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Expresso

Henrique Monteiro

Henrique Monteiro

Redator Principal

Pertenceu à direção do jornal entre 1995 e 2005, tendo sido Diretor entre 2005 e 2011. Antes tinha sido editor da secção Sociedade e da Revista. Foi repórter em guerras a sério e em guerras políticas. Nasceu em 1956, é jornalista desde 1979 e entrou no Expresso em 1989. É ainda Diretor Geral Adjunto de Informação do Grupo Impresa e, pelo menos duas vezes por semana, Comendador Marques de Correia. Estudou História e Jornalismo. Tem cinco livros publicados (dois de crónicas e três romances).

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Cada vez que um Governo procede de modo a agradar ou mesmo a não conflituar com a Igreja Católica, surge uma brigada – nem sempre a mesma – a recordar que o Estado é laico. Pois é. E não me lembro de o não ser nos últimos 43 anos. Laico não é irreligioso, antirreligioso, ateu ou desinteressado do papel da Igreja. O Estado laico, que corresponde à separação total de poderes entre Igreja e Estado, benéfica para ambos os lados, quer dizer, sobretudo, que as políticas do Estado não se determinam ou são determinadas pelas preferências, orientações ou doutrinas da Igreja

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Já gastei muito latim contra os chamados ‘direitos dos animais’, afirmando o que me parece óbvio: são as pessoas que têm deveres em relação aos animais que estão à sua guarda e, de um modo geral, em relação aos animais domésticos ou domesticados e não os animais que auferem quaisquer direitos. Tal não impede que a doutrina dos ‘direitos dos animais’ faça o seu caminho – mesmo até ao Parlamento, onde se senta um eleito em nome desses princípios. Não irei tão longe como Miguel Sousa Tavares que afirma ter por esse deputado a mesma consideração política ou intelectual que tem por uma perdiz sem penas ou por um coelho sem pelo, mas aproveito a onda dos cães que atacam crianças para lhe pedir que pense bem nas inanidades que espalha

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Vamos fingir que somos lorpas e não percebemos. Sim, a festa do 25 de Abril foi muito linda, imperou a unidade, os discursos não foram de ‘bota-abaixismo’, como bem referiu Vasco Lourenço, um dos homens, sem dúvida de esquerda, que uniu a liberdade de Abril ao pluralismo e tolerância de 25 de Novembro. Mas a proximidade das eleições francesas e a atitude do PCP e do Bloco face a elas, bem como a morte de Mário Soares e a ausência de referências desses dois partidos perante aquele que foi o expoente da nossa vida democrática durante 40 anos, não nos permite fingir que não percebemos. O 25 de Abril deles é diferente

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Na sexta-feira passada escrevi um texto aqui no Expresso Diário que eu próprio considerei muito irritantemente otimista. Nele afirmava que Macron ia vencer a primeira volta e que Fillon ultrapassaria Le Pen. Esta última parte foi mesmo excessivamente otimista, embora o candidato dos Les Republicains ficasse a escassos 1,5% da líder da Frente Nacional. Recordo, que há uns tempos, há dias, Marine Le Pen era, para quase todos os analistas portugueses, a vencedora da primeira volta. E isso é uma tragédia. Porém, se hoje eu acreditasse na maioria dos comentadores que escrevem na nossa imprensa, foi, de qualquer modo uma tragédia

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Vou ser otimista, mas mesmo muito otimista com as eleições francesas. E espero, domingo à noite estar a gozar o meu otimismo e a troçar do alívio da maioria apreensiva que me rodeia. Acho que Marine Le Pen não fica em primeiro lugar na primeira volta – e para ser ainda mais otimista, acho que é ultrapassada por Fillon. Em primeiro ficará Macron, que apesar de não dar quaisquer garantias vai ser um Presidente exemplar, capaz de retomar o mais são dos espíritos europeus

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Atenção que o título os pode levar ao engano. Assim como o alarido à volta da epidemia do sarampo também. Um dos males deste mundo moderno é querer arranjar soluções a quente, sem refletir, sem medir convenientemente os prós e os contra. O abaixo-assinado a favor da obrigatoriedade da toma de vacinas até pode ter razão. Mas este é o pior momento para se decidir o que quer que seja. Não é em cima de climas emocionais, nomeadamente provocados pelo falecimento de uma jovem, que se constroem consensos sólidos

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    O Expresso lança a partir do próximo sábado, e durante sete semanas, o livro ‘Portugal Amordaçado’ escrito em 1972 por Mário Soares. Os sete volumes têm diversos prefaciadores, incluindo os filhos do autor e não vou fingir que eu, escrevendo estas linhas, não estou ligado ao projeto. Claro que estou. Mas isso não me impede, feita a respetiva declaração de interesses, de tentar explicar porque acho importante esta obra

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    É um dado curioso verificarmos como a reação à modernidade anda de braço dado com as teorias mais estapafúrdias e que se consideram a si mesmo modernas ou revolucionárias. Podemos encontrar reações dessas no caso das vacinas (e já lá iremos), mas igualmente no que diz respeito aos OGM (organismos geneticamente modificados) ou, no plano político, nas reações à globalização, não através da exigência de mais e melhor regulação e distribuição de rendimentos, mas sim de políticas nacionalistas e antimultilaterais, como as que o PCP ou o Bloco tomam sobre a Europa ou a parceria transatlântica (TTIP)