5 de março de 2015
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Passos Coelho e o charro fiscal

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"O Informador", um dos grandes filmes de Michael Mann, relata a história verídica de um homem, Jeffrey Wigand (Russell Crowe) que denuncia os esquemas alquimistas da tabaqueira onde trabalha. Em conversa com o jornalista do 60 Minutos, Lowell Bergman (Al Pacino), Wigand comenta assim um ataque que a tabaqueira está a lançar à sua credibilidade a partir de um pormenor insignificante: "nunca passaste um cheque careca? Nunca olhaste para as mamas de outra mulher? Nunca mentiste na declaração de IRS? Quando olhada ao microscópio, qual é a vida que não tem falhas?". Recordo a cena porque pode existir a tentação de desculpar Passos Coelho através deste ângulo, através da narrativa da nossa condição de seres caídos. Afinal de contas, quem é que nunca errou? O problema é que não estamos a falar do Pedro de Vila Real ou Massamá, mas sim de Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro e ex-deputado. Podíamos dar o desconto ao primeiro, não podemos dar ao segundo.

 

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A estranha relação entre gays, Islão e direita

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No campo moral e político, os factos não existem por si só. Tudo depende da percepção da realidade e não da realidade em si mesma. Os factos só existem quando são enquadráveis num ponto de vista, numa narrativa, numa mundividência, para citar um camarada que leu mesmo Kant algures numa Évora germânica: Wilhelm Dilthey. As pessoas só vêem aquilo que querem ou que estão preparadas para ver. No centro da sala, uma evidência empírica pode permanecer invisível apesar do monstruoso tamanho. Esta negação é um mecanismo de defesa da nossa identidade ou até da nossa personalidade. Reconhecer a existência do facto x ou y significaria uma revisão completa das lentes que usamos para ver o mundo. E isso é uma maçada.

 

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Tutela dos filhos: machismo beneficia mulheres

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Chamemos-lhe Sónia. Casou com um rapaz lá do open space. Não parecia mau tipo, ia à bola com o sogro. Parecia bom moço, levava os sacos do supermercado à sogra. Era carinhoso com Sónia, aliás, em retrospectiva até podemos dizer que era demasiado melado, possessivo, asfixiante, agora até podemos dizer que estava na cara. Mas na época não estava. Tudo começou mais tarde, numa sucessão de comentários geradas por likes e smiles imprevidentes no Facebook. Como tantas vezes acontece, bastou um rumor para que ele recriasse cenas de adultério entre Sónia e o outro, bastou uma desconfiança para que a sua cabeça tratasse como verdade absoluta uma mera suposição gerada no ciúme. E assim estalou a violência com um ipad partido na cabeça de Sónia. 

 

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Cuba sairá do socialismo antes de Portugal

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Há quase uma década, nos primeiros tempos da "Atlântico", fiz duas apostas sul-americanas com uma amiga. Em primeiro lugar, apostei que o Chile ultrapassaria Portugal nos indicadores económicos nos dez anos seguintes. Em segundo lugar, apostei que Cuba deixaria o comunismo antes de Portugal, isto é, Cuba seria uma república democrática e liberal sem um pingo de retórica socialista, mas Portugal continuaria amarrado à extrema-esquerda comunista que bloqueia acordos e à constituição socialista que julga que 1976 foi o fim da história. Ainda falta um ano para o prazo acabar, mas acho que já perdi a primeira. 

 

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António Costa tem razão: Portugal está melhor

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O genial António Costa, Salvador de Lisboa, Portugal e dos Algarves, mostrou finalmente uma nesga do seu génio purificador. Quando afirmou que Portugal está melhor do que há quatro anos, o líder do PS fez um retrato correcto do país. Exemplos? Continuamos a bater recordes nas exportações. Segundo o INE, 2014 foi o melhor ano de sempre para empresários e trabalhadores das empresas exportadoras: vendemos 48,2 mil milhões de euros em bens e serviços ao exterior. Isto significa que as exportações já representam cerca de 40% do PIB. Há uns anos, representavam apenas 30%.  

