"Austeridade" é a "palavra do ano" de 2011, escolhida por 12 milinternautas, avançou hoje à Lusa fonte da Porto Editora que organiza a iniciativa desde 2009.
A "austeridade" seguiu-se "esperança" e, em terceiro lugar, ficou "troika", disse à Lusa a mesma fonte.
Questionado pela Lusa sobre a escolha de austeridade, o antropólogo social José Sobral, da Universidade de Lisboa, com trabalho na investigação linguística e estrutura social, afirmou que "é compreensível", na medida em que "logo no começo do ano passado, ainda com o Governo de José Sócrates, começámos todos a ouvir falar em austeridade e que se tinha de se ser austero nas contas".
José Sobral trabalhou na pesquisa de terreno do projecto "Vocabulário do Português Fundamental" e foi membro da equipa de investigação do "Atlas Linguístico da Europa" e do "Atlas Linguístico e Etnográfico de Portugal e da Galiza", no então Centro de Estudos Filológicos.
"Esperança" em segundo lugar
Para José Sobral esta escolha justifica-se, ainda mais com a segunda classificada, "esperança". "A 'esperança' surge como uma forma de legitimação da austeridade", afirmou à Lusa para sublinhar em seguida: "Sem 'esperança' nenhum Governo se aguentava".
Para o antrópologo "todo o discurso político está saturado, desde o início do ano passado, da palavra 'austeridade' e daí ser lógica a escolha dos portugueses".
A "palavra do ano" 2011 é hoje conhecida pelas 15h numa cerimónia na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures.
"Vai vir charters"
Constituído o pódio - "Austeridade", "Esperança", "Troika" -, em quarto lugar ficou "charter", uma palavra que "passou a fazer parte de todas as
conversas desde que o ex-futebolista Paulo Futre fez notícia com a expressão 'vai vir charters'", explicou a mesma fonte.
No quinto lugar classificou-se "fado" e, em sexto, "voluntariado" - 2011 foi o Ano Europeu do Voluntariado e foi o ano em que, no dia 27 de novembro, a UNESCO declarou o Fado Património Imaterial Cultural da Humanidade.
Em sétimo lugar ficou "desemprego", em oitavo "Sushi", em nono "emigração" e, em último, "subsídio".
A iniciativa "palavra do ano" é da Porto Editora, que tem uma forte componente de especialização na área dos dicionários e da lexografia.
O lote das dez palavras foi constituído pela equipa de linguistas do Departamento de Dicionários, "tendo como critérios a frequência de uso, a relevância assumida ou então simplesmente porque se relaciona com algum tema muito marcante", disse a mesma fonte.
Em 2009, a "palavra do ano" foi "esmiuçar" e, em 2010, "vuvuzela".