19 de abril de 2015
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E se António Mexia reduzisse o seu salário para aumentar trabalhadores?

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Dan Price, chefão da Gravity Payments, vai cortar o seu salário em cerca de 90% com o objectivo de aumentar os seus trabalhadores. Ou seja, vai pegar no milhão de dólares que recebe por ano e vai dividi-lo pelos funcionários de rendimentos mais baixos. Seja qual for a sua função, qualquer trabalhador da empresa vai ganhar pelo menos 70 mil dólares. Porquê? Porque a empresa tem essa possibilidade e porque o salário do CEO, calculado por critérios de mercado, é um absurdo quando comparado com as pessoas que o rodeiam na empresa. Não se trata de uma assimetria abstracta entre Price e o Biafra, trata-se de uma assimetria sentida na mesa de trabalho, no elevador, no xixizinho. Golpe publicitário? Talvez. 

 

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Quaresma e Mourinho

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Há quem diga que Quaresma passou ao lado de uma grande carreira porque não se esforçou; até tem mais talento que Ronaldo, mas não tem a mentalidade competitiva do homem do Real Madrid. Percebo, mas não concordo. Quaresma passou ao lado da glória, porque é de outra Era, é do tempo de Hagi, Maradona, Garrincha ou Best, é da época em que ainda existia o indivíduo dentro de campo. Sucede que o indivíduo foi assassinado no relvado, que devia ser vermelho. Agora não há indivíduos a fazer coisas inesperadas, só há onze soldados no cumprimento de ordens. Olhe-se, por exemplo, para o Chelsea do General Mourinho: ver um jogo desta equipa é um suplício, adormeço sempre no sofá, não há ali nada de belo, inesperado e individual, não há nada que coloque o espectador na ponta da cadeira. Neste futebol de caserna, a beleza de Quaresma esteve sempre condenada. Aquilo que é uma virtude, o seu génio imprevisível, passou a ser um defeito aos olhos dos Mourinhos e dos cientistas da bola.

 

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Creches e pensões de reforma

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Um debate sério só é possível se tivermos a pirâmide demográfica debaixo do braço. Aliás, é melhor falarmos em ex-pirâmide demográfica. A população está demasiado envelhecida e, em consequência, o rácio trabalhador/reformado já é de 1.5: por cada reformado há apenas um trabalhador e meio a descontar; em 1980 o rácio era de 2,4 e em 1974 era de 5. Para agravar a situação, a reduzida taxa de natalidade que marca a nossa pulsação cardíaca há mais de uma década está a provocar um apocalipse em câmara lenta. Se nada mudar, voltaremos a ter uma pirâmide demográfica a meio do século, mas será uma pirâmide invertida. Não sei como é que se pode passar horas a falar de política sem nunca se passar por aqui.

 

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A desonestidade de Marcelo Rebelo de Sousa

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Como se fosse um anjo neutral caidinho dos céus, o Marcelo-comentador palra todas as semanas sobre as movimentações dos outros candidatos presidenciais. Ao mesmo tempo, o Marcelo-candidato anda em campanha eleitoral: faz comícios no PSD profundo, aparece em capas de revistas femininas, anda por aí. Eis portanto o domingo típico de Sua Excelência: durante o dia faz a sua campanha, faz os seus contactos como todos os candidatos, mas à noite veste o fato de comentador político que aborda a semana política como se fosse um comentador de futebol, ai, os casos da semana!, ui, a boa jogada de comunicação política da semana!, oh, a má jogada de comunicação política da semana! Como Pinto da Costa dos bons velhos tempos, Marcelo vai a jogo e é árbitro ao mesmo tempo.

