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Autárquicas 2017

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Passos ao lado de André Ventura: “Não podemos ter medo dos demagogos e dos populistas que permitem que situações injustas perdurem”

PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

Segundo o ex-primeiro-ministro, querer reduzir um entendimento do Governo com o PSD às grandes obras públicas é “ridículo”

“Os ciganos vivem quase exclusivamente dos subsídios do Estado”, disse André Ventura, candidato do PSD à liderança do município de Loures, numa entrevista em julho. E assim começou um turbilhão de polémica. O CDS abandonou o apoio deste candidato e os partidos da esquerda partiram ao ataque destas declarações. Passados dois meses, em entrevista à “CMTV” na quinta-feira à noite, Pedro Passos Coelho voltou a defender o candidato do PSD a Loures e acusou quem criticou as palavras do social-democrata de demagogia e populismo.

“Na altura, procurei que ele [André Ventura] se clarificasse perante as pessoas. Não tinha dúvidas sobre isso porque já tinha falado com ele sobre o que se passa em Loures e noutros pontos do País. Existem respostas que são discriminações positivas mas as pessoas acabam por criar uma espécie de oferta garantida pública que não tem nenhuma contrapartida. Não podemos fechar os olhos, na política, a estas situações. Não podemos ter medo dos demagogos e dos populistas que permitem e, no fundo, com a sua atitude, permitem que situações que acabam por ser profundamente injustas perdurem. E isso, sim, cria uma reação muito negativa”, disse o ex-primeiro-ministro.

Passos, o “mau da fita”?

Pedro Passos Coelho recusa ter, neste momento, o papel do político “mau” ao nível nacional, por comparação com o “bom” António Costa. “Se essa fosse a opinião média dos eleitores não teria tido mais votos que António Costa nas legislativas. O ponto que se põe é se perdemos ou não tempo com esta solução de Governo e eu acho que perdemos. Está-se a vender uma ilusão. É uma política dissimulada”, disse.

Questionado ainda sobre o repto lançado por António Costa para um acordo de 'dois terços' para os investimentos pós-2020, Passos, mais uma vez, disse não ter “dificuldades em escolher coisas que são importantes para o futuro do país”. Mas o Governo que não espere o seu apoio.

“A política não é uma soma de casos pessoais. Podemos gostar mais ou menos das políticas ou dos políticos que as realizam, mas não usamos os portugueses como moeda de troca. Outra questão é querer reduzir isso a um entendimento com o PSD sobre grandes obras públicas. Isso é ridículo. Porque nós, sobre o programa de grandes investimentos em infraestruturas, tivemos um acordo com o PS que não saiu do papel. Dois anos depois, ficou onde estava”, explicou.