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Autárquicas 2017

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Medina considera “impróprias”, “irreais” e “absurdas” suspeitas sobre imóvel que comprou

Fernando Medina durante a entrevista ao Expresso: Lisboa está mais rica, diz; mas não está toda ao mesmo nível

tiago miranda

No site da sua candidatura à autarquia de Lisboa, Fernando Medina divulgou um comunicado explicando que adquiriu uma casa “como qualquer cidadão” com recurso a crédito bancário, tendo como motivo ter residência próxima dos sogros

O candidato do PS à Câmara de Lisboa e atual presidente da autarquia, Fernando Medina, classificou esta quarta-feira de “impróprio, irreal e absurdo” o facto de se associar a compra de uma casa na capital com as suas funções enquanto autarca.

Em comunicado, Fernando Medina esclarece que comprou uma casa no mesmo prédio dos sogros na zona da Avenida das Vendas Novas, por 645 mil euros, por se tratar de uma “oportunidade única.”

“Adquiri uma casa como qualquer cidadão. Tive como motivo ter residência próxima da família, para bem-estar de todos. Tive conhecimento por anúncio e negociei exclusivamente através de agência. Paguei um valor totalmente em linha com o mercado e os praticados neste imóvel. Recorri a financiamento bancário para pagar a compra”, explica o autarca.

Medina refere também que após ter adquirido a nova casa vendeu a anterior, também situada nas Avenidas Novas, pelo valor de 490 mil euros. E garante ainda que em agosto de 2016 atualizou a sua declaração do Tribunal Constitucional para incluir a referência a esse negócio.

“Até ser questionado por órgãos de comunicação social, nunca pensei que fosse imaginável qualquer associação deste ato de compra de casa às minhas funções na CML ou a decisões aí tomadas”, acrescenta.

Em nome da “transparência”, o autarca anexou no comunicado toda a documentação que comprova as suas explicações sobre o negócio.

O Ministério Público anunciou esta quarta-feira que está a investigar a compra de um imóvel por parte do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, na sequência de uma denúncia anónima recebida na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em resposta enviada à agência Lusa, a PGR confirma que "a matéria relativa à compra do imóvel é referida numa denúncia anónima recebida na Procuradoria-Geral da República em finais de agosto" e que a participação foi remetida ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, "onde se encontra em investigação".

Na terça-feira, Fernando Medina já tinha garantido que cumpriu "escrupulosamente" as obrigações legais relativamente à entrega da declaração de rendimentos ao Tribunal Constitucional, afirmando que foi "totalmente transparente".

"Entreguei uma declaração ao Tribunal Constitucional informando de uma aquisição que estava a fazer, um contrato promessa. Aliás, tive a atenção de ceder a declaração e de ir muito mais além do que é pedido, do que a lei obriga, que é explicar a forma como essa aquisição seria financiada. No meu entender, isso é suficiente do ponto de vista das obrigações legais", indicou aos jornalistas Fernando Medina, à margem da apresentação da comissão de honra da sua candidatura à Câmara de Lisboa, presidida pelo fadista Carlos do Carmo.

O “Observador” noticiou terça-feira que Fernando Medina não declarou ao Tribunal Constitucional ser proprietário de um duplex no centro de Lisboa que adquiriu a 27 de setembro de 2016 por 645 mil euros, tendo apenas informado do pagamento de um sinal de compra de 220 mil euros.