 

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Um exemplo para a minha geração

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Chamemos-lhe Nuno. Conheci-o há dias numa viagem Coimbra-Lisboa. É um rapaz exemplar e raro. Apesar de ter nascido numa cidade universitária, fez um curso tecnológico no liceu (electrónica na Brotero). A sua opção foi olhada de lado ou gozada sem rodeios. "Esse é o curso dos serranos", diziam. Electrónica, Automação e Comando, rezava a lenda, era coisa de saloios ou mentecaptos. Nuno não é uma coisa nem outra. Com aquele curso, ele queria completar duas coisas: construir e reparar coisas com as próprias mãos levando a teoria à prática e ficar com um canudo que representasse alguma coisa no mercado de trabalho quando completasse dezoito anos. E assim foi. Quando acabou o 12.º ano, tinha várias empresas a ligarem. 

 

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Bush tinha razão

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Os neoconservadores de Bush II tinham uma virtude e um defeito: acertavam na análise, mas propunham soluções absurdas, líricas, demenciais. Se fossem médicos, só podiam fazer o diagnóstico, porque doente operado por eles era doente morto. Se eu fosse presidente, teria sempre um neoconservador no meu gabinete, devidamente colocado numa camisa de forças, como é óbvio, mas com um lugar cativo na mesa. Ele seria essencial nessa mesa redonda, porque os neoconservadores vêem problemas onde os outros vêem tabus. Exemplo? Continuam a ter razão na análise do Médio Oriente. 

 

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Queria gostar de Isabel dos Santos, mas não consigo

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Longuti é um menino de Lubango. Já tem sete anos mas pesa 15 quilos, consequência da malária. À cabeça da cama, a sua mãe, Hilária Elias, que já perdeu dois dos seus quatro filhos, confessa que nem sabia que os mosquitos são a causa da malária. Quando Longuti adoeceu, Hilária levou-o à clínica mas ninguém fez o teste da malária. Agora, mesmo que sobreviva, dificilmente falará ou andará de novo. Mas esse até é o cenário mais luminoso e improvável. O destino mais certo de Longuti é a morte. Segundo a Unicef, Angola é o pior país do mundo para crianças. 

 

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Silva Lopes, um dos maiores

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Os obituários de Silva Lopes concentraram-se no seu papel depois do 25 de Abril. Se me permitem, gostava de relembrar a sua acção antes do 25 de Abril, porque todos os portugueses deviam sentir uma dívida de gratidão pelo trabalho de formiguinha europeísta que este homem desenvolveu dentro do Estado Novo. Sim, dentro do Estado Novo. A nossa viragem europeísta não começou em 1974 ou 1977, começou logo no pós-Guerra: nos anos 40 estivemos na fundação da NATO, OECE (OCDE) e UEP (União Europeia de Pagamentos), nos anos 50 participámos nas negociações fracassadas da Zona de Comércio Livre e, em 1960, entrámos na EFTA. Enquanto economista e político no sentido lato da palavra, Silva Lopes foi um filho desta abertura.

 

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Elas são melhores do que eles

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Há uns anos, num acto de inconsciência movida a Bourbon, atravessei alguns bairros manhosos de Washington e Baltimore, que pouco depois serviriam de palco para "The Wire" e que hoje servem para algumas cenas de "House of Cards". O que choca não é a electricidade estática da violência contida. O que choca não é a pobreza em si, mas o facto de essa pobreza ser quase sempre masculina. Só vi homens andrajosos ou gangsters como o taxista que me roubou (não, não me enganou no trajecto, roubou-me mesmo). Não vi negras na rua. Elas aparecem nas filas dos "food stamps" mas não ficam na rua.

 

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Genética: estamos a acordar Hitler

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Quando se fala de genética, a conversa gira em torno da velha ambição de Ícaro ou Prometeu: somos demasiado ambiciosos? Estamos a tomar o lugar de Deus? O problema é que este ângulo omnipresente esconde uma pergunta mais simples: não estaremos a acordar Hitler com a nossa crescente obsessão com a genética? Não estaremos a namorar com o nazismo sem darmos por isso? É que uma coisa é ajudarmos um ser humano a superar uma doença através da técnica, outra coisa é mudarmos e aperfeiçoamos até ao ínfimo detalhe a própria natureza humana através dessa técnica. Ora, não existe um debate moral alargado sobre esta diferença. Estamos mais uma vez desarmados perante os apóstolos da genética. 

 

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