26 de novembro de 2014
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A queda de Salgado e Sócrates pode secar os Marinhos e os Louçãs

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Os populistas fofos e com boa imprensa (Louçã) e os populistas façanhudos e com má imprensa (Marinho Pinto) medraram no terreno da impunidade. Louçã e Marinho Pinto podiam dizer que "os ricos" não eram apanhados, que "os poderosos" viviam na impunidade. E, num certo sentido, tinham razão: todos nós sentíamos um clima de impunidade, falava-se de corrupção, toda a gente conhecia casos, mas este alegado conhecimento era sempre difuso, impreciso, gasoso, não conseguíamos pôr a mão em nada. O problema do discurso de Louçã e Marinho era precisamente esta imprecisão populista, atiravam para todos os lados.

 

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O 24 de Novembro: um recomeço

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Tenho defendido a ideia e, mais do que nunca, julgo que faz sentido: nós, portugueses, estamos a viver um momento constitucional idêntico e até superior aos momentos constitucionais de 1982 e 1989. O regime está a mudar, aliás, já mudou sozinho. Agora é preciso reconhecer e conduzir essa mudança de forma consciente aproveitando a calma garantida pela UE. E tudo isto - repito - parece-me positivo. Difícil, mas positivo. Estávamos todos a precisar de um recomeço e a democracia também é isso: recomeço após recomeço. Não, não estou a falar em mudança da Constituição no sentido da governança económica e social. Estou a falar de algo ainda mais importante, algo que está a montante: as regras institucionais, desde a lei eleitoral aos processos de nomeação de cargos institucionais.

 

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A prisão de Sócrates é uma boa notícia para a democracia

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A marca da democracia é o reduzido espaço para a intocabilidade dos poderosos. A aura intocável que cobre sempre o poder não desaparece no espaço kantiano, mas fica mais difícil. Neste sentido, a prisão de Sócrates não revela o descrédito das instituições, do Estado e da democracia. A premissa inversa é que é verdadeira. Ou seja, o problema não está na prisão do ex-primeiro-ministro. O problema estava na forma como José Sócrates desprezava a liberdade, a democracia, as instituições. Esse é que era o problema. 

 

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Sócrates: ninguém está acima da lei

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Ninguém está acima da lei. É esta a primeira base de qualquer sociedade livre. A prisão de um indivíduo poderoso, seja ele banqueiro ou político, é um momento de força da sociedade. Anda muita gente triste e preocupada com a recente vaga de escândalos que termina agora com a prisão de Sócrates. Lamento, mas eu acho que o problema está na situação inversa: quando não há escândalos é que as coisas estão mal; uma sociedade livre define-se pela abundância de escândalos - as ditaduras é que não têm escândalos. O problema, o nosso problema, o problema desta III República tão alfacinha, era (é?) a paz podre gerada pelo "bom-nome" dos alegados Donos Disto Tudo da política e da banca.

Aquilo que sempre me desorientou no caso José Sócrates é o rol de situações que não fazem sentido a olho nu: o estilo de vida incomportável para alguém a receber um salário de político, as estradas de Paulo Campos, a casa na Braamcamp, a casa em Paris e, acima de tudo, a off-shore em nome da família. Como aqui escrevi há uns anos, só existiam duas hipóteses: ou os jornais estavam a mentir em relação à existência da off-shore com centenas de milhões de euros, ou José Sócrates tinha explicações a dar. Se entramos na segunda hipótese, começam as perguntas: como é que a sua família, que não é constituída por magnatas do petróleo, tinha tanto dinheiro acumulado? Ou será que existe petróleo na Covilhã?

Para terminar, o ponto mais importante: uma sociedade deve atacar a jugular dos poderosos, mas convém que a dentada inicial seja logo a dentada fatal. Ou seja, prender alguém implica ter um caso sólido, bem construído e demonstrável. Problema? A nossa justiça abusa da apresentação de casos que não colam em tribunal. A polícia e o ministério público têm revelado uma incapacidade crónica para morder a sério; para compensar esta incompetência policial e jurídica, vão queimando os arguidos em lume brando através de fugas de informação para os jornais. Neste caso, só espero que a justiça tenha noção do que está a fazer. É que a resolução final deste caso será histórico não para o PS mas para o nosso estado de direito. Se o caso for sólido, teremos uma espécie de 25 de Abril da justiça. Se o caso não for sólido, teremos um descrédito total da justiça e entraremos noutro campo: fala-se muito na reforma do sistema partidário, mas também devíamos falar da reforma do sistema judicial - até porque estes dois sistemas vão para a cama demasiadas vezes. 

