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Autárquicas 2017

Autárquicas 2017

Santana acredita que Leal Coelho conseguirá ficar em segundo. “Vamos ver...”

José Carlos Carvalho

Santana Lopes foi desejar “boa sorte” a Teresa Leal Coelho, que está numa situação “difícil” por culpa dos bons resultados económicos do país. “Estamos num período de crescimento económico como não acontecia desde há vinte anos”, constata Santana, e assim “não é fácil” ser oposição. No domingo, espera pela leitura nacional dos resultados

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

Pedro Santana Lopes tomou ao final da manhã um café com Teresa Leal Coelho e com alguns dos candidatos do PSD em Lisboa, para lhes desejar “boa sorte” numa luta “difícil”. Bem vão precisar, a julgar pelas palavras do antigo líder do PSD e antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O que devia ter sido uma iniciativa de apoio, acabou por ser um raio-x à situação que “não é fácil” do PSD, seja a nível local, seja no plano nacional. Apesar disso, Santana acredita que Leal Coelho conseguirá chegar... ao segundo lugar. Atrás de Fernando Medina mas à frente de Assunção Cristas...

A principal dificuldade para Teresa Leal Coelho e, em geral, para o PSD, diz Santana, são os bons indicadores económicos do país. Lembrou que em 2013, quando PS estava na oposição, venceu as autárquicas mas António Costa considerou a vitória “poucochinho”, apesar de Portugal estar, então, na “maior crise económica e social desde o 25 de abril”. Agora, acrescenta, “estamos em circunstâncias opostas, Não estamos na maior crise económica e social, pelo contrário, estamos num período de crescimento económico como não acontecia desde há vinte anos”.

José Carlos Carvalho

País numa “fase cor-de-rosa”

De uma penada, Santana passou a limpo todas as dúvidas que Pedro Passos Coelho tem colocado sobre o bom desempenho económico do país e sobre os méritos ou deméritos deste e do anterior governo, e entregou a taça ao PS. “A realidade é esta. Disputar eleições na oposição numa situação como esta, em que o país passou de uma frase negra para uma fase de facto cor-de-rosa (sem segundas intenções), é completamente diferente. É difícil, a situação atual não é fácil para quem é oposição”, concluiu Santana.

O antigo autarca de Lisboa e da Figueira da Foz considera que Fernando Medina seria derrotável, até porque “não há nenhum candidato imbatível, e a história das autárquicas demonstra isso.” Mas para Teresa Leal Coelho não vai mais longe do que prognosticar um eventual segundo lugar.

Questionado sobre as sondagens, que continuam a colocar a candidata do PSD atrás de Assunção Cristas, Santana Lopes respondeu com a sua experiência: “Dois dias antes de eu ganhar as eleições em Lisboa em 2001, [as sondagens] davam-me 14% de diferença a menos, e depois nas urnas foi diferente.”

Com Leal Coelho menos de dez pontos atrás de Cristas, mas 30 pontos atrás de Medina (de acordo com a sondagem do Expresso), isso significa que Santana Lopes acha que Teresa ainda conseguirá chegar ao segundo lugar? “Acho com certeza... Que é possível... é. Agora, vamos ver o que é que os eleitores pensam.”

José Carlos Carvalho

Santana seria melhor? "Nunca se sabe"

E se tivesse sido Santana o candidato, como chegou a ser hipótese? “Houve uma possibilidade de ser eu, não aconteceu, e foi a Teresa a escolha que foi feita, e bem feita seguramente. Os eleitores dirão o que pensam sobre isso.”

Mas o resultado de Santana Lopes seria melhor? “Nunca se sabe. Como dizem os senhores estrangeiros, you never know...”

Questionado ainda sobre as consequências que um mau resultado das autárquicas terá para o líder do PSD, Santana respondeu com La Palice: “Domingo à noite, é domingo à noite; hoje é sexta-feira. Não quero falar sobre isso, mas à partida autárquicas são autárquicas e ninguém o pôs em causa.”

Mas Santana Lopes frisou que não é daqueles que fingem que as autárquicas não têm leituras nacionais. “Eu não gosto de ser cínico, e se penso que têm [leitura nacional], não vou dizer que não têm. Têm sempre. Qualquer eleição num país todo tem uma leitura nacional.” Porém, atalhou também que a “leitura nacional não é um drama, é retirar ilações. Não são legislativas, isso também não são.”

E pronto, foi o “apoio” possível.