As eleições autárquicas de 11 de Outubro marcarão a despedida de diversos "dinossauros" autárquicos, muitos dos quais no poder desde 1974 e que por imposição legal têm em 2009 a última oportunidade de concorrer à presidência da Câmara.
O sufrágio local deste ano será a última possibilidade para diversos políticos concorrerem à presidência da autarquia antes de entrar plenamente em vigor a lei nº 46/2005, que limita os mandatos dos presidentes de Câmara e de Junta.
O presidente da Câmara de Vila Nova de Poiares, Jaime Soares (PSD), em exercício desde o 25 de Abril de 1974, define a lei que limita os mandatos autárquicos como "um atentado à democracia", criticando a sua aprovação em Assembleia da República (AR), já com o executivo de José Sócrates (PS) no poder.
"Os senhores deputados não foram capazes de criar uma lei que também limitasse os seus mandatos, e alguns já estão lá há vinte e trinta anos. Não lhes dava jeito, não é?" - questiona.
Afirmando não compreender o porquê da lei de renovação sucessiva de mandatos abranger em exclusivo os governadores locais, o histórico líder da câmara de Poiares, hoje com 65 anos, compara a vivência de autarca, "uma honra muito grande", com os cargos políticos desempenhados por membros do Governo e da AR.
"Tomara muitos dos que estão na governação e na AR sentados a fazer leis terem a dignididade, a honra e a forma de estar na vida como efectivamente têm a maioria esmagadora dos presidentes de câmara deste país", referiu à agência Lusa.
Já o presidente da Câmara Municipal de Benavente, António José Ganhão (CDU), no cargo desde 1979, afirmou à Lusa "não ter o sentimento" de que a lei aprovada em 2005 seja "justa, correcta e adequada".
"Acho que quem limita os mandatos das pessos é o povo", refere o autarca da CDU.
António José Ganhão compara também a aplicação da lei a nível local e a sua não execução em termos de Poder Central: "os senhores deputados não têm qualquer limitação, podem ser deputados uma vida inteira. Não se percebe por isso por que é que pretendem retirar às populações o direito democrátido de poderem escolher [em quem votar]".
Mesquita Machado (PS), presidente da Câmara de Braga, Mário Almeida (PS), autarca de Vila do Conde, e António Bugalho (CDU), presidente da autarquia de Sobral de Monte Agraço, são outros "dinossauros" do poder local que se despedem de cena com as eleições autárquicas de 11 de Outubro.