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Autárquicas 2017

Autárquicas 2017

Do candidato-mistério ao “chiça, porra, que é demais”: os cartazes mais caricatos destas autárquicas

Já se sabe que campanha autárquica é sinónimo de uma vaga de cartazes divertidos (propositadamente ou nem tanto) espalhados pelo país fora. Fazemos uma seleção dos melhores e terminamos com alguns hinos de campanha que podiam ser verdadeiros êxitos de verão

Em tempo de autárquicas, o país enche-se de propaganda política, em particular cartazes e outdoors, que apelam ao voto, anunciam medidas e repetem slogans. E, como seria de esperar, quando há tanta tentativa de acertar também há erro ou, no mínimo, tiros ao lado, frases que talvez não tenham sido alvo de grande reflexão e slogans que não encaixam como deveriam.

Fizemos uma seleção, em boa parte vinda da página de Facebook de sucesso “Tesourinhos das Autárquicas” e de uma recolha pelas redes sociais, dos momentos mais divertidos desta campanha, deixando de lado discursos sérios e declarações políticas. Aqui, qualquer semelhança com tudo isso é quase mera coincidência – o que sobressai são as gafes, as ideias divertidas ou até aquelas que, propositadamente, se fizeram para chamar a atenção e foram bem-sucedidas. Sem esquecer, claro, os memoráveis hinos de campanha que sempre se fazem, pensados para nos ficarem na cabeça, teimosos, durante dias a fio. Afinal, o que seriam umas autárquicas sem um bocadinho de humor?

Muda de vida – com estilo

Não é novidade que muitas vezes antigos candidatos ou até mesmo autarcas “aterram” em concelhos ou freguesias mais ou menos próximos, provocando o chamado efeito paraquedista. Ou então, ficam no mesmo sítio mas mudam de partido ou movimento. A originalidade é quando decidem aproveitar a mesma fotografia da última vez, que os tempos não estão para despesismos e há que aproveitar recursos…

Chama-me o que quiseres

Foi uma das campanhas mais mediáticas e tem explicação, mas quando chegou às redes sociais os comentadores dividiam-se entre a incredulidade e as gargalhadas (quando não acumulavam as duas reações). Neste exemplo lê-se a já famosa frase “Eu sou a Cris mas podes chamar-me Salomé”, mas da campanha fazem parte muitos outros cartazes em que o nome “Cris” se substitui por Mila, Victor ou Tixa, por exemplo, com as respetivas fotografias a acompanhar. Conforme explicou ao portal Sapo 24, a referida Salomé é Salomé Castanheira, candidata do CDS à União de Freguesias de Águeda e Borralha, e sabe que a ideia de pôr pessoas reais nos cartazes com aquela frase foi uma estratégia “arriscada” – que pelos vistos resultou, ou não fosse esta uma das campanhas que fizeram mais sucesso nas redes sociais.

O candidato-boneco

Na mesma linha pensou Ângelo Pereira, candidato do PSD e CDS à Câmara de Oeiras que começou a ser falado ainda a sua cara não era conhecida: é que os seus cartazes apenas mostravam um boneco, acompanhado por excertos do seu currículo (ficámos a saber, por exemplo, que tem 41 anos, começou a trabalhar aos 12 e que da sua obra na vereação de Oeiras faz parte o lançamento do espaço cidadão). O candidato explicava ao Expresso na semana passada, em campanha e com a sua mascote atrás, que foi preciso tomar medidas drásticas para aumentar a sua notoriedade, num concelho a que concorrem o ex-autarca Isaltino e o atual, Paulo Vistas.

O vernáculo como arma de campanha

“Chiça, porra que é demais”: é difícil imaginar slogan mais chamativo que este. Em vez de um mais vulgar apelo à mudança ou uma crítica aos anos passados, a campanha do candidato socialista Olímpio Galvão em Montemor-o-Novo decidiu ir mais longe e protestar vigorosamente. “40 anos do mesmo?! É urgente mudar!”, acrescenta. Afinal, Montemor-o-Novo é um dos concelhos que desde as primeiras autárquicas, em 1976, nunca mudaram de partido: a escolha recaiu sempre sobre a CDU.

E por falar em mudança…

…Também se pode pedir para dar uma volta “a isto”. Neste caso, uma volta muito literal.

