A Câmara Municipal, através da Vila Real Social
, vai remodelar e equipar três espaços existentes nos bairros sociais de Vila Nova, Parada de Cunhos e São Vicente de Paula para garantir serviços de estudo acompanhado e de ocupação de tempos livres para os idosos e moradores em geral, num investimento superior a 150 mil euros, que deverá ficar pronto a tempo do próximo ano lectivo.
Armando Vieira, do Conselho de Administração da Vila Real Social, explicou que o projecto "+ Social" surge da necessidade de acompanhar os residentes mais jovens dos bairros sociais no seu percurso educativo com o objectivo de combater o abandono escolar, uma problemática crescente registada através da análise de um inquérito social realizado aos vários agregados familiares, e cujas conclusões foram apresentadas publicamente ontem.
Com o trabalho porta a porta realizado por uma equipa técnica especializada, a Vila Real Social, empresa responsável pela gestão do parque habitacional social do concelho, quis "ouvir cada morador tentando entender e compreender as principais problemáticas sentidas no seu Bairro".
As dificuldades das famílias em acompanhar os estudos das suas crianças e o elevado nível do abandono escolar levaram a empresa a agir, criando assim o projecto que vai disponibilizar três "espaços multiusos", onde os mais pequenos terão aulas de apoio.
Além de remodelar e equipar os espaços "com todas as condições tecnológicas que hoje são necessárias para este tipo de salas", o papel da autarquia passará ainda por estabelecer parcerias que garantam o empenho de pessoas capazes de ajudar os alunos, crianças e jovens, a terem um melhor aproveitamento na escola.
"A ideia é que cada espaço corresponda às necessidades de cada bairro", sublinhou Armando Vieira, referindo que serão ainda criadas salas de convívio, pequenos auditórios e serviços de apoio, que permitirão a realização de várias actividades, quer de ocupação do tempos para os mais idosos, quer de animação para os moradores em geral.
Perspectivando que cada bairro seja capaz de dar vida ao "+ Social", a Vila Real Social espera que, com o funcionamento e dinâmica dos próprios espaços, poderão, inclusivamente, ser alargadas as suas áreas de actuação.
Autarquia vai ser mais pró-activa no apoio às pessoas carenciadas
No que diz respeito às conclusões da análise realizada em 2010, Armando Vieira explica que se tratou de um esforço para conhecer mais à fundo a situação de cada uma das famílias residentes nos cinco bairros sociais vila-realenses, de forma a, "internamente, melhorar as ferramentas e as formas de actuação".
Realizado periodicamente, com intervalos de quatro ou cinco anos, a conclusão do inquérito social mostra o retrato dos moradores, desde a faixa etária predominante aos rendimentos, passando pela forma como passam o seu tempo livre ou pelas principais necessidades e preocupações. Trata-se de "informação útil e necessária para melhor cumprirmos a nossa missão", explicou Armando Vieira, revelando, por exemplo, que uma das conclusões a que se chegou através do estudo é que a realidade de algumas famílias é mais complicada do que se pensa...
"Apesar de toda a ajuda disponibilizada através da Loja Social, afinando internamente algumas situações percebemos que devemos ser mais pró-activos na questão do apoio às famílias, devemos ir mais vezes, porta a porta, disponibilizar ajuda", explicou o mesmo responsável, referindo que "há famílias em situações muito difíceis mas que têm vergonha de pedir ajuda".
De recordar que, através do programa "Câmara Amiga", a Câmara Municipal de Vila Real garante vários serviços de apoio aos mais desfavorecidos como por exemplo a Loja Social (entrega de bens alimentares, roupa, calçado, livros, brinquedos, mobiliário,...), o Cartão do Idoso e da Família Numerosa, a Oficina Domiciliária e a Unidade Móvel de Saúde, entre outros.
Mais de 90 por cento dos moradores estão satisfeitos
Muitas outras conclusões se podem tirar do estudo que ontem foi apresentado e que agora tem como objectivo não só o tratamento interno dentro da Vila Real Social, mas também a análise por parte da comunidade académica, estudantes e investigadores dos cursos da UTAD ligados à área social.
Segundo o documento, "90 por cento dos moradores estão satisfeitos com o trabalho feito, com a casa onde moram, com o bairro onde vivem", sublinhou Armando Vieira, revelando, entre muitos pontos positivos e alguns negativos enumerados nos inquéritos, por exemplo, a redução do consumo de produtos estupefacientes e a problemática do estacionamento no Bairro da Araucária.
"As situações mais difíceis têm a ver com a questão do desemprego", explicou Armando Vieira, relatando que muitas famílias apoiam-se na Segurança Social, no subsídio de desemprego ou no rendimento mínimo de inserção.
Actualmente, a Vila Real Social gere cinco bairros, num total de mais de 700 habitações. Em lista de espera por uma casa estão mais de duzentas famílias, no entanto, como explicou o mesmo responsável, desses pedidos muitos são de situações que entretanto se alteraram e que não foram actualizadas, sendo que os casos mais prementes são acompanhados pela autarquia.
"Os nossos objectivos centram-se nas pessoas, estaremos satisfeitos no dia em que todos os cidadãos de Vila Real sintam que tudo está feito e nada pode ser melhorado, até lá continuaremos a dar o nosso melhor na certeza de estarmos a contribuir para um concelho mais justo e solidário", reforça a Câmara Municipal.