos anualmente pela Presidência da República colocam Cavaco Silva

entre os chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa,

gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha (oito milhões de euros)

sendo apenas ultrapassado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy (112 milhões de euros)

e pela Rainha de Inglaterra, Isabel II, que 'custa' 46,6 milhões de euros anuais.

E tem o senhor Aníbal Cavaco Silva,

a desfaçatez de nos vir dizer que

  "os sacrifícios são para ser 'distribuídos' por todos os portugueses"...

...'Atão' tá bem ó meu!...
(...? E não se pode 'privatizar' a Presidência da República ?...
Não devemos esquecer que, nos 10 anos de cavaquism
Não devemos esquecer que, nos 10 anos de cavaquismo, para além dos imensos fundos comunitários que Portugal recebeu de Bruxelas, a grande maioria das empresas públicas foram privatizadas, será caso para perguntar, para onde foi o dinheiro?

Não vai demorar muito tempo, que os a maioria dos comentários neste fórum vão no sentido de dizerem:
"Volta Sócrates, estás perdoado"
Ninguém tenta dúvidas que o Sr. dos Passos não faz milagres e se Sócrates não fez melhor foi porque efectivamente a situação internacional é mesmo má e cá por dentro a pressa de chegar ao pote era tanta, para satisfazer os caprichos daqueles que já se perfilam para se abotoarem ao que ainda resta da privatização maciça das empresas publicas feitas pelo Cavaquismo, sem que se saiba para onde foi o produto!...
Re: Não devemos esquecer que, nos 10 anos de cavaq Ver comentário
Re: Não devemos esquecer que, nos 10 anos de cavaq Ver comentário
Da morte lenta ao lixo
A morte lenta começou nos resultados das eleições de 2009, quando toda e gente fugiu às responsabilidades governativas preferindo queimar Sócrates em fogo lento, confirmou-se em maio de 2010 quando Sócrates fingiu que o problema era de pouca monta e Passos pediu desculpa aos portugueses por ter aceite umas panaceias de "merda"(é o termo), agravou-se com o teatro a propósito do OE2011 e culminou com o PEC4 e a crise política subsequente.
Após as eleições de 5 de junho que deram resultados esperançadores de estabilidade política, os mercados estavam à espera que o novo governo mal tomasse posse, começasse a aplicar as medidas préviamente assinadas com a troika e até, das promessas de ir mais longe. Afinal os mercados ainda não viram nada (excepto voos em classe turística que não resolvem nenhum problema) e, claro, resolveram mostrar o seu legítimo descontentamento passando-nos a lixo.
Temos colo, o que queremos mais?

Só por curiosidade, as declarações do antigo economista chefe do FMI, Johnson, em 2010, antecederam ou precederam esse amalgamento pela Moody's?

***

Saio uns dias, tudo acontece. Leio agora que já somos o segundo país do top de incumprimento. Falhei por 2 dias. No dia 20 de Junho, tinha dado duas semanas para atingir esse patamar, afinal aconteceu na quarta dois dias depois.

( http://aeiou.expresso.pt/... p=view#3920787 )

Terei o direito a sentir-me petulante sobre este assunto? Durante meses defendi que a estabilidade política era uma valor importante para a credibilização do país (contra aqueles que se recusavam a ceder à "chantagem da estabilidade"), tal como defendi, partilhando a opinião de muitas vozes conceituadas, que se deveria ter evitado ao máximo uma intervenção como a que sofremos. É preciso compreender isto: não estamos mal, o acordo protege-nos o suficiente para podermos reagir, mas há preços a pagar e um deles foi a perda da nossa credibilidade. Mas para que é que ela é necessária se comprámos colo para um ano?
Vivam os pescadores e agricultores de Portugal!
Mas só aqueles que receberam subsídios da UE para não pescar nem cultivar e investiram em Credit Default Swaps, pois já sabiam no que isto ia dar.

Os outros que ficaram a produzir alguma coisa para além de serem gozados, vão continuar na miséria.
Re: Vivam os pescadores e agricultores de Portugal Ver comentário
Re: Vivam os pescadores e agricultores de Portugal Ver comentário
Pois foi...!!! Ver comentário
Conversa da treta
Portugal reacted angrily to Moody's downgrade of its sovereign debt to "junk" status, complaining that it had not considered the country's recent austerity measures or new political consensus after an election. Moody's made the cut on the basis that Portugal will have trouble raising funds in the markets, if private investors take a hit in a second rescue deal for Greece. More European feathers were ruffled when Standard & Poor's became the first ratings agency to confirm that it may consider French proposals for private investors to roll over their Greek debt to be a "selective default".
O resto é conversa da treta...
Estudos incompletos dão variações absurdas.
Estas variações, de dimensões absurdas, no risco da dívida soberana portuguesa, resultam de uma apreciação sobrevalorizada das reacções dos agentes económicos relativamente à confiança, versus, receios destes na capacidade do país assumir as suas responsabilidades e minimiza a acção do governo e das instituições europeias no sentido de impedir que se caia em situação de incumprimento. Torna-se necessário exigir às agências de “rating” a realização de trabalhos mais completos, incluindo nos mesmos a avaliação dos efeitos económicos das acções de política económica nacional e europeia, cujas linhas de orientação sejam conhecidas.
Re: Estudos incompletos dão variações absurdas. Ver comentário
Estudos incompletos;"apreciação sobrevalorizada" Ver comentário
Ataque ao euro por parte dos americanos

