20 de dezembro de 2014
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O Google é um fora-da-lei

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Não, não estou a falar do facto de o Google viver à conta do trabalho dos outros. Já dou isso de barato. Estou a falar de algo ainda mais sério: a par da Apple, o Google está a desenvolver tecnologia para telemóveis que torna impossível a vigilância das autoridades; ou seja, na posse do telemóvel com o software xpto criado pelo Google, um criminoso ou terrorista pode evitar as escutas mesmo quando existe um mandato judicial. A história foi contada pelo novo director do FBI, James Comey, e é mais um exemplo da crescente petulância destas empresas lideradas pelos geeks do mundo virtual.

 

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O sexo do Spectrum 128K

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Há dias, tentei explicar o que era o Spectrum a primos e primas na casa dos dez anos. Não consegui. Não falamos a mesma linguagem. Eles olham para mim da mesma forma que eu olharia para o primeiro operador de telégrafos. Para começar, eles não sabem o que é uma cassete. Já ouviram falar, mas não sabem o que é. Tive de ir buscar uma ao sótão (um álbum dos Iron Maiden). Sim, meus amores, o jogo estava aqui numa coisa destas e - reparem! - demorava uns dez ou quinze minutos a entrar no computador. Durante este processo, até ouvíamos a conversa entre a cassete e o Spectrum, aliás, os sons do Spectrum fazem parte da banda sonora da minha geração: xiiii, puuuu, xiiiii, puuuu, xiiiii, puuuu. Os computadores de hoje têm a mania que são bons, não falam connosco; o Spectrum falava connosco, era um cavalheiro. 

 

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Apanhávamos Bin Laden sem tortura?

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"00.30" é um filme fabuloso que, através do bisturi da ficção, coloca a pergunta moral que está na cabeça de toda a gente: apanhávamos Bin Laden sem tortura? A resposta é negativa. Não, não apanhávamos Bin Laden sem o recurso à tortura. Quase noventa por cento do filme mostra como o programa pseudo-secreto da CIA (prisões e tortura) foi fundamental para Maya (Jessica Chastain) congregar a informação necessária à localização do líder da Al-Qaeda. Através de cenas que provocam desconforto físico no espectador, a realizadora Kathryn Bigelow conduz-nos aos pormenores macabros e eficazes da tortura. Repito: eficazes. É por isso que o filme se torna claustrofóbico, como se fosse um manto que sufoca. 

 

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Terror na Austrália: violar mulheres é direito cultural

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Quero falar de outro caso de terror ocorrido na Austrália. Esmatullah Sharifi, refugiado afegão, violou duas mulheres australianas no espaço de cinco dias em 2008. A primeira tinha 18 anos. Em 2012, o tribunal de primeira instância confirmou o óbvio: estávamos perante um crime hediondo e Esmatullah foi condenado a catorze anos de prisão. No recurso, o advogado do afegão foi esperto: aproveitando o complexo politicamente correcto (fortíssimo na Austrália por causa da questão aborígene), invocou "diferenças culturais" como atenuante. Em 2013, o tribunal de segunda instância aceitou a tese, afirmando que o violador não tinha "a noção clara do conceito de consentimento nas relações sexuais". Resultado? Pena reduzida para onze anos. Julgo que ainda não é sabida a resolução do Supremo, mas a decisão da segunda instância representa por si só a barbárie politicamente correcta. 

 

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E se a fuga de informação partiu de Sócrates?

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A malta adora teorias da conspiração. Aliás, em Portugal, é impossível escapar a este modo de pensar cobarde, porque tudo acaba nessa penumbra à John Le Carré de vão de escada. O português vê sempre um "esquema" a funcionar atrás do biombo; quando um dos "seus" é apanhado pela justiça, o cidadão não se julga perante uma questão moral ou legal. Não, nada disso. Uma acusação moral ou legal é sempre encarada como uma mera orquestração do "outro lado". As viúvas de Sócrates, por exemplo, encaram o episódio em curso como um mero caso político orquestrado por magistrados que, na verdade, são monges albinos com uma vontade indómita de colocar cilícios nas pernas dos socialistas.

