Estamos perante um paradoxo. Ao usarmos lâmpadas fluorescentes compactas (LFC) ou economizadoras, estamos a contribuir para a redução do aquecimento global, o que é bom para o clima. Mas podemos ameaçar a nossa saúde e ... o ambiente.
Em Setembro, quando entrou em vigor a directiva europeia que vai banir do mercado as lâmpadas incandescentes até 2012, a organização europeia das associações de consumidores (BEUC) afirmou que a UE não acautelava devidamente "as necessidades dos consumidores que precisam de usar lâmpadas clássicas devido a problemas de saúde como a hipersensibilidade à luz", tendo insistido junto da autoridades europeias para que fossem tomadas medidas imediatas para assegurar que esses consumidores pudessem comprar lâmpadas incandescentes até que existissem tecnologias alternativas seguras no mercado.
Por outro lado, a BEUC adiantava que "existem também riscos quanto ao conteúdo em mercúrio das fluorescentes compactas". O mercúrio é um metal tóxico e os conselhos da DECO, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, quando partimos uma LFC, evidenciam bem o dramatismo desta situação:
- Pessoas e animais devem sair do local e o ar condicionado, se existir, deve ser desligado.
- Antes de limpar, abrir a janela e arejar durante, pelo menos, 15 minutos. Com um pedaço de cartão varrer o vidro partido, o pó e o mercúrio para um frasco de vidro ou saco de plástico e fechá-los. Não usar o aspirador. Lavar o chão com um pano húmido e deitá-lo fora.
- Se os resíduos da lâmpada tiverem tocado na roupa, deitá-la fora (!). A lavagem, além de lançar mercúrio no esgoto, pode contaminar a máquina e, assim, outras peças de roupa.
- Depois de limpar e deitar fora os resíduos, lavar bem as mãos.
Baixar o limite legal do mercúrio
A BEUC defende mesmo que o limite legal de cinco miligramas de mercúrio por lâmpada deve ser reduzido, já que "as tecnologias disponíveis permitem a estas lâmpadas funcionar apenas com um a dois miligramas". Mas os problemas das LFC começam com a lâmpada inteira e a funcionar por cima das nossas cabeças, depois de uma exposição prolongada a menos de 20 centímetros de distância. Tudo porque emite radiação ultravioleta, o que não acontece com a clássica lâmpada incandescente.
A DECO sublinha que "os consumidores com pele mais sensível podem ressentir-se com os raios ultravioletas das lâmpadas economizadoras". Para a maioria da população, isto é, para a população saudável, "só uma exposição prolongada - cerca de oito horas - a uma distância inferior a 20 centímetros pode, eventualmente, provocar lesões na pele ou na retina do olho".
Por isso, utilizar lâmpadas com duplo invólucro "reduz bastante a emissão de raios ultravioleta", e estas ficam mais protegidas em caso de quebra acidental. Há apenas um contra: "a sua eficiência é ligeiramente inferior às LFC de tubos desprotegidos".
Um estudo da Comissão Europeia analisou o impacto das LFC na população em geral e na população doente, devido a quatro propriedades destas lâmpadas: cintilação, campos electromagnéticos, radiação ultravioleta e luz azul. Foram estudadas 28 doenças, incluindo 15 de pele, e concluiu-se que "as radiações ultravioleta e da luz azul representam um factor de risco potencial para o agravamento dos sintomas de hipersensibilidade à luz", A Comissão defende que as LFC de duplo invólucro podem mitigar ou mesmo eliminar estes problemas.