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Autárquicas 2017

Autárquicas 2017

Autárquicas abastecem geringonça (mas com gasolina PS)

José Carlos Carvalho

Primeiro-ministro e secretário-geral do PS interpreta vitória nas autárquicas como uma resposta dos eleitores à "mudança política iniciada há dois anos no quadro da maioria parlamentar". Costa aponta o PSD como grande derrotado da noite e rejeita que perda de câmaras da CDU possa ter impacto na geringonça. "A vitória do PS não é derrota de nenhum dos seus parceiros parlamentares: é a vitória do PS".

A frase surgiu logo no início do discurso, para que não restasse margem para dúvidas: o PS teve este domingo "a maior vitoria eleitoral da sua história", defendeu António Costa, no Largo do Rato, pouco antes da meia noite. Minutos depois de terminar o seu discurso, Costa via traduzido em números esse momento histórico: depois das 150 câmaras conquistadas em 2013, o PS aumentava já esse universo para 166.

O secretário-geral do partido fez questão de interpretar estes resultados como um reflexo da mudança que os socialistas iniciaram há dois anos no Governo - com o apoio do PCP e do BE - e rejeitou que essa solução possa vacilar com o aumento dos tons rosa no mapa eleitoral do país. Nomeadamente em concelhos até agora detidos pela CDU, como Almada, Castro Verde, Barrancos, Moura, Alandroal ou Constância.

Na reação aos resultados das eleições autárquicas, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS preferiu saudar a resposta dos portugueses ao pedido de "mais força" para os socialistas - que tinha sido um dos seus motes de campanha - e apontou ainda o PSD como grande perdedor da noite. Já sobre possíveis consequências desta eleição na estabilidade da maioria parlamentar, resultantes da perda de força da CDU nestas autárquicas, Costa chutou para canto: "A vitória do PS não é derrota de nenhum dos seus parceiros parlamentares: é a vitória do PS".

Recordando que o PS partia para estas autárquicas depois de ter tido "há quatro anos um resultado histórico", ainda com António José Seguro, António Costa sublinhou que "toda a gente assumia como normal que era muito difícil manter o numero de câmaras". Mas, "o que hoje sai deste resultado é que não só manteve como viu reforçado o numero de câmaras.", disse. E se "o PS teve mais votos", conseguiu também vincar distâncias para a direita: "Se há quatro anos ficou 3 pontos à frente da direita, agora estará a 10 pontos", antecipou.

No arranque da sua declaração aos jornalistas na sede do PS, Costa já tinha, de resto, interpretado o resultado do PS como um reflexo da "mudança que se iniciou há dois anos no quadro da maioria parlamentar". E se na campanha tinha pedido "mais força" para o PS poder continuar o caminho seguido pelo Governo nos últimos dois anos, o primeiro-ministro não tem agora dúvidas: "Esta mudança sai reforçada e dá força à continuidade de políticas com devolução de rendimentos, crescimento económico, mais e melhor emprego, melhoria de serviços públicos e redução do desemprego", exemplificou.

Um caminho que Costa argumenta que não sairá prejudicado pelo facto de um dos parceiros de maioria parlamentar de esquerda poder fazer uma análise menos positiva aos resultados deste domingo: a CDU perdeu várias câmaras que tinha em seu poder, várias delas para o PS, sim, mas Costa rejeitou alimentar essas análises: "Este resultado foi seguramente muito mau para a direita e foi bom para o PS", disse, defendendo que procurar outras interpretações aos resultados destas autárquicas seria "disfarçar" a derrota da direita e "em particular do PSD".

"O resultado global que temos é muito claro: uma vitória do PS, a derrota da direita e em particular do PSD, e um reforço da mudança de orientação politica que iniciámos há dois anos", reiterou, perante as perguntas dos jornalistas, e antecipando que o Governo será capaz, "tal como fez em 2016 e em 2017", de negociar um Orçamento do Estado para 2018 com PCP, PEV e BE, sem qualquer influência dos resultados desta noite.

"Ao fim de dois anos todos verificam que valeu a pena a mudança", disse, invocando de novo "o maior crescimento económico desde o inicio do século" e a ideia de que "estamos a meio do caminho" e que "é necessário dar continuidade e força" às politicas em curso. "Iremos dar continuidade no OE2018, com o trabalho que partilhamos em conjunto com PEV, PCP e BE", garantiu.