24 de novembro de 2014
Página Inicial   >  Blogues  >   A Tempo e a Desmodo

Sócrates: ninguém está acima da lei

 | 

Ninguém está acima da lei. É esta a primeira base de qualquer sociedade livre. A prisão de um indivíduo poderoso, seja ele banqueiro ou político, é um momento de força da sociedade. Anda muita gente triste e preocupada com a recente vaga de escândalos que termina agora com a prisão de Sócrates. Lamento, mas eu acho que o problema está na situação inversa: quando não há escândalos é que as coisas estão mal; uma sociedade livre define-se pela abundância de escândalos - as ditaduras é que não têm escândalos. O problema, o nosso problema, o problema desta III República tão alfacinha, era (é?) a paz podre gerada pelo "bom-nome" dos alegados Donos Disto Tudo da política e da banca.

Aquilo que sempre me desorientou no caso José Sócrates é o rol de situações que não fazem sentido a olho nu: o estilo de vida incomportável para alguém a receber um salário de político, as estradas de Paulo Campos, a casa na Braamcamp, a casa em Paris e, acima de tudo, a off-shore em nome da família. Como aqui escrevi há uns anos, só existiam duas hipóteses: ou os jornais estavam a mentir em relação à existência da off-shore com centenas de milhões de euros, ou José Sócrates tinha explicações a dar. Se entramos na segunda hipótese, começam as perguntas: como é que a sua família, que não é constituída por magnatas do petróleo, tinha tanto dinheiro acumulado? Ou será que existe petróleo na Covilhã?

Para terminar, o ponto mais importante: uma sociedade deve atacar a jugular dos poderosos, mas convém que a dentada inicial seja logo a dentada fatal. Ou seja, prender alguém implica ter um caso sólido, bem construído e demonstrável. Problema? A nossa justiça abusa da apresentação de casos que não colam em tribunal. A polícia e o ministério público têm revelado uma incapacidade crónica para morder a sério; para compensar esta incompetência policial e jurídica, vão queimando os arguidos em lume brando através de fugas de informação para os jornais. Neste caso, só espero que a justiça tenha noção do que está a fazer. É que a resolução final deste caso será histórico não para o PS mas para o nosso estado de direito. Se o caso for sólido, teremos uma espécie de 25 de Abril da justiça. Se o caso não for sólido, teremos um descrédito total da justiça e entraremos noutro campo: fala-se muito na reforma do sistema partidário, mas também devíamos falar da reforma do sistema judicial - até porque estes dois sistemas vão para a cama demasiadas vezes. 

Há diferenças entre raças humanas. E então?

 | 

O mantra é este: não há diferenças genéticas entre raças; tudo se resume à cor de pele; temos vários invólucros epidérmicos que cobrem a mesma essência humana; a raça não tem base biológica, é uma construção social, etc., etc. O jornalista do "New York Times" Nicholas Wade contesta esta alegação através de um raciocínio que apresenta uma lógica darwinista inatacável: ao evoluírem em diferentes locais do planeta, as diferentes tribos humanas evoluíram de forma diferente, desenvolveram capacidades físicas e mentais diferentes; afinal de contas, a Evolução não fechou para balanço a partir do momento em que o Homem saiu do berço africano; a Evolução continuou a actuar sobre os diferentes homens nos diferentes continentes, criando raças diferentes. E Wade vai ao ponto de colocar a mente na equação: a Evolução não tira gazeta quando se trata de moldar o cérebro humano, ou melhor, os cérebros humanos. Nesse sentido, a mente de um indiano é diferente da mente de um branco, que por sua vez é diferente da mente de um negro. As implicações políticas e culturais do argumento são óbvias: há povos mais propensos à ciência e racionalismo, por exemplo.

 

Para continuar a ler o artigo, clique  AQUI 

 

A FIFA tem o estatuto da Cruz Vermelha

 | 

Com um ar penteadinho e sem nunca se rir, a FIFA confirmou o Mundial de 2022 no Qatar. O Mundial, recorde-se, é aquela coisa jogada por seres humanos durante o verão; o Qatar é aquele sítio que atinge os 50 graus durante o verão. Perante isto, resta a pergunta: porque não realizar o próximo Mundial numa plataforma petrolífera? Poupava-se no circo, a guita estaria logo ali a jorrar como um chafariz inocente. Não, não há como fugir à questão: a FIFA começa a ser sinónimo universal de corrupção, desfaçatez, nepotismo. 

Para continuar a ler o artigo, clique  AQUI

Porque é que os portugueses gostam mais de Messi?

 | 

A temperatura e textura dos adjectivos que podem descrever Cristiano Ronaldo estão nesta linha de montagem: épico, homérico, hercúleo, mítico. Há qualquer coisa da lenda e do ímpeto dos Antigos em Ronaldo. Ele é o perfeito gladiador. A linha de adjectivos para Messi tem outra temperatura: baixinho, rapidinho, maneirinho, um pequenino com jeitinho. Messi não podia ser mais português mesmo se tentasse, mesmo se entrasse no SEF para pedir um visto gold. Não por acaso, tenho sempre a impressão que a maioria dos portugueses gosta mais de Messi do que Ronaldo. 

