Poderá ser um salto de gigante no campo das energias alternativas. Pela primeira vez, um voo transatlântico entre Nova Jérsia, nos EUA, e Paris, França, foi alimentado parcialmente a partir de uma planta.
O biocombustível feito a partir da Camelina Sativa, uma planta utilizada para produzir óleo e que não compete com a indústria alimentar, foi utilizado para alimentar um dos motores Rolls-Royce do Gulfstream 450, um jato executivo.
O avião, propriedade da Honeywell, uma multinacional ligada à aviação militar e civil, seguiu a rota desenhada por Charles Lindbergh no primeiro voo sobre o Oceano Atlântico em maio de 1927. Nessa altura, o "Spirit of St Louis" demorou 33 horas. Desta vez, com o avião a jato, o percurso foi concluído em cerca de sete. O Gulfestream aterrou no aeroporto de Paris-Le Bourget a 18 de junho de 2011, e voou com uma mistura de jet juel 'verde' e jet juel convencional.
Poupar no combustível e no CO2
Com base em análises de ciclo de vida, e segundo a empresa norte-americana, o uso do jet juel 'verde' no voo economizou aproximadamente 5,5 toneladas métricas de emissões de CO2 líquido face aos voos convencionais.
"Esta primeira viagem de biocombustível através do Atlântico, juntamente com mais de uma dúzia de outros voos de teste comerciais e militares realizados até à data, demonstra que a Honeywell jet juel 'verde' mais do que atende aos requisitos exigentes para as viagens aéreas", garante Jim Rekoske, da multinacional norte-americana. "Estamos a um passo do uso comercial que irá ajudar a comunidade da aviação a reduzir a pegada de carbono e a dependência do petróleo", acrescenta o responsável.
A flutuação dos preços de combustíveis fósseis, com tendência de subida, combinada com um leque de maiores restrições nas emissões e da necessidade de poupança no consumo têm levado as grandes companhias de aviação a procurar soluções alternativas... mas ainda a medo.
Isto apesar de alguns estudos apontarem para a redução das emissões de carbono a partir de jatos em cerca de 80% com o uso de biocombustível.
Indústria militar impulsiona aviação civil
Os primeiros testes foram realizados pela Marinha dos EUA, em 2009, precisamente com o uso de biocombustível a partir de Camelina para alimentar um motor usado num caça, o F/A-18, mas dessa vez apenas em terra.
No entanto, ainda nesse ano, a 23 de novembro, a KLM foi a primeira companhia aérea no mundo a operar um voo de transporte de passageiros utilizando o mesmo biocombustível, num dos quatro motores de um Boeing 747.
Já em 2011, a aviação militar norte-americana conseguiu atingir a velocidade de Mach 1.5 com um F-22 Raptor, que utilizava uma mistura 50/50 de jet juel e biocombustível derivado da planta.
Segundo a empresa Honeywell, que já produziu até hoje mais de 700 mil litros de jet juel 'verde' , o uso de plantas como a camelina ou as algas para biocombustível poderá vir a ser uma resposta séria às necessidades das companhias de aviação, uma vez que não obriga a nenhuma modificação na aeronave ou nos motores dos aviões atuais.