24 de abril de 2014 às 11:57
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As comissões administrativas de Rui Rio

Paulo Gaião
Rui Rio, que por vezes gosta de remar contra a maré, tinha várias frentes para o fazer em matéria de autarquias.

O governo, no papel de troika,  vai emprestar dinheiro aos municípios mais endividados para estes pagarem aos fornecedores e recomeçarem a vida de novo. O governo devia aproveitar para exigir reformas profundas nessas câmaras e a diminuição a fundo da despesa. Em vez disso, o memorando de Passos Coelho e Miguel Relvas aos municípios obriga-os a aumentarem os impostos e o preço da água. Quem paga? Os munícipes contribuintes.

PSD e PS parece que já se entenderam para reduzirem o número de juntas de freguesia e salvarem a face em relação às exigências do programa da troika (a verdadeira).

As juntas de freguesias precisam de ser reduzidas? Precisam! Mas atacam o elo mais fraco, homens e mulheres dedicados às suas gentes, muitos deles independentes, com o contacto mais próximo de todos com os seus eleitores, mas que trazem poucos benefícios à lógica de poder do PS e PSD, onde os concelhos, sobretudo os grandes concelhos são importantes linhas de retaguarda (por vezes autênticas fortalezas) para tomarem de assalto o poder central.

É por isso que PS e PSD mexem nas freguesias mas não querem reduzir o número de concelhos. Mesmo que o memorando da troika seja muito claro sobre a matéria: os municípios e freguesias têm "de ser reduzidos significativamente".

Em vez de incumprir o memorando o governo devia estar a ir muito para além da troika em matéria de reforma administrativa. Reduzir significativamente freguesias e municípios e partir finalmente para a regionalização.

Muitas frentes de ataque estavam ao dispor de Rui Rio mas este preferiu afundar-se no tema maldito das comissões administrativas não eleitas para penalizarem os concelhos devedores que recorram aos empréstimos do Estado.

Só ficou acompanhado pela junta militar do golpe de 1926, do general Gomes da Costa, que nomeou comissões administrativas quando chegou ao poder para substituir os órgãos municipais da I República. Eram para ser provisórias mas ficaram dez anos, sempre nomeadas ministerialmente. Depois, já com Salazar instalado, não foi muito diferente. Quando esperanças como Rui Rio continuam a dar tiros nos pés, o país afunda mais um pouco.           

Comentários 8 Comentar
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Reformas
Boa radiografia do problema. Os viveiros dos políticos não podem afectados. Vão eliminar algumas freguesias, geridas por voluntários não pagos, que são o orgão administrativo mais próximo das populações, que encaminha e ajuda idosos, crianças,ensina a preencher papéis,etc.
  Essas são dispensáveis, não afectam a escola de quadros donde saem os futuros barões, que vão tratar da sua vida à conta dos munícipes.

Os deputados da AR são uma emanação dessa gente e não podem lutar contra os seus patronos e sucessores.

A saída de Rui Rio, foi infeliz. Ladrão e incompetente ou não, o presidente tem que ser eleito.
Rio quer ser ministro
Mas não chega lá: abriu guerra a Pinto da Costa e isso foi-lhe fatal.
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NÃO CONCORDO COM A OPINIÃO DO ARTICULISTA..
Apesar de ter razão nas coisas apontadas onde se poderia reformar, não deixa de ser importante q as autarquias endividadas fossem substituídas por pessoal da sociedade civil para melhor gerir a coisa pública. Alás, as autarquia n têm de ser des governadas pelos partidos, deviam ser geridas eleitoralmente pela sociedade civil. Também a mesma sociedade civil devia ter direito a eleger 55% dos 130 deputados da futura AR , para q os partidos deixassem de destruir o país e acabassem com o enriquecimento ilícito .Os partido passavam a vigiar coisa q agora n fazem. A coisa é tão importante , q mesma agora devíamos ter um governo de uma comissão administrativa como a Itália e a Grécia. A ideia de R Rio foi uma das coisas melhor pensada e dita nos últimos anos em politica.
Muita parra, pouca uva
basta ver em que estado está a cidade, se não fossem os turistas descarregados pelas "low cost" e alguns empresários da restauração/turismo então é que seria uma completa desgraça.
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