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Autárquicas 2017

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PCP fecha portas a “geringonças” nas autárquicas

José Sena Goulão/ Lusa

Não haverá “repetições da solução política encontrada” disse Jerónimo de Sousa. O aviso fica dado: em Almada, Lisboa ou nas câmaras que os socialistas conquistaram ao PCP sem maioria absoluta, não vão ter apoio político garantido dos comunistas

O comité central do PCP está ainda reunido, mas Jerónimo de Sousa interrompeu os trabalhos para um ponto da situação com os jornalistas. Os comunistas fizeram o balanço das eleições, assumindo "recuos e perdas", mas insistindo na ideia de que continuam a ser "a grande força de esquerda no poder local".

Com menos dez câmaras, na sua esmagadora maioria conquistadas pelo PS, os comunistas admitem que a transferência de votos é uma consequência do apoio parlamentar dado para os socialistas chegarem ao Governo. "Muitas pessoas ainda não ganharam a consciência de que as possibilidades de ir mais longe e seguir em frente seriam sobretudo asseguradas com o reforço da CDU e não do PS", disse Jerónimo.

As mazelas que este resultado vai ter no funcionamento da maioria parlamentar de esquerda ainda está por determinar. O líder comunista não avançou muito por este território. Mas deixou pistas. Por várias vezes, e em resposta a perguntas dos jornalistas, o secretário geral do PCP fez questão de se referir ao Executivo como "o governo minoritário do PS", sublinhou que "não existe nenhum acordo parlamentar" e mesmo quanto à posição conjunta assinada com os socialistas, garante que não há "nenhum fixismo" e que os comunistas "não estão amarrados a nenhum acordo".

"O que determinará o futuro do Governo PS está nas mãos do Governo PS", rematou Jerónimo de Sousa, que aproveitou para meter em cima da mesa algumas das reclamações mais urgentes do PCP: aumento para 600 euros do salário mínimo, já em janeiro, aumento real das pensões, fim do corte do subsídio de desemprego, aumento do abono de família.

O pacote de reivindicações será acompanhado pela "indispensável" intensificação da luta porque, acrescenta o secretário geral do PCP "sem a luta dos trabalhadores e do povo, a perspetiva de avanços dificilmente será materializada".

Acordos autárquicos? Nem pensar

Se o quadro parlamentar de maioria de esquerda é para manter sob pressão, as autarquias serão um teste no terreno. O comité central comunista não deixou margem para dúvidas de que o modelo da geringonça não é para repetir, sobretudo nas câmaras que os socialistas conquistaram ao PCP e nas quais não alcançaram maiorias absolutas.

"Em Lisboa não existirá esse modelo", assegurou Jerónimo de Sousa. E até mesmo sobre eventuais acordos pontuais, a resposta é vaga: "veremos", disse.

Fernando Medina não contará com João Ferreira no governo da capital. Inês Medeiros não terá a vida facilitada em Almada, nem no Barreiro ou em Alcochete, os novos autarcas socialistas podem contar com o apoio dos vereadores eleitos nas listas da CDU. Jerónimo, porém, garante que "não vamos ser uma força destrutiva em relação ao trabalho autárquico". E assegura que o (mau) resultado das autárquicas "não reduz a determinação do PCP de continuar a intervir nem o seu papel decisivo na nova fase da política nacional".

A geringonça nacional não é para acabar já. "É esse caminho que é necessário prosseguir", diz a direção comunista. No entanto, são precisos "novos passos e avanços" e, claro, isso passa pela "dinamização da luta".