Siga-nos

Perfil

Autárquicas 2017

Autárquicas 2017

Medina, Assunção e Ferreira a desfilar no Chiado. “Gosto de os ver passar mas não páro para ir ter com eles”

Medina foi o primeiro a descer o Chiado

Luís BArra

1,2,3… Pelo chiado, em Lisboa, passaram três arruadas: o PS com Medina e Costa, o PCP com João Ferreira e Jerónimo e o CDS com Assunção Cristas a liderar a marcha. Já ao final do dia, e sem quase ninguém esperar, ainda apareceu o PAN. A descida pelo Chiado para encerrar as campanhas já é tradição. Houve pastéis de nata e de bacalhau, licores, (muito) calor, bandeiras, confetis, e música. Mas, sobretudo, houve o apelo ao voto no próximo domingo

Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

Texto

Jornalista

Luís Barra

Luís Barra

Fotos

Fotojornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotos

Fotojornalista

António Ramos tem 90 anos. Desde 1945 que trabalha na Casa Pereira, no Chiado, no centro de Lisboa. Já perdeu conta às arruadas que pela sua porta desfilaram, pelos candidatos que entraram para o cumprimentar. Esta sexta-feira, último dia de campanha eleitoral, a história voltou a ser a mesma. À frente da montra daquela loja com história, que cheira a café e chá, passaram os candidatos à Câmara de Lisboa: Fernando Medina (PS), João Ferreira (CDU) e Assunção Cristas (CDS).

“Já vi muita coisa… Agora está tudo completamente diferente. Andam sempre por aqui e gosto de os ver passar, mas não páro para ir ter com eles, muito menos se tiver clientes na loja. Não tenho partidos nem candidatos. No domingo, vou votar, como sempre votei”, conta António.

Luís Barra

Com mais de uma hora de atraso, após o almoço com militantes socialistas, Fernando Medina foi o primeiro a descer o Chiado, lado a lado com António Costa. Os dois, acompanhados pelas mulheres e por um grupo bem composto de apoiantes (mais tarde foi considerada “como uma das maiores arruadas de sempre”) começaram a descer a rua Garret ao som da banda que tocava “cheira bem, cheira a Lisboa”.

“A última vez que viemos foi com o Mário Soares, lembraste? O meu Marocas… até me dá vontade de chorar”, ouve-se uma mulher comentar com o marido assim que acabam de sair da estação de metro e dão de caras com o mar de gente. O sol quente da tarde bate mas ninguém arreda pé. Uns com bandeiras, outros com rosas vermelhas nas mãos, alguns de t-shirts com o símbolo do PS e uns completamente equipados a rigor com tudo isto. “Lisboa vai votar e Medina vai ganhar!”, ouve-se. Pum! Mais uma explosão de confetis cor-de-rosa e brancos.

Nas janelas, as pessoas juntam-se para acenar. Na rua, lisboetas quebram a barreira de segurança para tentarem tirar uma fotografia ou trocar um breve cumprimento. “Força”. A arruada desta tarde poderia muito bem ter sido de António Costa, que ali se encontrava como líder socialista e não como primeiro-ministro. Foi ele o grande centro das atenções, quase ofuscando Medina em alguns momentos.

Luís Barra

Com poucas paragens seguiram pela rua do Carmo, Rossio e, por fim, rua Augusta, onde mais que uma vez foram interpelados por empregados de mesa que lhes ofereceram, primeiro, águas e pastéis de nata, e depois um licor e pastéis de bacalhau. “Viva o PS”, brindaram.

O MUDE – Museu do Design e da Moda foi o local escolhido para terminar e falar para todos aqueles que ali estavam. Costa falou pouco, apenas e só uma frase: “Lisboa vai votar e Medina vai ganhar!”. Medina apelou ao voto e a um último esforço nas freguesias para que no domingo os socialistas tenham uma “grande vitória”.

Duas gerações

Marcos Borga

Ainda mal Costa e Medina tinham acabado de descer o palanque, já arrancava novamente no Chiado a segunda arruada do dia. Exatamente à hora marcada, lá estavam João Ferreira, candidato da CDU à Câmara de Lisboa, e Jerónimo de Sousa. Coincidência (ou não) vestiam camisas da mesma cor, mostravam uma expressão semelhante e uma postura muito parecida. Fizeram um percurso mais curto do que os socialistas e o espetáculo foi menor (a música era mais discreta, não havia explosões de papelinhos coloridos e os apoiantes apenas enveredavam bandeiras).

“Foi o João que me pediu para vir. Já o conheço há muito tempo…”, diz Manuela Santana, que furou o cordão de apoiantes para dar um beijinho a João Ferreira, que retribuiu entregando-lho um cravo vermelho, que minutos antes lhe tinha sido oferecido por uma mulher que ali passava.

Marcos Borga

O chão era espelho da festa que ali passou minutos antes, mas no final da rua do Carmo lá estava um pequeno palco montado com microfone. João Ferreira, apresentado como “valoroso combatente e candidato” e que além de Jerónimo teve a seu lado Heloísa Apolónia, aproveitou para se dirigir às pessoas que ali estavam para o apoiar.

Foi tudo rápido e sem grandes perdas de tempo. Há que aproveitar os últimos minutos da campanha. Depois da arruada, Jerónimo ainda seguiu para um jantar em Almada e ia terminar a noite em Odivelas e Loures.

Um confronto amigável e inesperado

Tiago Miranda

Já com o sol a desaparecer, chegou a vez de Assunção Cristas e do CDS. Quando se preparavam para arrancar, eis que se começa a ouvir uma outra música. Ao longe, vê-se um globo terrestre e bandeiras. É o PAN que vem a subir a rua por onde os centristas iam descer. Trocam cumprimentos e sorrisos, por momentos, os dois grupos fazem um despique de cantares. De um lado grita-se “Assunção, Assunção”. Do outro, “domingo sai de casa e vota PAN”.

O Pessoas Animais e Natureza desvia para deixar passar aquele que foi o terceiro partido a descer o Chiado. O CDS foi o grupo mais pequeno da tarde, mas foi o mais barulhento, o que mais pulou e dançou. Pelo meio, uma turista brasileira, aproveitou o desfile para dançar um samba como se de um desfile se tratasse.

As pessoas vão para a janela, aproximam-se de Assunção e falam. Também ela se desvia do percurso para ir ter com as pessoas. “Vamos ganhar, têm o meu voto e dos meus”, garante-lhe um homem que estava sentado numa esplanada.

Tiago Miranda

Cristas, que já tem planeada a agenda para os primeiros dias como Presidente da Câmara, distribui sorrisos e segue até ao rossio, onde ao contrário de Medina e Ferreira não havia nem um palanque nem microfone.

“Olha, falamos ali”, diz um dos membros da candidatura para Assunção Cristas, apontando para a frente do Teatro Nacional D. Maria II, onde está um carta em que se lê: “Vamos fazer história”. A líder centristas gostou da ideia: “Vamos fazer história! Yes!”, repetiu.

Apesar das sondagens darem a vitória a Fernando Medina, Cristas desvalorizou, explicando que no CDS “quando se assina como militante, recebe-se um kit de vacinas para as sondagens”. Ainda subiu a um banco e com um megafone na mão pediu que fossem votar no domingo.