Ataque ao euro por parte dos americanos

E o investidor americano Dennis Gartman diz que todos os PIIGS vão falir até daqui a 18 meses , mas pelos vistos a América não que está super-endividada.

http://exame.abril.com.br... -diz-investidor

http://www.cnbc.com/id/43...

Jovem, Ver comentário
Re: Jovem, Ver comentário
Santa ignorância Ver comentário
Rumo ao Futuro
A economia portuguesa está num plano inclinado rumo ao fundo. E este governo recém empossado está com muitas dificuldades em enfrentar a tormenta vinda de fora, mas com muitos apoios nas fragilidades estruturais da nossa economia. Com uma agricultura reduzida a escombros e uma indústria pouco competitiva a nível externo, vamos ter de abraçar o turismo como tábua de salvação capaz de gerar riqueza e postos de trabalho, de modo a evitar uma escalada de conflitos sociais, que só dificultarão a coesão do tecido social.
Bancarrota: risco português de 11,7% a 57%
Grande cavalgada, até já estou como alguns, até dá vontade de rir. Será que esta lista de eleitos é alguma brincadeira de Abril. Cá para mim anda todo mundo enganado, e os portugueses são um país com uma riqueza incomensurável, sem igual, e para dar e vender. Ainda vamos ver, os políticos principalmente, à frente da luta contra a mentira que tanto tem devastado Portugal. Não se admite, um país que é um modelo a seguir e tão espoliado que está a ser. Chamem o sr. Miguel de Vasconcelos para resolver o problema, que até esse se ia dar mal com tanta falta de vergonha junta.
Afinal Sócrates tinha razão quando dizia que o ppd
Afinal Sócrates tinha razão quando dizia que o ppd/psd queria entregar a saúde aos privados, confirma-se agora com as declarações do presidente, com a decisão da moody,s baixar o rating de Portugal para o lixo, deixando assim o caminho aberto aos grandes capitalistas para comprarem o que resta da nossa economia por "10 réis de mel coado" São estes os patriotas que nos governam!...

Quem ainda tinha dúvidas sobre os reais interesses de Cavaco, Durão e o moço de recados dos barões, elas estão completamente dissipadas, com a criação das condições para que o capitalismo tome de assalto tudo o que resta da nossa economia, deixando na miséria a grande maioria dos portugueses sem apelo nem agravo.

Saúde, educação, justiça, transportes, bem como produtos e bens de primeira necessidade, quem tiver dinheiro compra, quem não tiver vê os outros comprar!...
È uma questão de tempo....

Desde 2008 que as agencias de rating têm prejudica
Desde 2008 que as agencias de rating têm prejudicado Portugal e os portugueses, no entanto os partidos á direita preferiram ignorar essa situação e atribuir as culpas ao PM de então José Sócrates, com único pretexto de mais depressa chegarem ao poder, usando o principio do “quanto pior melhor”.
Agora chegados ao almejado poder, a prontidão, melhor dizendo, o servilismo com que Passos Coelho se dispôs seguir os ditames dos "mercados", afirmando-se até capaz de os "surpreender", não os comove.•
Vimo-lo com a descida do rating da dívida pública portuguesa decidida pela Moody's. Confirma-se com o resultado do leilão de Bilhetes de Tesouro a três meses.•
A equipa "credível" de Passos Coelho (credível, não é, Moedas?) não só não conseguiu arrecadar o montante pretendido (1000 milhões de euros), como teve de pagar um juro superior (4,926%) ao cobrado na anterior emissão no mês passado (4,863%) quando a equipa "maravilha" de Passos Coelho ainda não tinha entrado em funções.•
Está visto que o servilismo não compensa.
Ainda o PEC IV e as consequências do seu chumbo...•
Desde o dia 12/03 (anuncio por parte do PSD do chumbo do PEC4) os juros da divida publica tem subido vertiginosamente. Coincidência? Factos!
Juros a 2 anos:
01/01/2008: 4,12
11/03/2011: 6,5 aumento 58% (em três anos)
06/07/2011:12,7 aumenta 95% (em quatro meses)
Juros a 3 anos:
01/01/2008: 4,20
11/03/2011: 7,4 aumento 77% (em três anos)
06/07/2011:14,7 aumenta 97% (em quatro meses) ...
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Desde 1974 que os politicos têm prejudicado Ver comentário
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