 

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Novidade: um ateu a criticar o Islão

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"És ateu para criticar o cristianismo, não para criticar o Islão": este podia ser o mandamento de boa parte dos ateus ocidentais: criticam o cristianismo, em particular, e a religião, em geral, mas não tocam no culto mais problemático do momento: o Islão. A tensão entre estas duas pulsões contraditórias chega a ser cómica: querem ser ateus (esquerda clássica) mas depois percebem que esse discurso entra em choque com o politicamente correcto vigente (esquerda pós-moderna) que exige o apoio às causas do "outro"; como grande combatente anti-Ocidente, o Islão é um herói, mesmo quando alberga os maiores fanáticos, os maiores machistas, os maiores homofóbicos.  Sam Harris é a excepção. 

 

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Sócrates e Salgado: dois casos morais

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Uma sociedade livre não precisa da justiça para fazer o seu juízo moral. Não, não são "julgamentos na praça pública". São juízos de valor assentes naquilo que se sabe. Neste momento, o que se sabe chega e sobra para dizermos o seguinte: Sócrates e Salgado viveram tanto tempo na impunidade que acabaram por criar uma moral à parte; dizer que estamos perante dois seres amorais é pouco; nunca revelam um indício de dilemas morais ou qualquer forma de remorso. E o mais curioso é que ambos acabam por seguir o mesmo guião. Salgado também tem o seu PEC IV.

 

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Salgado: cometeu crimes ou não sabe contar

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Só há dois caminhos para Ricardo Salgado: ou cometeu crimes, ou não sabe contar pelos dedos. Ou Salgado liderou os crimes financeiros cometidos no GES, a começar nos balcões do BES, ou estes crimes foram cometidos debaixo da incúria inconcebível e amadora de Salgado. E sabem que mais? O facto maravilhoso da defesa em curso deste Leopardo está precisamente aqui: ele quer convencer-nos que foi apenas incompetente, ah, eu não sabia disso!, quer convencer-nos que foi enganado pelo contabilista, ah, isso foi a sopeira!, quer convencer-nos que vivia num castelo de cristal que foi destruído pelos maus, ah, eu nem sei a diferença entre "biliões" e "billions"! Confesso que gosto do espectáculo: o majestático Espírito Santo está a fazer o esforço da sua vida para mostrar que foi... incompetente. 

 

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Sócrates e Salgado: uma teoria da amizade

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Falando sobre o amigo La Boétie, Montaigne afirmou que uma verdadeira amizade é rara: "são necessárias tantas coincidências para a produzir que já é bastante que a fortuna o permita uma vez em três séculos". Lembrei-me desta frase quando dei por mim a verter uma lágrima pela amizade entre José Sócrates e Carlos Santos Silva. É a amizade do século, perdão, dos últimos três séculos. Repare-se no amor: Carlos compra dois T2 no Cacém a José muito acima do preço e depois nem sequer os utiliza ou revende, estão ali aos caídos a apodrecer entre marquises. E Carlos não se limita a dar liquidez ao amigo. Não. Isso seria aceitável numa amizade normal. Uma amizade à Montaigne exige mais, exige que Carlos empreste a José uma casa na zona mais chique de Paris. Não, José não é corrupto. Claro que não. 

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Montesquieu em Guantánamo

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Já tive a sorte de falar com um responsável por Guantánamo. O senhor, major ou coronel, parecia uma metralhadora semântica, não parava calado, dizia que Guantánamo não era tão mau como se dizia, até tinha campos de basquetebol, os prisioneiros podiam ficar ali até ao fim da "guerra ao terror" no maior dos confortos. No final da palestra, agradeci a aula de NBA mas coloquei-lhe uma perguntinha: "ó chefe, mas quando é que acaba essa alegada guerra ao terror? Por definição, uma guerra tem um fim estratégico claro: a derrota dos exércitos do inimigo, invasão de um território, conquista de uma capital, etc., momentos concretos que marcam um fim cronológico. Nada disso existe nesta alegada guerra ao terror". Passados dez anos, julgo que a pergunta continua de pé e, pior ainda, esta natureza imprecisa mas omnipresente da alegada guerra ao terror continua a fazer estragos na própria democracia americana.

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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