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Re: As lições do futebol
“No futebol, acreditamos nos melhores e celebramos a desigualdade de performances. Ninguém contesta a remuneração de Ronaldo”
Numa perspectiva puramente maniqueísta que não é a minha, poderíamos ser levados a pensar que para uns ganharem muito outros terão necessariamente de ganhar pouco. Mas a questão é outra. O problema de Rui Ramos e de muitos neste país é que continuam a acreditar nos salvadores da Pátria, nos heróis, nos grandes homens, nos super-homens…nas altas performances das elites e não nas competências médias da comunidade, do grupo, e não numa sociedade capaz de funcionar eficazmente como um todo. Que temos individualidades já se sabe, que somos capazes de produzir grandes feitos também; mas acontece que isso, só por si, não chega para fazer de nós uma sociedade avançada. Para fazer de nós uma sociedade avançada é preciso valorizar (e remunerar condignamente) o aparentemente banal, a acção diária, e não apenas aquilo que pode fazer de nós heróis do momento; é preciso valorizar os seres aparentemente banais (e as suas tarefas) e fazer deles os nossos heróis. Fazer brilharetes é fácil, difícil é a constância do dia a dia. A perspectiva de Rui Ramos é passadista e não serve o país porque manias e grandezas já nós temos que chegue. A perspectiva de Rui Ramos serve apenas para alimentar egos e epifenómenos de sucesso. |
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