 

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Um Marinho Pinto gay e os muçulmanos

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A preguiça do costume coloca Pim Fortuyn (Holanda) na categoria dos neofascistas ou líderes de extrema-direita xenófoba como Jörg Haider. Não surpreende. É assim que funciona a indústria da islamofobia: qualquer crítica aos muçulmanos a viver na Europa é encarada como um acto racista. Sucede que Fortuyn não pertencia à extrema-direita. Não era um xenófobo, até porque se gabava de fazer sexo com rapazes marroquinos. Fortuyn era um populista anti-sistema e, acima de tudo, um activista gay. Traduzindo: Fortuyn não era o líder do PNR holandês, era uma espécie de Marinho Pinto com queda para saunas selvagens e encontros esconsos em lavabos do Metro; era um populista simples, uma bicha louca e ingénua. E o seu populismo e o seu ADN sexual estavam interligados, alimentavam-se mutuamente. As soluções de Fortuyn eram erradas, absolutas e navegavam numa utopia reacionária (regresso à simplicidade da Holanda antiga), mas ele era o único que não tinha medo de apontar o dedo ao problema que os gays sentiram antes de toda a gente: o radicalismo de imensos muçulmanos a viver na Holanda.  

 

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O mundo está melhor: a globalização funcionou

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À escala global, o número de pobres diminuiu entre 40% a 50% na última geração. A evolução é ainda mais impressionante se pensarmos que a população mundial não parou de aumentar entre 1990 e 2015. O facto devia encher de optimismo as mentes conscienciosas da Europa. Afinal de contas, o mundo melhorou para grande parte dos seres humanos a viver no planeta. Mas, como se sabe, o ar do tempo europeu está marcado pela cinza. Este abismo entre a realidade optimista e a errada percepção pessimista dos europeus pode ter duas grandes explicações.

 

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O capitalismo suíço é anti-liberal

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O mercado só é o mercado se funcionar com regras claras. O mercado é em si mesmo uma instituição destinada a produzir aquilo que todas as instituições devem produzir: previsibilidade e transparência. Ora, o problema deste mercado global é a sua opacidade. As instituições financeiras tornaram-se demasiado nublosas, baças, foscas. Não se vê o que se passa lá dentro. Quando olhamos para um banco, ficamos de imediato míopes. O sistema de transacções em alta frequência (high frequency trading) é um dos grandes exemplos deste mundo opaco e potencialmente criminoso. Sim, potencialmente criminoso.

 

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Ucrânia: crise dos mísseis de Cuba ao contrário?

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Como todos os especialistas, Stephen Cohen tem a tendência para exagerar a importância do seu campo e, pior, tem a inclinação para sentir as dores do objecto de estudo. Como grande especialista da Rússia, Cohen exagera a importância, o poder e a legitimidade da actual liderança da Rússia. Por vezes, até fica a impressão de que é um eco americano da propaganda russa. Mas, verdade seja dita, esta é outra prova da superioridade ocidental sobre as alternativas: os Stephen Cohen russos são presos, os intelectuais russos que criticam Putin e defendem valores ocidentais são envenenados. A civilização ocidental é a pior das civilizações com a excepção de todas as outras.

 

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Platini, um criado de Putin

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Ontem à noite, milhões de europeus viram os jogos da Liga dos Campeões e, talvez sem darem por isso, legitimaram o regime de Putin. A Liga dos Campeões já era patrocinada pela Gazprom, mas este ano a empresa russa é mesmo o principal patrocinador da prova máxima da UEFA. Exigir moralidade à UEFA é o mesmo que exigir castidade a um bordel, mas até os bordéis têm um código de conduta. Não se lembram do "Imperdoável"? Ao aceitar o dinheiro da Gazprom, um dos instrumentos de Putin, a UEFA e Platini estão a legitimar na prática um regime ditatorial que lança guerras sobre países vizinhos. É preciso relembrar que, enquanto os jogos de ontem decorriam, muitos ucranianos morreram ou ficaram em risco de vida; enquanto a Europa escapava à realidade com o Schalke 04 - Real Madrid, muitos ucranianos foram forçados a sair das suas casas por tropas financiadas directa ou indirectamente pela Gazprom. 

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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