28 de julho de 2014
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A ética de Seymour Hoffman

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A nossa vidinha motorizada pelos panzers da internet é tão rápida que até parece que Philip Seymour Hoffman morreu há anos. Montados nos panzers da blitz internética, nós passamos por cima das coisas sem o cuidado desejado. Não tratamos os mortos com a atenção devida.

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Diário

A superioridade de Israel

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"A Valsa de Bashir" é um símbolo. Representa a liberdade da sociedade israelita para criticar Israel. O filme lida com as atrocidades cometidas pelo exército israelita na guerra do Líbano em 1982. É uma obra negra sobre um lado negro de Israel, mas foi feito por um israelita. E Ari Folman, o realizador, não está sozinho. Como qualquer sociedade livre, Israel está cheio de jornalistas e autores que criticam o seu próprio país. Onde estão os Folman da Palestina e, já agora, do mundo árabe? Em Israel, jovens radicais que lutam pelo "Grande Israel" são presos quando assassinam adolescentes palestinianos. Na Palestina e nas nações árabes, aqueles que assassinam judeus são vistos como heróis; terroristas comprovados (não, não são "alegados") são recebidos como se fossem a encarnação de Maomé. 

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Diário

O ouvido de Vargas Llosa ou a magia de García Márquez?

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Tive dúvidas durante muito tempo: onde é que estava a minha sintonia? Em Vargas Llosa ou em García Márquez? Na forma cirúrgica como o primeiro ouve o mundo, ou na magia ruidosa que o segundo usa para criar mundos mágicos? Com o tempo, descobri que sou varguista. Isto não quer dizer que desgoste do colombiano. Pelo contrário. Nunca esquecerei o encantamento de "Cem Anos de Solidão" (1967) e, acima de tudo, nunca deixarei de admirar o estilo de "Outono do Patriarca" (1975). Este livro lê-se numa tarde porque flui como gin tónico às sete da tarde, quase que se lê sozinho. É um prodígio de técnica e trabalho. Sim, trabalho, aquele trabalho de carpintaria que liga as frases através das dobradiças da linguagem. Quando é bem feito, este ofício é sempre espantoso, mas Márquez elevou a barreira, porque "Outono do Patriarca" quase não tem pontuação, é uma frase de 220 páginas. Além de ser um prodígio estilístico, "Outono do Patriarca" é uma lição moral: o escritor deve reinventar-se. Após o sucesso galáctico de "Cem Anos de Solidão", era evidente que estava ali uma fórmula. Márquez, porém, não ouviu a sereia. Com calma, reinventou-se ao longo de oito anos e, no final, apresentou "Outono do Patriarca", um livro diferente no estilo e na temática.

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Diário

Barrigas de aluguer: um bebé não é mercadoria

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A barriguita de aluguer é a próxima causa fracturante e, claro, passará no parlamento porque representa a "novidade" e o "progresso". E o "progresso" é sempre benéfico. Ninguém no seu perfeito juízo pode negar as qualidades do "progresso". Quando critica a novidade progressista, um sujeito só pode ser uma de duas coisas: ou é deficiente mental (tem incapacidades cognitivas que o impedem de ver a verdade) ou é reaccionário (o representante do mal na terra). Como toda a gente sabe, eu junto os dois defeitos e, por inerência, gostava de dizer que um filho não é mercadoria, não é uma propriedade para ser regida debaixo do código comercial. 

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Ubaldo: sexo, violência e literatura

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Além de acompanhar as suas crónicas no Globo, li e reli com gosto os romances "Casa dos Budas Ditosos" (1999) e "Sargento Getúlio" (1971). Getúlio é mesmo uma das minhas personagens favoritas. Não por acaso, a minha mulher, quando me deu a notícia, fez questão de dizer "morreu o teu Ubaldo". Sim, João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) era muito cá de casa, e esta relação começou com um livro que foi proibido duas vezes em cadeias de supermercados portugueses. Na última vez, em 2009, o grupo Auchan/Jumbo retirou o livro "Casa dos Budas Ditosos" das prateleiras, invocando que se tratava de uma obra pornográfica. Não vou entrar nessa discussão pudica. Sei apenas que Ubaldo mostrou que é possível fazer literatura com o sexo, o material mais avesso à arte da ficção (reler Henry Miller tem sido penoso). "Os Budas", como é conhecido cá em casa, é um monólogo de uma mulher madura e luxuriante, uma coroa ou milf, que vai recordando suas aventuras carnais, sobretudo as gozadas imperiais que conseguia ter em qualquer lugar e de qualquer jeito. O que é espantoso é o modo como Ubaldo consegue encarnar no corpo e na voz desta mulher. A maioria dos escritores cria personagens. Ubaldo era as personagens.

