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Daniel Oliveira

Daniel Oliveira

Começou como jornalista em 1989, tendo passado pelas redacções do "Século", "Diário de Lisboa", "Já", "Vida Mundial" e "Diário Económico". Participou, como jornalista, editor e autor, em seis programas diferentes da RTP. Em 1998, venceu o prémio revelação Gazeta, do Clube dos Jornalistas. Experimentou, por um ano, ser publicitário. Foi, às vezes, dirigente partidário e mantém, fora ou dentro de movimentos políticos, ativismo cívico. Tem esta coluna no "Expresso", uma no "Record" e participa nos programas "Eixo do Mal", na SIC Notícias, e "Sem Moderação", do canal Q. Com 45 anos, é alfacinha apaixonado, português sem orgulho nem vergonha e acredita que isto ainda vai melhorar. 

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    O instinto mais primário torna-se viral e ganha o estatuto de discurso político maioritário. Nada mais fácil de manipular. Basta uma foto de uma muçulmana que passa ao lado de uma vítima de um atentado a olhar para o telemóvel. Sem contexto, sem pausa para pensar, o mundo é de todos os Trump

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Não estou bem a ver como podem os dois governos “encontrar soluções para a situação que foi criada”. A não ser que a proposta seja alargar a contratação de magistrados por instituições bancárias, resolvendo o problema com a compra de todo o sistema judicial português, nada pode ser feito. Porque, veja-se bem o escândalo, onde existe um Estados de Direito há uma separação de poderes. Posso ser muito crítico em relação à forma como a operação Marquês tem sido conduzida, mas agradeço à democracia em que vivo o facto do poder político nada poder fazer para impedir esta ou qualquer outra investigação. E isso é o que distingue o governo português do governo angolano: um governa um Estado de Direito e o outro não. Nesta matéria, não há “reciprocidade” possível. E não temos de pedir desculpa por isso. Quanto muito, são os governantes de Angola que têm desculpas a pedir. Ao seu povo, por não lhes permitirem ter uma justiça independente. Depois, se se provarem as suspeitas que recaem sobre Manuel Vicente, ao povo português, por tentarem subornar a nossa

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Com um ou dois operacionais, uma preparação quase amadora e poucas vítimas, toda a comunicação social estará obrigada a horas de diretos e o poder político estará obrigado a valorizar cada ataque, garantindo uma relação custo-benefício muitíssimo positiva para os terroristas. Nem sequer precisam de elaborar um discurso sobre os seus atos. Theresa May, como os líderes dos países que anteriormente tiveram de lidar com este tipo de ataques, encarregou-se de fazer a tradução simbólica do ataque. Explicou a razão de ser da escolha daquele local, funcionando, de forma involuntária, como porta-voz dos atacantes. E, num gesto de solidariedade compreensível, a presidente da Câmara de Paris garantiu uma ligação coerente com os atentados na capital francesa, mandando desligar as luzes da Torre Eifel. Eles fazem os atentados com custos mínimos, nós tratamos do marketing, oferecendo-lhes ganhos máximos. Não sei como isto se resolve. Sei que somos nós o megafone do terror. Mesmo quando ele dá sinais crescentes de desespero e derrota

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Foram os líderes europeus, e não a extrema-direita, que construíram o argumentário demagógico contra a razão de ser da União. Assim como deram, com o insulto e humilhação permanente, a que juntaram doses cavalares de sacrifícios, força à esquerda antieuropeísta nos países do sul. Como podem existir condições políticas para qualquer tipo de solidariedade europeia, de que a União dependeria para sobreviver, se os principais dirigentes europeus convencem os seus povos que as transferências de recursos para garantir a convergência correspondem a dar dinheiro a quem o vai torrar sem qualquer critério? Claro que Dijsselbloem tem de ser corrido por ter insultado vários povos ao mesmo tempo e, já agora, por ter sido escorraçado do poder pelos seus concidadãos. O que não serve para os holandeses não serve para os europeus. Mas não se julgue que isso muda alguma coisa. O que Dijsselbloem disse é que o europeu médio do norte pensa. Não apenas por preconceito xenófobo, mas porque foi isso que gente considerada moderada e europeísta lhes andou a vender nos últimos seis anos. Foram eles e não quaisquer radicais que mataram a União

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Teresa Leal Coelho não tem credibilidade junto do eleitorado. O único currículo de gestão que se lhe conhece foi na companhia de Vale de Azevedo e uma experiência infeliz no CCB. A sua experiência autárquica não abona em seu favor: segundo “Observador”, faltou a 91 das 153 sessões da Câmara de Lisboa. De resto, a sua principal característica política é fazer parte do pequeno núcleo que ainda rodeia Passos Coelho, que já quase se resume a duas ex-professoras de Universidade Lusíada, onde ele estudou. É tudo incrivelmente pequeno. Tão pequeno que Fernando Medina só terá de combater a abstenção. Tão pequeno que Assunção Cristas pode ultrapassar o PSD. A displicência com que Passos tratou este processo – uma displicência que é a marca da sua liderança na oposição – poderá custar-lhe o lugar. Um preço justo para quem parece alimentar-se mais do ressentimento pelo passado do que por qualquer projeto para o futuro. Para quem parece apenas estar à espera que o diabo o tire da oposição

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Joana Marques Vidal fez bem em não atender às exigências da defesa de Sócrates, que pede um arquivamento. Apesar de ser impensável uma investigação sem fim, este processo não pode morrer de arquivamento. Tem de ir até ao fim e se o fim for pífio os responsáveis pela investigação têm mesmo de ser chamados à pedra. O que mais perturba é o contraste entre o que parece, ouvindo as críticas da PGR, ser o estado da investigação e o mar de acusações, “provas” e escutas que inundam a CMTV. Parece haver uma diferença abissal entre a investigação judicial e o julgamento mediático. E isto é grave, porque quer dizer que há um julgamento que prepara a fragilidade do outro. Só que desta vez, pela relevância de todo este processo, nenhum arquivamento ou absolvição por falta de provas poderá ser compensado por qualquer convicção da opinião pública, por mais fundada que seja. Desta vez é mesmo sério. Quem faz tremer o regime com a prisão de um ex-primeiro-ministro e a suspeita de uma teia de corrupção de dimensões colossais não pode, no fim, apresentar menos do que uma acusação à prova de bala