22/05/2012 atualizado às 23:17

Áudio: O testemunho de uma jornalista portuguesa

A jornalista portuguesa Mariana Palavra, que se encontra no Haiti a coordenar as emissões da rádio das Nações Unidas, descreve os momentos fatídicos do terramoto. (Oiça os áudios da Rádio Macau/Expresso no final do texto).   Clique para visitar o dossiê Sismo no Haiti.

10:22 Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
A jornalista descreve os momentos do terramoto e o cenário de destruição que viu em seguida
A jornalista descreve os momentos do terramoto e o cenário de destruição que viu em seguida
Orlando Barria/EPA

Mais de 30 horas depois do sismo de terça-feira no Haiti, a jornalista portuguesa Mariana Palavra descreveu, num e-mail para amigos, os momentos que viveu durante o abalo e sublinhou a vontade de ficar naquele país

Clique para aceder ao índice do SISMO NO HAITI

"Eram umas 5pm (hora local), eu entretida a escrever a minha tese de mestrado (desporto para a paz e desenvolvimento - o caso do Haiti (...) no escritório (...), quando parece que a terra tremeu. Ainda pensei que era engano. O Haiti tem lá os seus problemas, mas terramotos não constavam na lista", começa por escrever.

"Mas continuava a abanar e todos se atiraram para o chão, para baixo das respectivas secretarias, menos o Patrick, claro, sempre a agir com um certo delay", acrescenta a jornalista que mantém sempre um tom positivo na mensagem e até

brinca com as reacções dos colegas que estavam com ela na zona do edifício das Nações Unidas que não ruiu, em Port-au-Prince.

Após o abalo, "todos correram à procura de uma saída", mas Mariana Palavra, que trabalha para a rádio das Nações Unidas, não saiu da sala sem antes arrumar e recolher os papéis da tese de mestrado.

"Lá fui, finalmente, descobrir que a saída do edifício estava bloqueada com destroços da parte central (e principal) do edifício que tinha acabado de ruir. A única saída foi uma janela de um terceiro andar, através de um escadote que caiu ali do céu e das mãos de vários militares que tinham conseguido sair dos respectivos escritórios", diz na mensagem.

Mariana Palavra descreve uma confusão generalizada, já que ninguém sabia "bem qual o sítio ideal para os sobreviventes", lembra os gritos da população e que o edifício das Nações Unidas, de seis andares, "passou a um andar, talvez dois, que diferença faz?".

"O pior estava à frente dos nossos olhos, durante cerca de setes horas. Todos sabíamos (e sabemos) de cor, quem trabalhava naqueles pisos", explica.

De madrugada, os sobreviventes foram transferidos para outra base da ONU e pelo caminho perceberam a força do abalo sísmico.

"Casas transformadas em pó, cúpulas/telhados/coberturas de vivendas caídas no meio da estrada, um centro comercial de quatro andares transformados num telhado raso (...) e nas principais artérias da cidade, a população procurou ontem e hoje um canto para dormir nos passeios, na separação das vias, ou no meio da estrada mesmo".

"Ao longo de vários quilómetros casas arrasadas, mas ninguém nas operações de salvamento" e hoje, à luz do dia, o cenário "não é pior nem melhor, é igual... sem palavras", escreveu Mariana ao salientar que a única diferença "é que se vêem os mortos (as vezes amontoados à meia dúzia) deixados à beira da estrada, embora nas ultimas horas já com lençóis por cima dos rostos".

Mariana Palavra conseguiu também ir à sua casa que ficou de pé e explica que agora tenta manter-se ocupada. Trabalhou na actualização da lista de sobreviventes, leu e-mails dos amigos.

"Tudo para não ir dormir tão cedo, tudo para não ter que acordar e ouvir o que todos estamos a espera", assinalou.

Lusa
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muito triste por o que se passou em Haiti
pastor51 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:44 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
isto é terrivel,foi mesmo nesse pais pobrezinho um FIM DO MUNDO,
 
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XENTE;AÍ EM PORTUGAL TEM TANTO CARA SEM FAZER NADA
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 16:08 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
XENTE;o melhor no meio desta tragédia;é o governo dai;mandar uma boa partes dos desmpregados;para o Haiti;e que pelo menos que sejam por lá úteis ao povo do Haiti..E o governo daí;lá lhes envia o subsídio de desemprego;e ainda lhes pode dar umas ajudas de custas;e pelos menos vão ser úteis a alguémm..até quando..???cumpts..kantiflas.
 
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