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Autárquicas 2017

O debate de Lisboa disse-nos muito sobre Passos Coelho!

Não é fácil encontrar um vencedor do primeiro debate dos candidatos à câmara de Lisboa. No entanto, é relativamente óbvio que a prestação menos conseguida foi a de Teresa Leal Coelho, a candidata que aceitou entrar na corrida depois da nega de Santana Lopes a Passos Coelho. Leal Coelho refletiu o que foi toda a história da escolha da candidatura a Lisboa: um processo trapalhão, sem racional e, sobretudo, sem um projeto claro.

Nada tenho contra Leal Coelho, aliás reconheço-lhe a lealdade e a coragem demonstradas, não só em algumas posições assumidas no Parlamento, contrárias à orientação do partido, como a tarefa autárquica que assumiu a pedido de Passos. Não é qualquer um que aceita ser a segunda (ou terceira, ou quarta…) escolha e ainda para mais quando todos sabemos que não é para ter um bom resultado. As culpas serão discutidas mais tarde, mas diga-se já que não podem ser assacadas à candidata. A responsabilidade é e será do líder do PSD.

Mas o erro de Passos Coelho não se circunscreve apenas a Lisboa. O erro é nacional e deriva de um pensamento que foi aliás revelado por Assunção Cristas numa célebre entrevista ao Público: “Passos entendia que podia haver um risco de eleições legislativas antes das autárquicas”. Ao pensar assim, o líder social-democrata deixou-se levar pelo famoso “diabo” e não relevou estas eleições e a importância do poder local na máquina nacional. A realidade fez o resto: não houve sanções, a economia cresceu, o desemprego baixou e o défice fez história. Com as autárquicas à porta, e em cidades como Lisboa, o PSD deixou-se ficar na esquina de um desastre prometido. (Se se irá cumprir? Essa é outra discussão).

A (curta) sorte de Passos são as suas próprias derrotas. Ou seja, os sociais-democratas vêm de um resultado autárquico tão baixo (em 2013 conseguiram apenas 86 câmaras) que agora só podem subir. Uma vitória de Pirro que até pode ser suficiente para que Passos se aguente no poder, mas na verdade a fasquia laranja está muitos pontos abaixo da história de conquistas do PSD autárquico.

Regressando a Lisboa, dizer, como se diz nos mentideros sociais-democratas, que Leal Coelho “não esteve mal” ou que “face às expectativas até lhe correu bem”, mostra bem o espírito com que o principal partido da oposição parte para este combate. Nada de novo se olharmos para o que o partido fez na CML nos últimos 4 anos. Passos Coelho devia ter apostado em Assunção Cristas, claramente mais preparada e eficaz. Como não quis ir a reboque do pequeno partido, arrisca a que muito do eleitorado do PSD ou não vá votar ou prefira pôr a cruz no CDS. Mais: com a direita enfraquecida, Medina fica mais protegido e o BE ganha espaço.

Teresa Leal Coelho não o faz de propósito, mas, na verdade, revela-nos um sentimento que paira no PSD de Passos Coelho. Como é para perder, o importante é despachar a coisa e mudar de ciclo. Não sendo nas autárquicas, já só será nas legislativas.