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Costa e Seguro: o veneno da democracia directa

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É confrangedor acompanhar o dia-a-dia político dos EUA. O clima é sempre eleitoralista e enervadiço, o que explica parte dos actuais bloqueios institucionais da América. Por que razão acontece isto? O frenesim eleitoralista (há sempre primárias em curso) cruzou-se com o frenesim nos média modernos. A máquina da espuma exige a espuma da política. Ou seja, os canais de notícias 24 sobre 24 horas e as redes sociais aceleraram o jogo político até ao absurdo, até ao ponto em que se tornou impossível qualquer tipo de discussão séria. A histeria eleitoralista secou tudo à sua volta, porque beneficiou a linguagem dos extremos e do ódio. Se não fosse a presença estabilizadora e desaceleradora do Supremo Tribunal, os EUA estariam em maus lençóis. Curiosamente, a política portuguesa está a importar o pior da política americana (as primárias), deixando de lado o melhor (a natureza do Supremo Tribunal).

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"Guerra dos Tronos" e a liberdade

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Todos os episódios de "Guerra dos Tronos" são pequenos tratados políticos e morais. Se eu fosse professor de filosofia, filosofia política ou teologia, iniciaria todas as aulas com excertos específicos da série. Por exemplo, uma aula sobre o conceito de liberdade teria como mote a última cena de Daenerys. Na cena em questão, Daenerys recebe em audiência um dos ex-escravos que andou a libertar ao longo das cidades orientais e esclavagistas. Para seu espanto, o ex-escravo explica-lhe que sente falta da escravatura. Sim, é isso: o ex-escravo quer voltar a ser escravo, quer voltar a trabalhar para os velhos donos. Daenerys, a libertadora, descobre que a liberdade pode ser um fardo para muitas pessoas, descobre que certos povos podem escolher livre e conscientemente o estatuto de escravos. Porquê? Porque não suportam o fardo da escolha.

 

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O eterno retorno da caderneta

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Tenho vizinhos novos com filhos na idade da garotice e das cadernetas do Mundial. Os putos estão a dar vida nova ao pátio das traseiras. Por estes dias, tenho aberto a janela da cozinha que dá para as traseiras, dando a entender que estou apenas a arrefecer o jantar da minha pequena. Uma óbvia mentira. O que eu quero é ouvir as conversas dos putos. Sim, sou a NSA do prédio, uma entidade alcoviteira que se dedica à cusquice geracional. Na verdade, não é bem cusquice, porque o cusco é aquele que coloca o seu delicado bedelho naquilo que não conhece, naquilo que lhe é estranho. E estes putos de 8 ou 10 anos não me são estranhos. Eu conheço aquelas conversas. São iguais às minhas conversas em 1990. Um chuta e finge que é o Gotze, tal como eu fingia que era Lothar Matthaus. O outro tenta defender e finge que é Neuer, tal como fingia que era Bodo Illgner, o guarda-redes que iniciou a maldição dos ingleses nos penáltis catorze anos antes de Ricardo. Esta repetição cíclica da vidinha dá-me um certo conforto. Os actores mudam, mas os papéis ficam.

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Os revolucionários chiques e o PS

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Em Maio 1974, António Barreto, acabadinho de chegar do exílio suíço, andava um pouco às aranhas na nova Lisboa política. Com alguma naturalidade, aproximou-se dos amigos do Movimento de Esquerda Socialista (MES), o Bloco de Esquerda da época. Ficou chocado com o radicalismo do primeiro congresso, mas ainda se sentou para falar com a cúpula desta agremiação. No dia seguinte ao tal congresso, Barreto almoçou com Sampaio e Nuno Brederode Santos no Hotel Flórida. Às tantas, Arnaldo Sampaio, pai de Jorge Sampaio, surgiu na mesa dos rapazes. Depois de alguma conversa de circunstância, o patriarca despediu-se com uma frase profética: "vou ao alfaiate mandar fazer dois fatos... enquanto é tempo". Esta estória sempre me pareceu uma boa metáfora da nossa esquerda, até porque a história do MES é idêntica à história do Bloco de Esquerda (BE).

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"Flash Boys", António Costa e o meu colchão

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Esqueçam Shylock e Gordon Gekko. Wall Street e afins tornaram-se incompreensíveis. O problema está na complexidade matemática e informática do chamado High Frequency Trading (HFT). O que é o HFT? É uma rede de algoritmos que pensa e executa as compras/vendas do mercado à velocidade de microsegundos. Em 2008, 25% das transacções dos EUA era feita em HFT; em 2012, a percentagem já era de 70% (40% na Europa). Ou seja, a máquina está a substituir o homem no centro das bolsas e dos mercados, uma novidade que abriu as portas a uma opacidade inconcebível. Para compreender certos produtos financeiros é preciso ter um doutoramento em matemática, é preciso ser um geek. Não por acaso, boa parte dos tais produtos tóxicos nasceu nesta opacidade que transforma o investidor num otário. 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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