 

Para continuar a ler o artigo, clique  AQUI 

 

Como dar a espada ao Banco de Portugal?

 | 

Quando lemos o livro de Paulo Trigo Pereira, percebemos que as Finanças são um problema institucional antes de serem um problema técnico. Por uma série de deficiências institucionais (ex.: a menoridade da UTAO), o Orçamento de Estado de Portugal é sempre um objecto laxista e opaco. Como dizia há dias João Vieira Pereira, os nossos ministros das Finanças preparam o Orçamento de acordo com os humores do primeiro-ministro: se ele está contentinho, talvez aguente um cenário macroeconómico realista e negro; se está tristinho, é preciso animá-lo com um cenário macroeconómico da Terra do Nunca. Julgo que vale a pena olhar para o choque entre o Banco de Portugal e BES da mesma forma.

 

Para continuar a ler o artigo, clique  AQUI 

Zeinal Bava devia dar os 5.4 milhões aos trabalhadores

 | 

Há uns anos, um estudo focado apenas no colarinho branco colocou Portugal no topo da assimetria salarial da UE-15: a diferença era de 4,4; se um funcionário de escritório português ganhasse 1000 euros, o seu gestor ganharia 4.400 euros. Ora, os salários exorbitantes de gestores como Zeinal Bava, Mexia e companhia elevam esta assimetria até ao infinito e mais além, transformando Portugal num dos países mais desiguais da Europa.

 

PARA LER O ARTIGO NA ÍNTEGRA, CLIQUE  AQUI

Querem salvar o planeta ou os seres humanos?

 | 

O que faz espécie num certo ambientalismo europeu é o seu foco moral. O chamado ambientalista define a sua bondade na relação com animais ou com o meio ambiente: devemos fazer isto porque é bom para os ursos, devemos fazer isto porque é bom para uma mirífica Mãe Natureza, que surge nesta mitologia com a força das crenças pagãs. O ambientalista perde assim a noção de que a moralidade não se define na relação com marés ou bichos, define-se na relação com outros seres humanos. Neste sentido, muitos indianos e chineses têm razão quando criticam o desprezo que a Europa verde revela pelas condições de vida das populações asiáticas que estão a entrar na classe média.

 

Para continuara a ler o artigo, clique  AQUI 

Os verdadeiros ambientalistas estão fora da Europa

 | 

Por vezes, os chamados "ambientalistas" até apontam para os problemas, mas são sempre ingénuos ou ideológicos até à demência na apresentação de soluções. Energia? Não podemos ter energias fósseis, dizem. Então podemos pôr ventoinhas do dr. Mexia? Não, porque isso coloca em causa o habitat da passarada. Mesmo quando se consegue colocar um alegado "ambientalista" a defender o sol e o vento como fontes de energia, ele nunca consegue responder a um ponto: e quando não há vento? E quanto não há sol? Como é que fazemos? Nós precisamos de energia aqui e agora, 24 sobre 24, não podemos ficar dependentes dos humores de Éolo. Aliás, é por isso que cada sistema fofinho de ventoinhas necessita de um sistema antigo na retaguarda a funcionar como guarda-costas energético.

 

Para continuar a ler o artigo, clique  AQUI  

Legionella: quando nos bate à porta é diferente

 | 

Desta vez, a epidemia não é assunto teórico, não é matéria para divagações sobre paranóias sanitárias e apocalípticas do Ocidente contemporâneo. Desta vez, a epidemia e a respectiva cagufa bateram-me à porta. Nasci perto de Pirescoxe, que fica colada a Santa Iria de Azóia, que por sua vez fica colada à Póvoa de Santa iria e Forte da Casa. Na letra da lei, aquela zona é de Vila Franca, mas orbita em redor de Santa Iria. Fica a 7km do meu bairro. A minha prima mais nova, que acaba de ser mãe, vê a Solvay da janela da casa de banho onde agora tem medo de tomar banho; primos trabalham em fábricas um pouco mais a jusante. 

 

Para continuar a ler o artigo, clique  AQUI 

Quanto custam as pausas da bica?

 | 

Trabalhar com alemães e americanos na Alemanha foi das coisas mais divertidas e úteis que já fiz na vidinha. Foi útil, por exemplo, para perceber as diferenças culturais na hora da crítica. O John Smith leva tempo até começar a criticar. Antes de chegar à parte dolorosa, ele diz que fomos maravilhosos nisto e estupendos naquilo; passados cinco minutos de elogios, lá começa a entrar no campo da crítica com pés delicados. A alma americana é tão optimista que procura sempre o lado positivo antes da borrasca. Já o Herr Schmidt não perde tempo e atira-se à jugular com a frieza do cirurgião. É estranho ao início, mas depois não se quer outra coisa, porque aquela frieza é dirigida ao argumento, ao trabalho, ao texto e não à pessoa. Para mim foi uma libertação, porque os portugueses fazem o inverso.

 

Para continuar a ler  o artigo, clique  AQUI

 

Ver mais
Arquivo

Pub