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As damas das copas
Uma ideia que surgiu de uma conversa de mulheres transformou-se em dois anos, num negócio que fatura quase 800 mil euros.
Inês Basek e Margarida Furst vieram para Portugal à procura de uma oportunidade e encontraram-na onde menos esperavam, no bra-fitting - aconselhamento do sutiã adequado a cada mulher. Polacas de origem, foi com surpresa que perceberam que em Portugal, as mulheres praticamente só identificavam os sutiãs pelos números, deixando as copas para segundo plano. "As copas que existem no mercado português satisfazem menos de 10% das necessidades das portuguesas", diz Inês, ainda com alguma perplexidade. Ou seja, em Portugal cerca de 90% das mulheres usa o sutiã errado, porque não há produto disponível, nem aconselhamento adequado. Ou melhor, não havia, porque é esse o negócio da Dama de Copas desde o início de 2010.
Identificado um nicho de mercado, não foi difícil convencer João Coimbra, o namorado de Inês, a juntar-se ao projeto e, em apenas seis meses, os três sócios passavam da ideia para um espaço comercial num 2.º andar da Rua do Carmo, em Lisboa. Mas pelo meio, fizeram estudos de mercado, foram ver o que se fazia noutros países, prepararam o plano de negócio, criaram um blogue, organizaram workshops e atraíram a atenção das mulheres e dos media. Sem nunca terem investido um cêntimo em publicidade, tornaram-se presença assídua na imprensa e até na televisão - para explicar o que o sutiã certo pode fazer pela imagem de uma mulher -, e o número de clientes não pára de aumentar. Aos sábados chegam a atender 70 mulheres na loja de Lisboa, e Inês Basek garante que 90% não se contenta com a consulta gratuita de bra-fitting, e sai com lingerie nova.
Seguir o plano de negócios à risca
"Rapidamente percebemos que o negócio ia resultar", diz Margarida Furst, e, em apenas seis meses de actividade da Dama de Copas, já todos tinham largado os empregos e se dedicavam ao negócio em full time. Em Dezembro de 2011, abriram a primeira loja de rua, depois de um investimento de quase 100 mil euros, e, logo de seguida, arrancaram com o primeiro espaço do Porto. Mas mais uma vez, estão a testar o mercado num 3.º andar da Rua de Santa Catarina, antes de abrirem uma porta para a rua.
Os três sócios não arredam pé das lojas, porque sabem que o serviço é a sua grande mais-valia. A Dama de Copas não é uma loja tradicional, mas sim um espaço onde não existem balcões nem caixas registadoras, mas apenas sofás e três mesas, onde as consultoras aconselham as clientes. Tudo está pensado para que estas se 'sintam em casa'. Mas não se pode aconselhar um sutiã que a cliente não possa experimentar, e comprar, por isso têm um stock com mais de 100 tamanhos, entre o 28A e o 42K - medidas até há pouco impensáveis no mercado português.
Apesar de esperaram facturar cerca de 800 mil euros este ano, tudo continua a ser muito ponderado na Dama de Copas. Os três sócios são remunerados desde o primeiro mês, mas fazem questão de reinvestir o máximo no negócio e só dão novos passos quando as finanças o permitem. "Só fizemos cabides personalizados há cinco meses, apesar de estarem previstos desde o início", exemplifica Margarida Furst, responsável por todo o material gráfico do negócio. "Temos seguido o plano à risca", confirma João Coimbra, revelando que o próximo passo é abrir uma loja de rua no Porto e, quando o negócio estiver bem consolidado, talvez pensar em replicá-lo no país vizinho, "mas sem pressas".
João Coimbra, Inês Basek e Margarida Furst da Dama de Copas