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Autárquicas 2017

Autárquicas 2017

O telefone de Catarina não pára de tocar

José Caria

BE disponível para replicar geringonças locais, mas quer discutir programas e não cargos. Novos eleitos pedem orientações

Foi um crescimento “modesto”, sim, como o definiu a própria Catarina Martins. Mas não deixou de ser, segundo os bloquistas, “um grande caminho”: nas autárquicas de domingo o BE “cresceu em votos e mandatos”, elegeu pela primeira vez vereadores em cidades como Abrantes, Amadora e Vila Franca de Xira, manteve outros no Entroncamento, Moita, Portimão, Salvaterra de Magos, Seixal e Torres Novas e recuperou em Lisboa. Elegeu uma vereadora em Almada e voltou a integrar coligações vencedoras, no Funchal e em Peniche. Contas feitas, o crescimento pode ter sido marginal mas teve um efeito preponderante: reforçar a posição dos bloquistas na construção de alguns equilíbrios de poder para viabilizar executivos camarários. Com Lisboa à cabeça.

Os 50 mil votos que o BE teve face às autárquicas de 2013 foram insuficientes para atenuar a presença limitada que o partido tem no mapa autárquico, mas permitiram aumentar de 100 para 125 os deputados municipais e de 138 para 213 os eleitos nas assembleias de freguesia. E é todo este universo de representantes que está agora a contactar a direção do BE para pedir orientações.

Porque se Catarina Martins já estabeleceu que o partido estará genericamente disponível para negociar um conjunto de “maiorias de esquerda” e assim “isolar e contrariar a direita”, também deixou claro que “as realidades do país são diferentes”e que “cada concelho é um caso”. Todas as negociações com o Bloco terão, no entanto, uma premissa: debater bases programáticas em áreas como habitação, transportes, ambiente, ordenamento do território ou turismo, antes de discutir cargos ou pelouros.

Outro ponto assente na estratégia local do BE será o objetivo de “fazer caminho à esquerda” e rejeitar quaisquer acordos com executivos camarários de direita. A única exceção poderá ser, pontualmente, a abstenção dos seus eleitos para viabilizar juntas de freguesia.