29 de Março de 2015
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"House of Cards", Miguel Relvas e Jorge Coelho

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Washington é um pântano habitável apenas por seres reptilianos ou formas anfíbias de vida como Frank Underwood, o político sem escrúpulos. É este o retrato negro e certeiro que "House of Cards" faz da actual política americana. E uma das grandes causas dessa atmosfera corrosiva é sem dúvida o poder esmagador dos lóbis, que na série é representado pela personagem Remy Danton, o lobista sulfúrico que está no centro do processo político. No fundo, "House of Cards" é a melhor reconstituição ficcional de algo conhecido há muito: os lóbis substituíram o povo no centro da União americana. 

 

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Jorge Jesus é Hitchcock, Mourinho é Almodóvar

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António-Pedro Vasconcelos costuma dizer que cinema e futebol são muito parecidos e que a parecença começa nas semelhanças entre realizador e treinador. Percebo e acrescento: os ideais-tipo da relação entre realizador e actores podem ser comparados aos ideiais-tipo da relação entre treinador e jogadores. Por exemplo, Jorge Jesus é Hitchcock. Para o realizador de "Psico", os actores eram gado, o elenco era um rebanho de seres menores que estava ali para completar o puzzle que já estava na cabeça do mestre; os actores eram simples marionetas que ele movimentava a seu bel-prazer, qual Deus todo poderoso da montagem final; a opinião do actor era uma irrelevância, um zumbido no ouvido de Zeus. Jesus treina assim.

 

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Estamos a morrer em câmara lenta

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Chamemos-lhe Jorge. Em 1988, com trinta e poucos anos, comprou um apartamento algures em Sintra recorrendo ao crédito bonificado do cavaquismo. Queria subir na vida, não queria mais conversas com o senhorio, queria cumprir o sonho: ser proprietário da sua própria casa. E assim saiu do velho bairro onde sempre morou e onde tinha a família, a base tocquevilliana de apoio, as redes sociais que interessam, não o Facebook mas as vizinhas em quem se podia confiar as chaves e os miúdos. Dez anos depois, o filho mais velho, João, também comprou uma casa recorrendo do crédito bonificado do guterrismo. 

 

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Quando é que Ricardo Salgado pede desculpa?

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Acumularam uns tostões ao longo de uma vida de trabalho e, naquele maldito dia, resolveram confiar o mealheiro ao gestor de conta do BES, esse indivíduo fatal que lhes garantia, qual vendedor de feira, um produto maravilhoso. Este papel comercial é à confiança, dizia ele, tem uma rentabilidade estupenda e a marca BES, cento e cinquenta anos de seriedade, etc. E assim foi...

 

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Salgado e Sócrates: uma oportunidade

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Vale a pena repetir: o choque e o pavor provocados pelas detenções de José Sócrates e Ricardo Salgado representam a oportunidade para reavaliarmos e reconstruirmos o regime.  A bulldozer da história já passou. Resta-nos reconhecer essa realidade e arrumar a casa numa versão política da destruição criativa. A meu ver, esta reconstrução tem duas grandes faces: a primeira está ao nível da moral e da linguagem do debate público, a segunda é institucional. 

 

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Sócrates: criminoso ou inimputável

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Se Salgado é criminoso ou um sujeito que não sabe contar pelos dedos da mão, Sócrates é criminoso ou o político mais amoral da história da democracia portuguesa. Estamos a falar de um homem que recebeu em dinheiro vivo cerca de 670 mil euros no espaço de um ano. Quem é que vive assim? Qual é o cidadão normal que vive assim? Como é que alguém ainda tem o nervo e o estômago para defender um ex-primeiro-ministro que recebe dinheiro vivo em malas? Continuar a defender este homem significa entrar de vez no campo que sempre determinou a acção socrática: a amoralidade absoluta. Repare-se que não digo imoralidade.

 

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O avatar de José Sócrates

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O advogado de José Sócrates está ao nível do velho Cais do Sodré. Não surpreende: José Sócrates foi um político que se definiu pela má-criação; aliás, através dos seus cães de fila espalhados por meia Lisboa mediática, Sócrates conseguiu a proeza de transformar a evidente má-educação num atributo político. Era assim que as coisas funcionavam no tempo socrático: de repente, aquele indivíduo rude que espumava raiva pelos cantos da boca era elevado à condição de "animal político" por uma caterva de comentadores embevecidos. Não, não era um animal político, era só um político mal-educado e sem respeito pelos interlocutores. Neste sentido, o Dr. Araújo é a perfeita representação socrática. Quando apelida os jornalistas de "canzoada", Araújo não está a rasgar com a tradição socrática, está a segui-la.

 

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As barrigas de aluguer de Elton John

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As declarações de Dolce e Gabbana e a histérica resposta de Elton John merecem mais do que uma troca de obuses na pífia artilharia do twitter. A barriga de aluguer é um tema moral que não pode ficar preso no mercado da indignação ou do engraçadismo. Vamos então por partes. Em primeiro lugar, o que irrita Elton John e todos os autoproclamados líderes da comunidade gay é a heterodoxia de Dolce e Gabbana, dois gays que não dizem o que é suposto. Ver dois estilistas gay a criticar a adopção gay é como ver uma freira a patinar no terço.

 

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Quando Israel é um problema

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Em Paris, após o atentado terrorista, Benjamin Netanyahu comportou-se como um garoto mal educado e ensimesmado, qual narciso convencido da sua missão milenar. Naquele domingo da marcha, o primeiro-ministro israelita visitou a sinagoga de Paris e ousou cantar ali o hino de Israel, já depois de ter pedido aos judeus franceses para abandonarem França a caminho de Israel. Este acto descortês e populista foi silenciado pelos próprios judeus franceses, que começaram a cantar a Marselhesa no momento mais comovente daquele domingo histórico. O episódio não é um pormenor.

 

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Carlos Alexandre "versus" Proença de Carvalho

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Daniel Proença de Carvalho utiliza um institucionalismo límpido e rectilíneo na hora de julgar o sistema de justiça, em geral, e o juiz Carlos Alexandre, em particular. Nesse julgamento institucionalista, o advogado tem muitos pontos a seu favor. De facto, a governança da justiça nunca conheceu o seu 25 de Abril e os magistrados vivem há quarenta anos numa espécie de impunidade corporativa. Em relação a Carlos Alexandre, Proença tem razão quando alerta para o excessivo poder que está concentrado nas mãos deste juiz. Não é mesmo próprio de um Estado de Direito que um tribunal tenha apenas um juiz e Carlos Alexandre foi durante demasiado tempo rei e senhor absoluto do Ticão. Ora, o problema é que Proença não utiliza este rigor institucional quando se vê ao espelho. 

 

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