20 de maio de 2013 às 1:18
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Ativista do Movimento Sem Emprego recusa-se a pagar multa

Myriam Zaluar, acusada de "crime de desobediência qualificada", diz que não vai pagar a respetiva multa. E hoje voltou a distribuir panfletos com o Movimento, uma atitude que, da última vez, lhe valeu a acusação.
Carla Tomás

A ativista do Movimento Sem Emprego (MSE), constituída arguida e acusada de "crime de desobediência qualificada", por ter participado numa suposta manifestação a 6 de março, foi hoje notificada a pagar uma multa de 125 ou a cumprir 240 dias de trabalho cívico, numa instituição de solidariedade. Se não o fizer o processo segue para tribunal e pode incorrer numa pena de prisão até dois anos.

Myriam Zaluar recusa-se a pagar a multa e está disposta a ir a tribunal para que se faça justiça. "Se eu fosse de facto presa, seria a primeira prisão política do novo 'Estado Novo'", diz.

Jornalista free lancer e docente universitária, Myriam sublinha que se "têm multiplicado os sinais de tentativa de cercear os direitos mais fundamentais, da liberdade de expressão à liberdade de reunião e de manifestação". 

Recorde-se que 6 de março último, Myriam distribuía - juntamente com meia dúzia de outros ativistas do MSE - panfletos à porta do centro de emprego do Conde de Redondo, quando a polícia pediu a identificação de um deles. Foi Myriam que se identificou e que a 26 de abril teve de se apresentar na PSP, onde foi constituída arguida e acusada de "crime de desobediência".

Na altura, a porta voz da Polícia de Segurança Pública, Carla Duarte, disse ao Expresso que "duas pessoas já fazem uma manifestação" e que qualquer manifestação tem de ser comunicada à Câmara Municipal, o que não acontecera.

Na sequência da notícia do Expresso sobre este caso, o deputado do PCP António Filipe formalizou na Assembleia da República, a 3 de maio, várias questões sobre "a insólita atuação da PSP neste caso". 

O deputado comunista revelou a sua "perplexidade" perante a situação e lembrou que "a Constituição garante a todos os cidadãos o direito de se manifestarem pacificamente independentemente de qualquer autorização" e que "a distribuição de documentos em locais públicos não configura o exercício do direito de manifestação, mas o da liberdade de expressão e informação".

Também o constitucionalista Jorge Miranda considerou "duvidosa" a atuação da PSP e lembrou que "é preciso haver alguma razoabilidade".

MSE volta a distribuir panfletos


Entretanto, hoje, duas dezenas de membros do MSE juntaram-se novamente em frente ao centro de emprego do Conde Redondo para distribuir panfletos convocando os desempregados para a "Manifestação pelo direito ao Trabalho", que está prevista para 30 de junho.

Quatro agentes da PSP foram ao local mas, desta vez, não pediram a identificação de ninguém, nem dispersaram os ativistas que ordeiramente conversavam e distribuíam panfletos, como a 6 de março.

"A polícia acabou a autorizar hoje o que há um mês era considerado uma desobediência qualificada", recorda Renato, outro dos membros do MSE: "É uma forma de admitirem que tinham exagerado na atuação anterior".  

Comentários 11 Comentar
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Direito de expressão
Quando deixarmos de poder trocar informações e pontos de vista livremente na rua, estará tudo perdido.
Manifestações de duas pessoas?!
É mau de mais para ser verdade!
Re: Direito de expressão Ver comentário
O EXPRESSO ?
Cada vez melhor!
"última vez, lhe valeu a acusão."
Re: O EXPRESSO ? Ver comentário
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Estes juízes
São uma verdadeira vergonha.
O estado desta pseuda democracia...........
A porta voz da Polícia de Segurança Pública, Carla Duarte, disse ao Expresso que "duas pessoas já fazem uma manifestação" e que qualquer manifestação tem de ser comunicada à Câmara Municipal, o que não acontecera.

É a nova União-Nacional !!!

Até pelo valor do trabalho: 240 dias valem 125 euros !!

Deixe ir para tribunal, para ver gentalha desta mais uma vez gozada por toda da Europa civilizada.

Portugal é actualmente 37º no ranking mundial em liberdade de imprensa e de expressão.

Com os casos recentemente surgidos, passaremos para os níveis aplicados ao 3º mundo, às ditaduras, às tiranias.

Por onde anda aquele sujeito baixote, gordo e com voz de falsete que apregoava a asfixia democrática ?!?!!
A promiscuidade.
Vivemos num país de trampa. O valor de um país,reside na saúde, no ensino e nas justiça. Não vejo nenhuma diferença no país actual e naquele que conheci no tempo de Salazar. Antes pelo contrário, nalgumas coisas.
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