Problema de expressão

Os candidatos do PNR às várias câmaras optaram por decorar os seus cartazes com figuras dos principais edifícios e monumentos dessas zonas – e também por um vocabulário algo alternativo, com abreviaturas como “p’Almada” ou “Oeiras (a)Linha”.

Um lema romântico

Há quem aproveite o ritmo de canções conhecidas para o seu hino de campanha, mas também há quem prefira aproveitar os versos para adaptar aos seus cartazes. Neste caso, Manuel Pizarro, candidato socialista à Câmara do Porto, pegou numa expressão que desde a vitória de Salvador Sobral na Eurovisão passou a ser conhecida dos portugueses e adaptou-a à campanha: “Amar pelos Dois” passou a ser “Fazer pelos Dois”. Não por Pizarro e o antigo aliado, Rui Moreira, claro, uma vez que as relações entre o PS e o independente já azedaram há algum tempo. É “pelo Porto e pelos portuenses”.

Talk-shows autárquicos

Há cartazes com medidas e promessas, e depois há imagens que só querem mesmo melhorar a disposição de quem passa. Há pelo menos dois candidatos portugueses que quiseram cumprimentar os eleitores e fizeram imagens com lemas que quase podiam confundir-se com, por exemplo, o nome de um talk-show matinal.

Onde é que já vimos este filme?

Depois da regra sobre a limitação de mandatos ter sido posta em prática, em 2013 foram vários os chamados dinossauros autárquicos que ficaram de fora da corrida. Mas quem tinha saudades já as pode matar: por todo o país, eles estão de volta, prontos a reconquistar terreno. É o caso de Valentim Loureiro, em Gondomar, que anuncia sem hesitações: “O presidente” (que, a julgar pelo nome do movimento, tem um “coração de ouro”) “está de volta”.

Cuidado com eles

Há sempre slogans que se adaptam de forma divertida ao nome da freguesia ou município em causa. Neste caso, a junta de Sarilhos Grandes, no Montijo, teve direito a um cartaz sugestivo – e os óculos escuros fizeram o resto.

Cartazes em movimento

Para quem se farta dos clássicos cartazes, com ou sem óculos escuros, também há imagens mais originais: por exemplo, há quem seja fotografado num aparente momento espontâneo, neste caso a fazer um comboio, quem sabe, numa qualquer festa popular. Ou quem queira pôr tanta coisa no cartaz que acabe, por questões tipográficas, por quase se contradizer… Ou quem ponha coisas a menos, deixando a sensação de faltar ali qualquer coisa.

Campanha zen

Se estiver a achar esta campanha muito crispada ou agitada, não há problema: candidatos como Marisa Ribeiro, neste caso à Câmara de Gaia e pelo PTP, prometem um estilo “zen”, com muita paz e tranquilidade. Na mesma linha, também há quem aposte no “amor”, neste caso o candidato independente Humberto Correia, para a Câmara de Faro.

Guerra dos Tronos

Em Peniche leva-se a guerra autárquica a sério, incluindo até cartazes com referências à série de sucesso “Guerra dos Tronos”. Falta saber se estes candidatos se sentarão no Trono de Ferro e comandarão os destinos de Westeros, perdão, Peniche.

Promessas difíceis

As redes sociais chamam a atenção para o problema das promessas difíceis de cumprir. Por exemplo, o candidato Pedro Morte, do PS, promete “ser o futuro” (e por falar neste apelido, deixamos o exemplo de Basílio Horta, em Sintra, que provavelmente não percebeu bem onde estava a colocar o seu cartaz). No PCTP-MRPP, fala-se numa “ruptura com o passado”, mas os candidatos propostos não parecem ser a melhor ilustração do lema…

Nem só Marcelo dá afetos

País fora, também se encontram exemplos de candidatos muito afetuosos. É o caso destes dois candidatos da CDU a Sesimbra, que decidiram registar o abraço para a posteridade.

Por todo o lado, encontra-se ainda quem nos dê música – normalmente, é música que não quer sair do ouvido, por isso aconselhamos cautela a quem avançar por esta secção fora. Seja com versões da canção do Euro2016, para lembrar o golo de Éder, ou com o êxito deste verão, “Despacito”, certamente encontrará versos conhecidos para trautear.