Mais de 90 pessoas foram retiradas dos escombros no Haiti depois do devastador sismo que atingiu a 12 de Janeiro o país, indicou hoje a porta-voz do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
Os números precedentes apontavam para pelo menos 71 sobreviventes encontrados nos escombros por 43 equipas internacionais compostas por 1.739 socorristas e 161 cães.
"Isto são sempre boas notícias. Os salvamentos e os nossos esforços de ajuda humanitária concentram-se actualmente nas zonas nos arredores de Port-au-Prince", que estavam até agora inacessíveis para os socorristas, indicou a porta-voz da OCHA, Elisabeth Byrm.
"As prioridades imediatas continuam a ser a ajuda médica, o encaminhamento dos cadáveres, o fornecimento de abrigos, a água potável e o acesso a instalações sanitárias", indica a OCHA num balanço da situação.
"Todos os hospitais de Port-au-Prince estão submersos pelo afluxo de pacientes" e "o grande problema é o de retirar os pacientes depois de terem
sido tratados porque a maioria prefere ficar nos centros de cuidados, reduzindo assim as capacidades de intervenções cirúrgicas", indicou a OCHA.
Em Port-au-Prince, oito hospitais, dos quais metade é composta por estruturas de campanha, estão operacionais. Seis outros deverão ser postos a funcionar nas próximas horas, enquanto o navio hospital norte-americano Comfort é esperado hoje, segundo a OCHA.
Um centro de cuidados foi posto a funcionar em Jimani, na República Dominicana, perto da fronteira com o Haiti.
"As entregas de carburante continuam a ser um problema. O programa alimentar
mundial (PAM) prevê encaminhar diariamente 38 mil litros de diesel a partir da República Dominicana", indicou ainda a OCHA.
Segundo a Missão de estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), a situação do ponto de vista da segurança em Port-au-Prince "mantém-se estável, com actos de violência e pilhagens limitados e localizados". "A maioria dos incidentes foram verificados em bairros já classificados como sendo de alto risco antes do sismo", segundo a MINUSTAH citada pela OCHA.
"Escoltas militares são necessárias para o transporte e a distribuição de ajuda humanitária", enquanto as autoridades haitianas decretaram o estado de urgência em todo o país, sublinhou ainda a OCHA.