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Autárquicas 2017

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Cristas lamenta que Medina não tenha ascendente sobre o Governo

Luís Barra

A presença do ministro das Finanças, Mário Centeno, esta quinta-feira de manhã, numa ação de campanha de Fernando Medina, suscitou à candidata do CDS a oportunidade para retomar uma crítica que faz recorrentemente ao atual presidente da Câmara: “Não o vejo influir em nada o Governo”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

(texto)

Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

(fotos)

Fotojornalista

É um dia normal na campanha de Assunção Cristas para a presidência da Câmara de Lisboa: de vez em quando, os meninos da Jota que a acompanham nas ações de rua estendem as bandeiras atrás da candidata, formando uma espécie de cenário de fundo, as câmaras e os microfones rodeiam-na, e ela responde às perguntas dos jornalistas, ora na qualidade de candidata autárquica, ora na de líder do CDS, aproveitando os temas que fazem o noticiário do dia para tentar fazer passar a sua mensagem - seja esta a local (se se proporcionar) ou a nacional (mais frequente).

Esta quinta-feira, a seguir ao almoço, após entregar meia dúzia de panfletos e trocar outros tantos (ou ainda menos) dedos de conversa com quem passava por uma das portas do centro comercial das Amoreiras, não foi diferente. A imprensa interrogou-a sobre o presença de Mário Centeno, ministro das Finanças, esta manhã, numa iniciativa de campanha de Fernando Medina, e ela não desperdiçou a oportunidade para disparar sobre o adversário (o único, dos onze com quem disputa as eleições de 1 de outubro na capital, que lhe merece ‘troco’): “Medina beneficia da circunstância não só de ‘estar’ Presidente como de ter um Governo que o leva ao colo”. Prosseguiu, reeditando uma crítica que amiúde ao atual presidente da Câmara, que acusa de não tirar qualquer vantagem do facto de ter a mesma cor partidária do Executivo do país: “Só vejo fluxos de influência do Governo para Fernando Medina e não de Medina para o Governo; não o vejo influir em nada”.

Luís Barra

Depois, um comentário ao estudo (divulgado hoje pelo Público) de um grupo de economistas, entre os quais Paulo Trigo Pereira (deputado eleito pelo PS) que alerta para o facto de não ser possível ao Governo descongelar carreiras, baixar IRS e aumentar pensões, tudo ao mesmo tempo. Reconhece que este Governo, “que sempre criticou os objetivos do défice", agora está a cumpri-los. “E ainda bem. Gostava de o ver a cumprir também os objetivos da dívida". “Contas públicas em ordem são uma condição para o país poder progredir”, lembra. O que a leva a assumir dúvidas sobre se “há margem para diminuir impostos” quando há tantos e evidentes cortes no investimento em domínios como a Educação ou a Saúde. E acaba a dizer o mesmo que os economistas, ainda que por outras palavras: “A pergunta é: o lençol chega a todo o lado?".

Por fim, as novas regras para a imigração, que Passos Coelho anunciou esta quinta-feira de manhã querer revogar. Cristas confessou-se preocupada com uma lei que foi aprovada (com os votos contra de CDS e do PSD) “em contraciclo com as preocupações da UE e contra os pareceres sustentados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras”. E até concordou com o líder do PSD: “Um contrato de trabalho é uma forma de [os imigrantes] virem, e bem. Uma mera promessa de trabalho não é suficiente”.

Luís Barra

A “arruada” prosseguiu depois, num curto trajeto das Amoreiras até quase ao largo do Rato, com poucos transeuntes pelo caminho a quem entregar propaganda e pedir que “passem a palavra”. É um facto incontestável que as campanhas continuam a ser feita pelas (e para as) televisões e o número “do dia” já estava cumprido. Amanhã há-de haver mais.