Há diferenças entre raças humanas. E então?

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O mantra é este: não há diferenças genéticas entre raças; tudo se resume à cor de pele; temos vários invólucros epidérmicos que cobrem a mesma essência humana; a raça não tem base biológica, é uma construção social, etc., etc. O jornalista do "New York Times" Nicholas Wade contesta esta alegação através de um raciocínio que apresenta uma lógica darwinista inatacável: ao evoluírem em diferentes locais do planeta, as diferentes tribos humanas evoluíram de forma diferente, desenvolveram capacidades físicas e mentais diferentes; afinal de contas, a Evolução não fechou para balanço a partir do momento em que o Homem saiu do berço africano; a Evolução continuou a actuar sobre os diferentes homens nos diferentes continentes, criando raças diferentes. E Wade vai ao ponto de colocar a mente na equação: a Evolução não tira gazeta quando se trata de moldar o cérebro humano, ou melhor, os cérebros humanos. Nesse sentido, a mente de um indiano é diferente da mente de um branco, que por sua vez é diferente da mente de um negro. As implicações políticas e culturais do argumento são óbvias: há povos mais propensos à ciência e racionalismo, por exemplo.

 

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A FIFA tem o estatuto da Cruz Vermelha

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Com um ar penteadinho e sem nunca se rir, a FIFA confirmou o Mundial de 2022 no Qatar. O Mundial, recorde-se, é aquela coisa jogada por seres humanos durante o verão; o Qatar é aquele sítio que atinge os 50 graus durante o verão. Perante isto, resta a pergunta: porque não realizar o próximo Mundial numa plataforma petrolífera? Poupava-se no circo, a guita estaria logo ali a jorrar como um chafariz inocente. Não, não há como fugir à questão: a FIFA começa a ser sinónimo universal de corrupção, desfaçatez, nepotismo. 

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Porque é que os portugueses gostam mais de Messi?

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A temperatura e textura dos adjectivos que podem descrever Cristiano Ronaldo estão nesta linha de montagem: épico, homérico, hercúleo, mítico. Há qualquer coisa da lenda e do ímpeto dos Antigos em Ronaldo. Ele é o perfeito gladiador. A linha de adjectivos para Messi tem outra temperatura: baixinho, rapidinho, maneirinho, um pequenino com jeitinho. Messi não podia ser mais português mesmo se tentasse, mesmo se entrasse no SEF para pedir um visto gold. Não por acaso, tenho sempre a impressão que a maioria dos portugueses gosta mais de Messi do que Ronaldo. 

 

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Como dar a espada ao Banco de Portugal?

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Quando lemos o livro de Paulo Trigo Pereira, percebemos que as Finanças são um problema institucional antes de serem um problema técnico. Por uma série de deficiências institucionais (ex.: a menoridade da UTAO), o Orçamento de Estado de Portugal é sempre um objecto laxista e opaco. Como dizia há dias João Vieira Pereira, os nossos ministros das Finanças preparam o Orçamento de acordo com os humores do primeiro-ministro: se ele está contentinho, talvez aguente um cenário macroeconómico realista e negro; se está tristinho, é preciso animá-lo com um cenário macroeconómico da Terra do Nunca. Julgo que vale a pena olhar para o choque entre o Banco de Portugal e BES da mesma forma.

 

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Zeinal Bava devia dar os 5.4 milhões aos trabalhadores

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Há uns anos, um estudo focado apenas no colarinho branco colocou Portugal no topo da assimetria salarial da UE-15: a diferença era de 4,4; se um funcionário de escritório português ganhasse 1000 euros, o seu gestor ganharia 4.400 euros. Ora, os salários exorbitantes de gestores como Zeinal Bava, Mexia e companhia elevam esta assimetria até ao infinito e mais além, transformando Portugal num dos países mais desiguais da Europa.

 

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Querem salvar o planeta ou os seres humanos?

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O que faz espécie num certo ambientalismo europeu é o seu foco moral. O chamado ambientalista define a sua bondade na relação com animais ou com o meio ambiente: devemos fazer isto porque é bom para os ursos, devemos fazer isto porque é bom para uma mirífica Mãe Natureza, que surge nesta mitologia com a força das crenças pagãs. O ambientalista perde assim a noção de que a moralidade não se define na relação com marés ou bichos, define-se na relação com outros seres humanos. Neste sentido, muitos indianos e chineses têm razão quando criticam o desprezo que a Europa verde revela pelas condições de vida das populações asiáticas que estão a entrar na classe média.

 

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